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Artista denuncia e recria abusos de “clínicas de cura gay” em ensaio fotográfico

Captura do vídeo “Até você mudar”, feito por Paola Paredes e compartilhado no Vimeo.

A existência de centros clandestinos destinados a “curar” gays no Equador é tema do trabalho fotográfico de denúncia Until you change (Até você mudar) da artista equatoriana Paola Paredes. A maioria desses centros ilegais funciona como “clínicas” religiosas de reabilitação para dependentes químicos. De acordo com a fotógrafa, gays, lésbicas e transexuais são enviados por suas famílias a esses lugares, onde são trancafiados e submetidos a abusos brutais e humilhações. Em sua página na Internet, a artista comenta:

It was four years ago that I first learned about the private ‘clinics’ that claim to cure homosexuality in Ecuador. My first thought was that it could be me held there and told that, as a gay woman, I needed to change. Two years later, I came out to my family and was accepted by them. In my country, many young women and men are not so fortunate.

Tive conhecimento dessas “clínicas” que afirmam curar a homossexualidade no Equador há quatro anos. A primeira coisa que pensei foi que, por ser lésbica, poderia ser eu uma dessas mulheres presas e obrigadas a ouvir que preciso mudar. Dois anos depois, contei a minha família sobre minha orientação sexual e eles me aceitaram. Em meu país, muitos jovens, homens e mulheres, não têm essa sorte.

Depois de pesquisar e entrevistar diversas mulheres que estiveram nessa situação, Paola Paredes reconstruiu em um ensaio fotográfico cenas relatadas pelas vítimas. Devido à dificuldade de retratar as práticas dessas clínicas clandestinas, ela optou por mostrar a si mesma como personagem no ensaio. Nas imagens, a artista revive as experiências dessas pessoas, simulando os ambientes, objetos e os métodos narrados. Em sua obra, é possível ver os diferentes tipos de abusos a que essas mulheres são submetidas. Desde o uso forçado de maquiagem, saias curtas e salto alto, para “resgatar a feminilidade”, até violência física e estupros “corretivos”:

Esta é uma foto de meu novo ensaio fotográfico Until You Change [Até você mudar]. No Equador, existem aproximadamente 200 centros para “curar” mulheres e homens homossexuais. Essas violações ocorrem sob o disfarce de atividades de clínicas de reabilitação de álcool e drogas. Encarceradas contra a vontade, as vítimas internadas são submetidas à tortura física e emocional. Recriei algumas cenas dessas “clínicas” com base nos relatos de vítimas para sensibilizar as pessoas sobre essa violação de direitos humanos, que embora costumaz, não aparece nos meios de comunicação. Por ser gay e equatoriana, decidi ser a protagonista do ensaio. Incorporei minhas próprias emoções e experiências com métodos teatrais para explorar o abuso sofrido pelas mulheres nessas instituições. As imagens foram produzidas com base nos testemunhos das mulheres que entrevistei.

Não é a primeira vez que esses centros de “cura gay”, geralmente associados a grupos evangélicos, são objetos de denúncias. Em 2012, vários desses centros foram investigados e posteriormente fechados por motivos ainda confusos. No entanto, o trabalho de Paola Paredes revela que as clínicas clandestinas de “cura gay” continuam existindo, com tratamentos que violam os direitos humanos. Além do ensaio fotográfico, um vídeo disponível na plataforma Vimeo documenta o processo de produção do ensaio e os diferentes traumas que as vítimas contam ter experimentado:

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