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Grafite e Arte Urbana: Vozes das Ruas Latino Americanas I

Nota do Editor: Este é primeiro artigo de uma série de 3 sobre grafite e outas artes urbanas de diferentes países Latino Americanos.

Apesar de sua moderna encarnação ter sua origem nos Estados Unidos há três décadas [en], a arte do grafite pode ser encontrada em áreas urbanas de praticamente qualquer país. Até agora, os desenhos e mensagens feitos com spray em muros, murais e outros espaços foram amplamente cobertos pela mídia cidadã e pela tradicional. Vem surgindo aos poucos um lento reconhecimento como uma arte controversa, junto com o aumento de outras expressões urbanas como estampas, posteres, adesivos e técnicas mistas.

Em espaços públicos, a arte de rua (ou arte urbana) representa a voz da comunidade, dos grupos marginais, e jovens lutam para serem ouvidos, mesmo desafiando a noção de propriedade privada. A América Latina não é uma exceção nesse caso. Parte da arte de rua da América Latina [en] é distinta do que é criado pelo movimento do Hip Hop, que foca em mensagens políticas e histórias de luta que falam diretamente com o espectador.

Pelas lentes dos blogueiros, usuários do Flickr, contribuições no YouTube, oferecemos um tour online da arte das ruas que comunica segredos e paixões por todo canto.

Perú

It reads Failure. Photo by The/Waz. Used following a Creative Commons license. Taken from http://www.flickr.com/photos/thewaz/2696394170/in/set-72157605789705430/

Foto de The/Waz, sob licença Creative Commons. http://www.flickr.com/photos/thewaz/2696394170/in/set-72157605789705430/

Internautas preservam arte porque murais fotografados podem ser lavados ou desgastados com o tempo. Eles podem também oferecer informações sobre o nome do artista ou pseudônimo, a localização, descrição, e colocar a arte num contexto. Em um grupo sobre o Grafite do Peru no Flickr, existe uma discussão sobre a curta carreira dos artistas, o usuário DeCe-RTOR apontou sobre algumas responsabilidades sociais [es] a arte de rua no Perú:

el arte en peru necesita una reforma, pues a tenido siempre rupturas como terrorismo, corrupcion, mal sistema educativo y sobretodo pobreza,, asi con todos esos problemas es q no se avanza en ningun sentido, asi no se desarrolla ni cagando este pais, y el arte va tan de la mano con el desarrollo q si no se cultiva este pues no se puede esperar mucho, quienes tienen claro q es el graffiti y lo hacen espero q tengan conciencia del poder q es estar en la calle, por lo tanto hay q tomarlo con responsabilidad y aveces para hacer lo mejor es necesario hacer sacrificios, aveces dejando de pintar egocentricamente lo que uno desea, lo q uno solo puede entender.. y dedicar esas fuerzas y ganas en representar lo que la comunidad quiere ver, y necesita saber… siempre buscando la manera de que ademas q guste a todos, guste a uno,, ahi esta la chamba…

A arte de rua no Perú precisa de reforma, porque sempre foi dilacerada pelo terrorismo, corrupção, um sistema educacional ruim e sobretudo pobreza. Com todas essas questões, é difícil avançar em qualquer direção. Isso não é caminho para este país se desenvolver, e a arte passa pelo caminho do desenvolvimento. Se não for cultivado, não pode haver qualquer expectativa. Quem sabe bem o que é o grafite, suas práticas, eu espero que tenha consciência do poder de estar nas ruas. Ele deve ser lidado com responsabilidade, e muitas vezes uma pessoa pode se sacrificar para fazer o que é melhor. Isto significa não pintar só o que quer de forma egocêntrica, mas o que alguém possa entender. É preciso garra a força para representar o que comunidade precisa saber. Encontrar uma forma de fazer todo mundo gostar do que você gosta é a parte mais difícil.
Photo by Luis Fonseca. Used with permission. Taken from http://cazadordegraffitis.blogspot.com/2008/11/sentimientos-ocultos.html

Foto por Luis Fonseca, sob autorização, extraído de: http://cazadordegraffitis.blogspot.com/2008/11/sentimientos-ocultos.html

Em um nível mais pessoal, o blogueiro Luis Fonseca caminha pelas ruas de Lima tirando fotos de arte urbana, compartilhando em seu blog Cazador de graffitis [es] [Caçador de Grafites] com músicas, poesias, e reflexões sobre trabalhos como o abaixo [es]:

Iba en el bus un poco mal por cosas de la vida y pensaba que nadie la podía estar pasando peor que yo. Levante la mirada y vi esta imagen en un muro [es], rapidamente pense que mi problema no era nada a comparación de otras personas que viven más tiempo sumergidos en problemas que en paz.

Eu estava no ônibus e não me sentia bem, porque pensava que ninguém poderia ter uma vida mais difícil que a minha. Eu olhei para cima e vi essa imagem no muro [es]. Rapidamente eu passei a pensar que meus problemas não eram nada comparado com outros que perdem mais tempo afogados em problemas do que vivendo em paz.

Algumas vezes, a comunicação é ainda mais direta: grafiteiros como Faber aproveitam o anonimato da mídia eletrônica para promover seus trabalhos, e expor seu portfólio sem risco de serem indiciados. Com algumas pequenos comentários (“busca la sencillez de las cosas” / “procurando a simplicidade das coisas “), Faber compartilha no FlickrFotolog [es] seus coloridos retratos de personagens tristes, alguns em pobreza, sem revelar muito dele mesmo exceto sua incrível habilidade para criar:

Trabalhos relacionados podem ser encontrados no Flickr nos grupos Peruvian graffiti [Grafite Peruviano] e Peruvian street art [ Arte de Rua Peruviana].

Colômbia

It reads If the press makes silence, then walls should speak. Photo by Juan Arellano. Used with permission. Taken from http://es.zooomr.com/photos/cyberjuan/8272064/

Está escrito: "Se a Imprensa silencia, os muros falam". Foto por Juan Arellano, sob autorização, extraída de: http://es.zooomr.com/photos/cyberjuan/8272064/

O grafite comum é conhecido como “código”: só pessoas do bairro conseguem entender seus traços e caligrafia, o “estilo selvagem”, ou os códigos numéricos usados para representar nomes e lugares. Entretanto, junto dessas mensagens obscuras, também podem ser encontradas mensagens explícitas nas ruas, usando letras claras e espaçadas, apostando em protestos. No blog Globalizado [es], o blogueiro peruano Juan Arellano compartilha fotos de grafite que encontrou em Pasto, Colômbia, e ele admite que a maior parte do tempo não os compreende:

En realidad no soy tan aficionado a los graffitis, la mayor parte de veces ni siquiera entiendo que dicen dada la complicada grafía que utilizan muchos de los graffiteros, pero cuando el mensaje va claro y directo obviamente que si.

Na verdade não sou tão aficionado por grafites,  a maior parte do tempo eu nem os compreendo por causa dos traços complexos que a maioria dos artistas usa, mas quando a mensagem é clara e direta, eu passo a entender.

A extensiva galeria de grafites explícitos pode ser encontrada no El Blog Canalla [es], onde El Reticente [es]Alejandro [es] colecionam arte das ruas de Medelim com orientação política. Apesar de raramente comentarem em suas coleções, seu slogan passa uma mensagem de protesto:

Si los medios son del Estado, las paredes son Nuestras

Se a mídia pertence ao Estado, os muros são nossos

Esta foto foi tirada nas ruas de Bogotá, e diz “Huya, lucha, y vuelve a nacer” (“Fuja, lute e nasça novamente”):

It reads Run away, fight and be born again. Photo by El blog Canalla. Used with permission. Taken from http://elblogcanalla.tumblr.com/post/290759594/huye-lucha-y-vuelve-a-nacer-bogota-colombia

Foto por El blog Canalla, sob autorização, extraída de: http://elblogcanalla.tumblr.com/post/290759594/huye-lucha-y-vuelve-a-nacer-bogota-colombia

OS grupos do Flickr para arte urbana das cidades de  CaliBogotá compartilham fotos de aproximadamente 300 membros.

Guatemala

Photo by Oscar Mota. Used following a Creative Commons license. Taken from http://www.flickr.com/photos/oscarmota/1132340373/in/set-72157601472161317/

Foto por Oscar Mota. Usada sob licença Creative Commons, extraída de: http://www.flickr.com/photos/oscarmota/1132340373/in/set-72157601472161317/

“Escritores” é como os grafiteiros se auto-intitulam por usarem uma assinatura rápida (chamada tags) e letras “Gordas” (conhecidas como “bombadas”). No caso de Ricardo (aka NEARsyx [es]), ele é um grafiteiro escritor, e bloga também no Hemisferio Urbano [es] onde compartilha eventos, perfil de outros artistas de grafite, reúne a cobertura que a mídia dá ao movimento, e também compartilha os pensamentos das equipes de grafite e da comunidade.

Em 2007, ele documentou a situação do grafite na Guatemala [es] e criticou a forma como a cobertura pela televisão não diferenciou o grafite (artístico) da pichação (vandalismo), comumente associados:

Lastimosamente aquí, y creo que en muchos otros lugares, el graffiti aun se asocia bastante a las pandillas, un claro ejemplo de esto es un pequeño documental que recientemente realizo Noti7, un noticiero local, donde la edición de este fue parte crucial para dejar a todo mundo bastante confundido y con la misma imagen de que el graffiti es de pandilleros.

En el documental aparecen algunos de los que si realmente forman parte del movimiento artístico, lo malo es que las imágenes de piezas y entrevistas con ellos fueron mezcladas con imágenes del graffiti pandillero, algo que nos dejo con una mal sabor de boca a todos los que formamos parte de la verdadera comunidad del graff.

É triste, e creio que não só aqui, o grafite é comumente associado com gangues. Um claro exemplo disso foi o documentário feito por Noti7, noticiário local, em que o vídeo foi editado de uma forma que deixou o espectador confuso e com a mesma ideia de que grafite é feito por vândalos.

No documentário, alguns parecem realmente ser do movimento artístico, o ruim é que as imagens dos pedaços (de grafite) e as entrevistas que fizeram foram misturadas com pichações, algo que deixou com um gosto amargo na boca aqueles que fazem parte da verdadeira comunidade do grafite.

Todavia, ambos, o grafite “artístico” e “não-artístico” (pichação) dividem muros e grandes murais em algumas ruas da cidade da Guatemala como mostra o vídeo do usuário Artesinley:

Mais imagens de arte urbana da Guatemala podem ser encontradas no Flickr no grupo Graffiti Guatemalteco e na conta Hemisferio urbano's.

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