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Redes informais de WiFi são desmanteladas em Havana

Foto: cubadebate.cu

Nauta, centro de acesso público de Internet em Cuba. Foto de cubadebate.cu. Utilizada com autorização.

Ao longo do último mês, vários blogs [es] e canais de mídia media outlets [es] reportaram o desmantelamento de redes de WiFi na cidade de Havana, capital de Cuba, pelas autoridades do país.

Essas redes artesanais não são conectadas com a Internet, e trabalham por meio de dispositivos de alta potência que amplificam o sinal sem fio, como o NanoM2, que é comprado no mercado negro por cerca de U$ 230 dólares. As redes são principalmente usadas para jogos, no compartilhamento de shows, séries de TV e filmes.

Em seu blog, La red cubana, Larry Press relata que quando se ouve falar de uma rede entre 120 e 400 usuários, você imagina 120 a 400 usuários fazendo o download simultâneo de arquivos, postando mensagens nas redes sociais, e comunicando-se uns com os outros. “Mas isto é exagerado”, ele diz. De acordo com Press, os dispositivos usados para criar e operar essas redes, especificamente o NanoM2, têm determinados méritos, mas não permitem que “múltiplos usuários façam o download do último episódio do show favorito deles simultaneamente, por meio de um servidor de computador pessoal ou que naveguem na rede”.

Até hoje, as autoridades cubanas não tinham impedido essas conexões informais, mas a existência de grupos de amigos e vizinhos que “começaram a conectar os seus roteadores pessoais, há aproximadamente uma década atrás, para o uso em jogos de computador com vários jogadores” era conhecida, o jornal the Miami Herald [en] notou.  

Larry Press explica: 

Sospecho, aunque no lo sepan, que los routers están ejecutando Commotion, un programa de red desarrollado por la Fundación New America, con financiamiento de USAID. Ellos han puesto a prueba las redes en varias ciudades, pero no estoy familiarizado con los informes que dan sobre los datos de rendimiento y capacidad.

Eu suspeito, embora eles não saibam, que os roteadores estão operando com o Commotion, um programa de rede desenvolvido pela New America Foundation, financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, USAID na sigla em inglês. As redes foram testadas em diversas cidades, mas eu não tenho conhecimento sobre os relatórios que forneceram informações sobre o desempenho e capacidade. 

Num debate no Facebook sobre telecomunicações e acesso à Internet em Cuba há algumas semanas atrás, Yosbani Deya indicou que a “Agência de Controle e Supervisão do Ministério das Comunicações de Cuba  (…) proíbe por lei qualquer radiação acima de 100mW em Pontos de Acesso Sem Fio de WiFi de 2,4GHz”. 

Entretanto, a jornalista e professora Milena Recio, disse que [es]: 

Hace un año apareció el servicio Nauta, que venía con dos promesas: bajar los precios e implementar redes WiFi… Ninguna de las dos han sido cumplidas. Y de eso no se habla. Luego, llegan noticias de desmantelamientos de redes en barrios de La Habana. El marco legal no está claro. ETECSA tiene una concesión de exclusividad para el uso del espacio radioeléctrico con fines de telecomunicaciones. Concesión que es renovada una y otra vez y no se discute con nadie. Estas redes WiFi, barriales, son a-legales, y a-legal es también, hasta donde entiendo, su desmantelamiento policía mediante.

Há um ano atrás surgiu um serviço chamado Nauta que prometia duas coisas: diminuir os preços e implementar as redes de WiFi … Nenhuma dessas promessas foram cumpridas. E ninguém fala sobre isso. Então, vem a notícia sobre o desmantelamento de redes nas vizinhanças de Havana. A estrutura legal não é clara. A ETECSA tem uma concessão exclusiva para o uso do espaço de rádio telecomunicação. A concessão é renovada constantemente, e isso não é discutido com ninguém. Essas redes vizinhas de WiFi não são legais nem ilegais, e assim é o desmantelamento feito pela polícia, pelo que entendo. 

 Até o momento, não se sabe se as redes de WiFi continuarão sendo desmanteladas nas municipalidades de Havana e em outras localidades situadas em diversas províncias do país. Larry Press arrisca-se dizer que poderia ser um mecanismo de pressão e controle “para intimidar os usuários num contexto onde há incerteza sobre as regulamentações.” Uma outra possibilidade é que “essas redes podem ser vistas como sendo uma ameaça aos rendimentos da ETECSA.”

A imagem mostrada nesse post é de Ed Yourdon da Flickr, usada sob licença CC-BY-NC-SA 2.0.