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Bush no Brasil e o Etanol: O Debate na Blogosfera

 

Bush in Sao Paulo

Fonte: CMI Brasil

A rápida visita do presidente norte-americano George W. Bush ao Brasil na semana passada provocou grande e diversa reação na blogosfera local. Os protestos e demonstratções ocorridos na Av. Paulista foram inicialmente os aspectos mais destacados pela cobertura da mídia, mas como veremos abaixo, outras perspectivas estão sendo apresentadas e debatidas. O acordo de cooperação sobre biocombustíveis, que se mostrou a principal pauta da visita, influenciou diretamente o clima do debate online levando os blogs a explorar novas abordagens além do costumeiro ‘fora Bush‘. Portanto muitos observadores descobriram novas e interessantes questões a explorar além do usual ataque a Bush. O presidente venezuelano novamente conseguiu ser protagonista mesmo à distância, fazendo com que suas performances estivessem sempre presentes na cobertura da mídia. Entretanto, um crescente número de blogs têm demonstrado preferência por uma política externa mais pragmática e livre de conceitos ideológicos, com os Estados Unidos em particular e com o mundo em geral. Lula parece estar também ouvindo estas vozes.

No meio de tanto transtorno, como pudemos perceber pelos jornais impressos e televisivos, percebi algumas incoerências… Impressionante ver brasileiros indo às ruas queimar bonecos representando tal presidente, tacar pedras e paus em seus compatriotas (os guardas) e incitar a raiva aqui (No Brasil?) e fazer manifestações com faixa sobre as atrocidades das guerras contra o Iraque, Afeganistão e as divergências claras com nossa vizinha Venezuela… Acho que se tal presidente veio ao nosso país fazer negócios, deveríamos aplaudir e incentivar tal ação… Deveríamos deixar para gastar nosso tempo e forçar para lutar pelo nosso país, e não contra esse Presidente. Ninguém vê nos Estados Unidos ou Europa passeatas contra a Fome e o Desemprego no Brasil…Vamos cuidar do que é nosso para um dia poder pensar em ajudar alguém, ao invés de ficarmos como xiitas sem bandeira, que além que retrógrado expõem a ignorância do povo. Abraço à todos e aproveitando a visita do grindo, Open your mind!
Xiitas sem bandeira – Carlos M. Cunha Blog

É uma pena que esses sejam os “opositores” de Bush. Quando queimam a bandeira americana, essa esquerda não quer queimar a bandeira do capitalismo, ela quer queimar a bandeira da democracia americana, que é uma democracia que funciona. Por isso, não há nenhuma simpatia minha pelos idiotas que estiveram hoje na Av. Paulista. Fiquei com vergonha da cidade hoje, vergonha de ser mostrado no mundo como paulistano, de ver aquele tontos ali, protestando contra o nada, contra o que não possuem a mínima idéia do que é, pois não sabem o que é os Estados Unidos. É uma juventude tola, induzida por “adultos” cujos interesses são sombrios.
Por um amadurecimento político no BrasilNotas de Maurício C. Serafim

Ninguém tem dúvida de que a eleição de Bush e a ascensão dessa quadrilha religiosa ao poder dos Estados Unidos foi prejudicial para todo o planeta, em todos os sentidos. O que devemos começar a ser é pragmáticos e pensar no país: se Bush trouxe alguma boa proposta de acordos comerciais (piada, claro), ótimo. Se não, beba uma cerveja com Lula e volte para casa cuidar do Iraque. Mas não dá para acreditar que em 2007 ainda continuemos culpando “o imperialismo mau” pela nossa incompetência e pela nossa corrupção. A América Latina se tornou uma caricatura que envergonha a todos nós. Enquanto queimamos bandeiras, bonecos e baseados, países da Ásia se desenvolvem sem chorar as pitangas para ninguém. Enquanto a esquerda recreativa faz gincana em frente ao McDonalds e a direita ignorante rouba, a dona Esmeralda segue vivendo num barraco ao lado do Hotel Hilton.
Da nossa eterna hipocrisiaA nova corja


A principal diferença que apresenta esta visita de presidente norte-americano ao país é o fato de que, pela primeira vez na história do Brasil, temos a liderança em uma tecnologia que se tornou estratégica em um mundo que busca soluções alternativas para a questão dos combustíveis. E o mais interessante é que todos os outros países (com exceção dos EUA) estão muito atrás neste desenvolvimento. Pensar sobre esta vantagem específica e estudar a melhor forma de fazer bom uso dela parece ser uma linha importante a ser explorada.

Por outro lado, poderíamos dizer que o acordo sobre biocombustíveis com o Brasil pode se tornar uma espécie de resgate político para um presidente americano criticado por sua desatenção com as questões ambientais. Muitos críticos de seu governo consideram que a fixação de Bush em petróleo pode estar na raíz de seus principais erros na Casa Branca, e a súbita mudança em direção aos biocombustíveis pode ser o sinal de uma mudança de curso em seu segundo mandato. De fato, Hugo Chávez deve estar neste momento pensando sobre a enorme conveniência que é para os EUA desenvolver uma parceria com o Brasil onde o principal resultado será o empoderamento de um competidor direto (o ethanol) da principal fonte de recursos da revolução Bolivariana (o petróleo). Entretanto, as questões econômicas e ambientais envolvidas em um experimento global de larga escala na produção e consumo de biocombustíveis ainda precisam ser profundamente avaliadas pelos especialistas, e todos sabemos como as disputas políticas são capazes de dificultar as avaliações técnicas.

Em visita oficial à Argentina, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, faz, desde ontem (8), uma série de críticas à visita do presidente norte-americano, George W. Bush, à América Latina. Para Chávez, o plano dos Estados Unidos de difundir a produção de etanol é “irracional e antiético”. “Pretender substituir a produção de alimentos para animais e seres humanos pela produção de alimentos para veículos para dar sustentação ao american style of life é uma coisa de loucos”, disse ele. Com esse objetivo, segundo o venezuelano, “Bush anda buscando países com grandes extensões agrícolas e com água, como Argentina, Brasil, Índia e China.” Para Chávez, Bush mereceria uma “medalha” por sua “hipocrisia”. “O cavalheiro do norte descobriu a pobreza na América Latina”, ironizou ele, em alusão a uma das justificativas que vêm sendo dadas por Bush para seu plano de difundir o etanol. “Eu creio que é preciso dar ao presidente dos Estados Unidos a medalha da hipocrisia por ter dito que está preocupado com a pobreza na América Latina.”
Chávez enlouquece e diz que produção de Etanol é antiéticoAcerto de Contas

“se o Bush baixar as taxas para o etanol brasileiro, e se o Japão também se firmar como grande importador do combustível, há grandes chances da tese deste artigo se comprovar. Já há grandes grupos internacionais comprando usinas de álcool aqui no Brasil. Se for mais lucrativo plantar cana, então a área cultivada para os alimentos diminuirá. Menos oferta de alimentos, puxa o preço para cima.” Será então que a cruzada pró-biocombustível seria, na contramão, um anti-Fome Zero? Seria o Fome Máxima? Não sei até que ponto isso é alarmismo, má-fé, paranóia ou mistificação.
Paranóia, mistificação e delirium tremensFutebol, política e cachaça

Há quem avalie que o País só tem algo a ganhar se o acesso do álcool obtido à base de cana-de-açúcar ao mercado norte-americano, onde o produto é feito a partir do milho, for facilitado. Trata-se de uma meia-verdade. De fato, a redução dos impostos exigidos quando o produto entra no mercado americano, o principal pleito brasileiro, permitiria um aumento das exportações. Mas a produção brasileira está longe de ser grande o bastante para saciar a demanda potencial dos EUA por etanol, e o que dirá as necessidades do restante do mundo. Parcerias na área de desenvolvimento de novos processos para fabricar biocombustíveis – com o uso de resíduos vegetais, por exemplo – podem ser até mais bem-vindas do que um corte nas tarifas. Os estudos representam a diferença entre criar mais vagas para cientistas e pesquisadores ou apenas aumentar o recrutamento de cortadores de cana-de-açúcar – a parcela menos qualificada dos trabalhadores da cadeia de produção. Os resultados desses esforços podem permitir aproveitar melhor as vantagens naturais só encontradas abaixo da linha do equador.
Jogo Pesado no TanqueDesabafo Brasil

Então não é que o sacana do Bush, sim, o das petrolíferas, o inimigo declarado do planeta, quer diminuir a dependência do petróleo, reduzindo à pobreza os povos oprimidos que o vendem, como a Venezuela, o Irão, Angola, etc? E de caminho fazer subir o preço da cana do açúcar e do milho, condenando à fome milhões de desapossados e fazendo aumentar o preço da cachaça e das pipocas. O homem é diabólico e a sua cabeça está sempre a congeminar maldades. Felizmente temos símios à solta nas ruas, a fazer cabriolas indignadas para o “denunciar”, superiormente orientados pelo supremo tiranossauro de Caracas. Abaixo o ethanol, viva o petróleo “bolivariano”! Ethanol é reaccionário, petróleo é revolucionário!
Abaixo o etanol e o BushO Triunfo dos Porcos


No meio disso tudo podemos ver o presidente Lula cada dia mais confortável diante dos desafios de seu segundo mandato, seja em assuntos domésticos ou em questões de política externa. As pesquisas de opinião continuam emitindo sinais positivos de aprovação, apesar de uma mídia local sempre pronta para criticar cada um de seus movimentos. Neste sentido, parece que o acalorado debate recente sobre a ideologia anti-americana praticada pelo Itmaraty tornou-se obsoleto em tempo recorde.

Pesquisa do Instituto Ipsos revela que o presidente Lula é o chefe de Estado mais bem avaliado e George W. Bush, o mais rejeitado, na opinião dos cidadãos da América Latina. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso ao relatório da pesquisa, o instituto concluiu que Bush está “tomando emprestada” a popularidade de Lula para marcar presença no continente. O estudo revela que Lula tem um saldo (imagem positiva menos imagem negativa) de 36 pontos porcentuais no Brasil, 39 na Bolívia e 37 no Peru, enquanto Bush tem saldo negativo de 43 na Bolívia, 55 no Brasil e 3 no Peru. Lula e Bush têm, respectivamente, 55% e 32% de aprovação entre seus eleitores.
BBB de fatoBlog do Roberto Leite

Estão aí, escancarados, todos os sinais de que a política externa no segundo governo Luiz Inácio Lula da Silva sofreu um ajuste fino em relação ao primeiro quadriênio. Errou quem acreditou estar em alta no Itamaraty um suposto antiamericanismo (maior do que o habitual na instituição). O que se passa é o contrário. É uma aproximação estratégica com os Estados Unidos. O primeiro sinal foi a adesão imediata do Brasil ao conjunto de países que sancionaram o Irã por afrontar as determinações da ONU sobre o programa nuclear iraniano. Agora, vem o alinhamento entre Brasília e Washington na política para o álcool combustível. O Brasil será um pilar central da tentativa estadunidense de depender (e fazer o mundo depender) menos do petróleo. Ou seja, depender menos do Oriente Médio, da Nigéria e da Venezuela.
Que anti-americanismo?Blog do Alon

Depois de dois anos criticando o anti-americanismo da política externa brasileira, agora o jogo virou: serão mais dois anos criticando o americanismo da política externa do Lula. E ele que não ouse a neutralidade, senão serão dois anos criticando a indefinição da política externa do Lula.
Se ficar, o bicho pega…Luis Nassif Online


Como resumo final chamamos a atenção para as decisões concretas que irão formatar os resultados do acordo Brazil – Estados Unidos de cooperação em biocombustíveis. As apostas e interesses acoplados à política podem ser medidos pelos nomes que estão sendo alistados para participar destas decisões.

George W. Bush vem fazer duas coisas na América Latina, as duas têm igual importância em sua política externa e uma não tem nada a ver com a outra. A primeira é assuntar o assunto etanol. A segunda é ver se consegue neutralizar a presença de Hugo Chávez na região. É papo de alto nível. Bush vem e fica pouco. Quem já veio e continuará vindo para reuniões muito mais discretas é outro Bush. O irmão, Jeb, que foi governador da Flórida. Etanol virou assunto de família. Prioridade.
Yankees go home?no mínimo weblog

Estão no Conselho, que visa a estimular a adoção dos combustíveis agrícolas, Luis Alberto Moreno, anglo-colombiano que foi eleito em 2006 presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento por pressão dos EUA; Roberto Rodrigues, ex-Ministro da Agricultura do primeiro mandato de Lula e figura proeminente na estratégia da Monsanto de introdução de commodities agrícolas transgênicas no Brasil; Donna Hrinak, ex-embaixadora dos EUA em Brasília, Jeb Bush, irmão do presidente estadunidense e ex-governador da Flórida; e Junichiro Koizumi, ex-primeiro Ministro do Japão. Pelo quilate dos apoiadores da disseminação do etanol, é possível imaginar o grau de envolvimento que eles têm com os governos de seus países.
A aliança Brasil-EuaOutra Globalização

12 comentários

  • agatha

    olha sou uma manina de12 anos que odeio politica mas entendo muito bem sobre o asunto e eu acho que o ”LULA” devia toma vergonha na cara e da um jeito de ajudar o Brasil e nâo de piorar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    ”TOMA VERGONHA LULA!!!!!!!!’

  • ian

    oi

  • ARMANDO

    Boa Tarde senhores. Lamento as críticas e manifestações contrárias a presença do presidente Bush no Brasil. Foram manifestações que não correspondem ao sentimento da maioria dos brasileiros.
    Nós sabemos que nós brasileiros conhecemos pouco da política americana e estamos fortemente influenciados pela midia esquerdista brasileira, que estão em campanha para eleger Obama, mas não sabemos exatamente qual o interesse.
    Para saber se o senador Obama é um bom candidato deveríamos acompanhar o noticiário das mídias americanas partidárias e das isentas.

    Bush liderou a nós e ao mundo em uma campanha pela democracia e contra o terrorismo, e por isso devíamos dedicá-lo muitos elogios e agradecimentos.
    Boa Tarde a todos os senhores.

  • Olá Armando,

    Temo que tenha que discordar do senhor. Durante todos os anos de administração Bush, conhecí muito poucas pessoas que o apoiassem ou sequer gostassem dele. Muito pelo contrário, quase todos os brasileiros que conhecí eram indiferentes, ou nutriam sentimentos negativos e tinham pouca estima pelo presidente Norte-Americano. Mas talvez isso se deva aos círculos onde andamos. Mas gostaria de frisar que eu ando por muitos círculos distintos, e observei esta tendência em todos eles. Mas até aí, é questão de observação pessoal.

    O mesmo vale para os Norte-Americanos que conheci. Menos da metade admitia já ter um dia admirado o atual presidente, e a grande maioria atualmente o despreza como o mais mal preparado e inconsequente de todos os presidentes dos Estados Unidos da América. Mais uma vez, estas são minhas observações pessoais.

    Por outro lado, quando o senhor fala sobre os noticiários Norte-Americanos, eu não consigo ver na prática aquilo que você sugere. Qiais são estas mídias isentas às quais você se refere? Ontem, até o New York Times apresentou seu apoio à candidatura de Barack Obama. Vários setores muito conservadores da sociedade norte-americana já declararam sua intenção de voto no candidato democrata — algo que nunca aconteceu em toda a história americana, segundo um amigo americano com o qual divido minha casa. Por fim, as pesquisas indicam uma “landslide victory” para Obama, e alguns analistas apontam que isso se deva às demonstrações de preparo dadas pelo mesmo durante a campanha, em contraste com o desastre de relações públicas representado por McCain e sua candidata a vice-presidência, Sarah Palin.

    Fica então as perguntas. De que brasileiros você está falando quando diz que a maioria da população brasileira gosta de Bush? De que jornais você está falando quando fala de mídias americanas partidárias e isentas? O senhor acredita mesmo na ladainha da “guerra contra o terror” promovida por George Bush? Eu conheço poucas pessoas que acreditem nisso.

    Abraços do Verde.

  • ARMANDO TADEU T. SOBRINO

    Boa Noite senhor Daniel/Verde. Obrigado pelo seu comentário educado. Realmente, defender a presidência e o governo Bush não é muito comum. Nenhum presidente pode acertar em tudo ou ter um governo sem críticas, mas penso que o governo Bush acertou mais do que errou.

    Considero o senhor mais conhecedor de ambientes americanos do que eu. Por exemplo: Os americanos que conheci; eu já há bastante tempo não tenho contato.

    É verdade que os americanos jovens e as mulheres feministas não são nada simpáticas aos pensamentos e ações de Bush. As mensagens do presidente contra o uso de camisinhas como controle eficiente da AIDS, contra o uso de células tronco embrionárias, sua opinião contra o casamento gay, entre outras, não estão de acordo com o pensamento das feministas e dos jovens contaminados pelos ideais esquerdistas.

    Muitas pessoas esqueceram a tragédia do WTC e o custo que tem sido manter os EUA e os demais países democráticos livres do terror nacional e do islâmico.

    Sobre os jornais, o The New York Times é um jornal que defende os ideais esquerdistas, apesar de ser capitalista. Isto não é uma contradição nos EUA.

    Só alguns poucos jornais, como o The New York Post e o Tampa Tribune, e as principais rádios estão apoiando a McCain/Palin.

    A governadora Sarah Palin não faz uma campanha à moda de Obama; ela tem opiniões a favor da família normal e isto é frontalmente diferente da de Obama.
    Desculpe-me por ocupar seu tempo. Obrigado por ter me contactado.
    Boa Noite a todos os senhores.

  • Boa Noite, senhor Armando.

    Que bom que podemos agora concordar que é raro, bastante raro, ver defensores do governo Bush em terras brasileiras — sejam eles norte-americanos ou sul-americanos. De fato a administração de Bush cometeu muitos erros. Tantos, que é considerada por alguns como a pior administração que os EUA já tiveram em anos. E esta não é a minha opinião. É a opinião de vários analistas e jornais norte-americanos, que talvez o senhor considere esquerdistas. De qualquer forma, acho muito difícil sustentar a afirmação de que o governo Bush mais acertou do que errou. Poderia falar mais sobre isso? Onde foi que ele acertou? De vários erros, quase todos nós já sabemos.

    Por outro lado, o que dizer do Tampa Tribune? É bem sabido que o jornal tem conexões com a família Bush na Flórida, o que torna apenas natural que ele elogie a administração de Bush Jr. E se lembrarmos bem, a Flórida não foi aquele estado onde ocorreu aquela vergonhosa fraude eleitoral em nome de George W. Bush, orquestrada por seu irmão Jeb e seus correligionários? Gente da maior qualidade moral.

    Não apenas os americanos jovens e mulheres feministas são contrários a Bush. Conhecí gente de vários setores da sociedade norte-americana que partilham com as idéias “esquerdistas” destes grupos que apontaste. Aliás, temo que me consideraria um bocado esquerdista também, pois além de jovem, sou também defensor ferrenho dos ideais feministas. Talvez, do lugar onde o senhor olha, quase tudo esteja “à esquerda”.

    A tragédia do WTC não precisa ser esquecida, assim como o desastre administrativo e baixa popularidade de Bush antes do atentado também não precisa ser lembrada, para que concluamos que a administração do atual presidente norte-americano foi desastrosa. Mesmo depois de tudo que aconteceu, e talvez justamente por tudo que aconteceu depois do atentato, Bush continua aferindo níveis de popularidade bastante baixos nos EUA. Tanto, que até mesmo McCain, o candidato republicano, tenta descolar sua imagem da do presidente Bush. Não é fácil. Eles se parecem um bocado.

    E o que o senhor quer dizer quando fala do “custo que tem sido manter os EUA e os demais países democráticos livres do terror nacional e do islâmico”? Acredita que a intervenção dos EUA realmente tornou o Oriente-Médio um lugar melhor? Acredita que o “terror islâmico”, ou, melhor dizendo, o “mundo islâmico” é o maior responsável pela situação de violência que grassa no mundo nos dias atuais? Talvez seja melhor olhar de novo. As manchetes estão repletas de notícias sobre atos dos EUA, da administração Bush, que seriam facilmente chamados de “terrorismo”, se tivessem sido perpetrados por outro que não “o guardião do bem no mundo”.

    É mais do que claro para mim que toda esta encenação realizada pelo presidente americano nada mais é do que uma tentativa de empoderar-se e mascarar a enorme incompetência de seu governo na administração interna (não vamos esquecer do desastre anunciado do Katrina, por favor!). Mais do que isso, a “guerra ao terror” tem sido a desculpa perfeita para que Bush e seus generais intervenham no Oriente Médio e em outros lugares do mundo, disfarçando interesses políticos e comerciais dos EUA sob a pele de cordeiro da “defesa do mundo contra o terror”. Terror, meu caro Armando, é o que o governo Bush trouxe para muitas regiões do planeta. Terror, e mentiras, pois criou culpados para esconder a própria ganância, e valeu-se de bodes expiatórios adequadamente eleitos pela mídia obediente para justificar todas as suas ações. Como eu disse, gente do mais elevado teor moral.

    Además, o New York Times é reconhecido em vários círculos como um jornal conservador, embora não exatamente de direita. Posto isso, foi um dos últimos a manifestar apoio a Obama, que demorou bastante tempo para ser compreendido e digerido pelo público médio dos EUA. Em parte, por conta das campanhas de difamação promovidas pelos mui éticos políticos da direita americana.

    E quais são estas principais rádios das quais você fala? Se forem tão principais quanto os jornais que o senhor citou, talvez devamos discutir o sentido que você dá à palavra “principais”. Neste atual momento, poucos grupos de comunicação dos EUA ainda sustentam qualquer apoio à candidatura de McCain/Palin.

    E já que o senhor comentou sobre Sarah Palin e sua família normal, acredito ser válido perguntar o que o senhor considera normal. O normal é obrigar sua filha adolescente que engravida a levar em frente a gestação, e ainda por cima transformá-la em parte de sua plataforma conservadora? Normal é casar-se com o namoradinho dos tempos de escola, arranjar empregos para ele, e montar todos os seus gabinetes com seus outros colegas de turma? Ou será que eles são normais simplesmente por serem brancos? Afirmar que a família de Sarah Palin é normal, enquanto a de Barack Obana não o é, me faz pensar seriamente sobre o que o senhor considera normal, e sobre o que o senhor considera “anormal” e “errado”.

    Desculpe meu tom, mas é o tom da perplexidade ante a sua argumentação. Alienar jovens e mulheres, cantar louvores para as guerras e mentiras de Bush, usar de falácias vagas para alegar um apoio que Bush não tem nos EUA nos dias atuais, e ainda dizer que a família de Obama é “anormal” em contraste com a de Sarah Palin? Estou realmente perplexo com suas posições, senhor Armando.

    Abraços do Verde.

  • ARMANDO TADEU T. SOBRINO

    Boa Noite Daniel/Verde. Não se preocupe com o seu tom, quando nós ficamos perplexos somos assim.

    A administração Bush precisou enfrentar diversos problemas internos e externos e fez o possível para vencê-los. A oposição democrata fazia críticas constantes ao seu governo e com o apoio da mídia esquerdista e dos grupos de pressão oposicionistas fizeram dos dois governos Bush uma batalha.

    Sobre a Flórida: Não houve fraude nas eleições. Isto foi constatado pela Suprema Corte. Quais seriam as conexões do irmão de Bush com o Tampa? Corrupção? Suborno? Vantagens ilegais?

    Sobre a família americana do Obama: Eu não me lembro de ter dito que a sua família fosse anormal. Pela imprensa se percebe que é normal. Mulher e filho.
    O que é estranho é o Obama desejar para os outros americanos uma família anormal, composta de dois homens e seus filhos, ou de duas mulheres e seus filhos. Preocupada com a mídia, a esposa de Obama está fazendo comícios e elogiando famílias normais e seus filhos (JB 29/10/08, A21).

    Ideias esquerdistas: Penso que você seja jovem e com pensamento esquerdista, mas não é tão preocupante assim. Quando você verificar o que as feministas dizem sobre a família, filhos, amizades e o mundo pode ser que você mude de idéia.

    Sobre a Sarah Palin: Ela fez o certo. Quando um de nossos filhos engravida ou é engravidado devemos incentivá-los a levar a gestação ao final. Não desejamos que os nossos netos morram assassinados. Eu, Armando, não tenho preconceito racial, e a famíla de Sarah Palin não é branca, e sim mestiça.

    A luta contra o terror: Esta luta é árdua e conforme o presidente Bush disse durará muito tempo, até nós vencermos o terrorismo islâmico. Infelizmente, Sadam e Bin Laden não eram bodes expiatórios, mas assassinos e terroristas.

    Algo sobre os EUA: EUA são nossos defensores e seus principais líderes nos defenderam do nazismo e do comunismo. Agora nos defendem do terrorismo.

    Sobre as Rádios: Eu não sou especialista em rádios americanas, mas a Fox News Radio dentre outras apóiam a campanha de McCain/Palin (site TSF).

    Sobre o Katrina: Foi uma terrível tragédia. As autoridades federais avisaram a população e seus governantes com antecedência, mas a população preferiu permanecer em suas casas e depois do furação passar não haviam sido preparados locais para permanência dos sobreviventes.

    Fico por aqui. Boa Noite a todos os senhores.

  • Caro senhor Armando Sobrino,

    Sinto informar que devo, a seus olhos, fazer parte da esquerda e dos “grupos de pressão oposicionistas”, pois considero que o governo Bush foi um atentado contra seu país e o mundo, e que o atual presidente Norte-Americano que agora deixa o governo é um criminoso que devia ser punido por seus crimes administrativos e militares.

    Não há provas de que não houve fraude na Flórida. Pelo contrário, há várias provas destas fraudes, que Bush nunca se preocupou em refutar.

    Sobre as famílias normais e anormais, considero desrespeitoso que o senhor encare como anormais as famílias homossexuais, ou qualquer outra expressão da diversidade humana. Sou favorável ao reconhecimento das uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo, da mesma forma que sou completamente favorável à adoção de crianças por estes casais. Por outro lado, considero um absurdo aquilo que acontece por debaixo do verniz de tantas famílias que o senhor consideraria normais em todo o mundo — a violência sexual contra a mulher e os filhos, a violência doméstica, a agressão psicológica, as infidelidades, as mentiras… todas estas coisas que são muito normais no mundo “normal” que o senhor pretende defender enquanto ataca os homossexuais e aqueles que se dão a liberdade de viver aquilo que são. Este é um dos motivos pelos quais admiro Obama, e discordo frontalmente do senhor.

    Sobre idéias esquerdistas, se o senhor ainda não notou meus posicionamentos, vou expressá-los com clareza: Sou jovem, defensor ferrenho das causas feministas e GLBTT, defensor do direito ao aborto e da adoção de crianças por qualquer um que possa criá-las, e ferrenho defensor do nacionalismo latino-americano e das causas indígenas, negras e nativas. Não me escondo. Agora, poderia o senhor me explicar o que há de errado com os posicionamentos feministas sobre “família, filhos, amizades e o mundo”? Mostre seu preconceito.

    Sobre Sarah Palin: ela fez o errado. Não apenas decidiu sobre a vida e o corpo de sua filha — sinto muito, meu senhor, mas filhos não pertencem aos pais — como também usou sua decisão e a situação de sua filha como parte de sua plataforma política. Sarah Palin foi antiética, como são antiéticos muitos de seus correligionários de partido. Deve ser coisa da “direita”.

    Sobre o terror: Tenho minhas dúvidas sobre quem está lutando contra o terror. A meu ver os dois lados praticam terrorismo. Um dos lados é um governo, o que torna tudo ainda mais grave. O senhor não deveria acreditar no maniqueísmo simplista que te vende a mídia internacional. Fossem eles honestos, relatariam os fatos sem tentar te dizer como você deveria pensar.

    Sobre os EUA: Aquele país nos defendeu tanto do “comunismo” e do “nazismo” quanto a URSS defendeu do “capitalismo” os países de sua esfera de influência. Nenhum dos dois estava preocupado com o bem estar de seus protegidos. Tratava-se de uma questão de macro-política mundial. E, se quer saber, o capitalismo não nos tornou mais felizes do que as pessoas nos países que foram “defendidos dele” pela metrópole russa. O mundo não deveria se curvar a estes blocos de dominação.

    Sobre as Rádios: A Fox é sabidamente uma rede de comunicação de inclinações conservadoras, bem alinhada aos interesses Republicanos.

    Sobre o Katrina: Curiosamente, o governo federal também não parecia estar preparado para responder à “terrível tragédia”.

    Boa noite, senhor Armando.

    Abraços do Verde.

  • ARMANDO TADEU T. SOBRINO

    Boa Noite senhor Daniel/Verde. Obrigado pelo seu e-mail.
    Pelo que está escrito o senhor é um esquerdista mesmo, mas algumas vezes com o tempo esta visão de mundo vai acalmando-se…

    Não se sinta ofendido, por favor, conheço pessoas que com o tempo mudaram.

    O Katrina foi uma catástrofe terrível, muitas pessoas morreram e perderam suas casas. Isto mostrou algumas características do povo americano: A maioria das pessoas preferiu não sair de casa, porque tinham experiência em furacões. Os governos democratas estadual e municipal não se prepararam muito e a tragédia aconteceu.

    Isto foi explorado pela mídia esquerdista americana e global e causou muito problema para a administração Bush.

    A Radio Fox é a favor dos republicanos e tem nos ajudado muito, porque alguém precisa contrabalançar o pensamento esquerdista.

    Os EUA nos defenderam do nazismo e do comunismo, sim. O senhor deve ter notado que os países capitalistas e seus aliados desenvolveram-se em direção a democracia e a riqueza material.

    A luta contra o terrorismo mundial só poderia ser feita dessa forma. Liderados pelos EUA conseguimos diminuir o número de atentados terroristas e prendemos vários criminosos assassinos.

    Desculpe-me a opinião contrária, mas a Sarah Palin fez o certo. A filha dela não pretendia abortar a criança e ela como mãe deve ter aconselhado a filha a não matar a sua criança. O senhor se lembra que quem publicou e espalhou a notícia da gravidez da filha da Sarah Palin foi a imprensa esquerdista, e para desmoralizá-la, mas não conseguiu.

    Eu não disse que o senhor encondia-se de dar seu posicionamento. Defender a causa de gays e feministas é esquerdismo. Sobre o aborto: Isto é um crime contra a vida das crianças que estão por nascer.

    O ” nacionalismo latino-americano ” não é uma ideologia muito clara. Nosso continente é multi-étnico e atrás dessa tipo de ideologia existe muito preconceito.

    As causas feministas e gays estão erradas. Eles querem um mundo de relacionamentos anti-naturais e as crianças não podem ser adotadas por esse tipo de pessoas para a própria segurança dos menores.

    Eu não tenho preconceito contra gays e lésbicas, mas o ideal deles não tem nada a ver com os meus. Eles querem uma família anti-natural, baseados em comportamentos anti-naturais e isto não é bom, e sim mau.

    Não é desrespeitoso considerar famílias de dois homens como anormais. As famílias que conhecemos, desde muito tempo, são compostas de um homem e uma mulher e essas novas famílias são completamente diferentes daquelas que conhecemos de acordo com os nossos costumes e com os nossos valores.

    Não houve fraude na elição Florida. A legislação eleitoral americana é que é muito confusa.

    Fico por aqui. Boa Noite a todos os senhores.

  • Caro Armando, se você não considera desrespeitoso chamar de anormais as pessoas que são diferentes de você, o que é então para você o desrespeito? Se você só enxerga aquilo que quer ver, ou o que é conveniente para a sua posição aceitar, de que adianta continuar a discutir? Você acredita no que preferir acreditar. A fé de um homem é a piada de outro.

    Abraços do Verde.

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