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Cartunista político Badiucao cancelou repentinamente exposição em Hong Kong — e depois se calou

“Gongle”, de Badiucao, é um jogo de palavras que comenta a ação do Google para entrar novamente na China com um site de buscas censurado. Usado sob permissão.

O cartunista político Badiucao foi obrigado a cancelar sua primeira exposição individual em Hong Kong após sofrer ameaças do governo central chinês.

A abertura da mostra estava programada para o dia 3 de novembro, como atração principal da Semana de Liberdade de Expressão de Hong Kong. Em 2 de novembro, a organização anunciou o cancelamento.

We are sorry to announce that the exhibition “Gongle,” by Chinese artist Badiucao, has been cancelled due to safety concerns.

The decision follows threats made by the Chinese authorities relating to the artist. Whilst the organisers value freedom of expression, the safety of our partners remains a major concern.

Lamentamos informar que a exposição “Gongle”, do artista chinês Badiucao, foi cancelada por questões de segurança.

A decisão foi motivada por ameaças feitas pelas autoridades chinesas ao artista. Embora os organizadores valorizem a liberdade de expressão, a segurança de nossos parceiros permanece uma questão fundamental.

Badiucao ficou conhecido no Twitter pelos seus cartuns políticos que questionam a censura e o regime ditatorial na China. O trabalho do artista sino-australiano já foi publicado em veículos como o The New York Times e The Guardian.

Para muitos, o evento testou os limites da liberdade de expressão em Hong Kong, considerada muito mais livre do que na China continental, sob um princípio conhecido como “Um País, Dois Sistemas”. Nos últimos anos, Pequim tem afirmado sua influência em Hong Kong de forma mais rigorosa. Militantes da causa dos direitos democráticos, como o sufrágio universal genuíno, ou independência total, têm enfrentado forte repressão.

A organização da mostra não especificou o conteúdo das ameaças feitas ao artista. Normalmente ativo on-line, Badiucao não atualiza seu perfil no Twitter desde 1.º de novembro.

Badiucao não pretendia viajar para Hong Kong, mas participaria por videoconferência de um debate com o ativista pró-democracia de Hong Kong, Joshua Wong, os artistas locais Sampson Wong e Oscar Ho, e as ativistas russas Olga Kuracheva e Veronika Nikulshina, ambas da banda de punk rock Pussy Riot.

Embora a exposição tenha sido cancelada, os panelistas decidiram ir em frente e realizaram um debate sobre arte e liberdade de expressão em um pequeno estúdio. O evento foi transmitido ao vivo pelo Facebook.

Cedric Alviani, Olga Kuracheva, Veronika Nikulshina e Joshua Wong. Imagem da Hong Kong Free Press. Usada sob permissão.

O jornal chinês sem fins lucrativos Stand News cobriu o debate no qual Sampson Wong mostrou-se preocupado com a segurança de Badiucao. Ele explicou que desde o dia 2 de novembro tenta entrar em contato com o artista, que segue incomunicável. Para Wong, a exposição testou os limites da liberdade de expressão em Hong Kong. Ele se disse desapontado com o fato de mais pessoas não terem se pronunciado contra as ameaças de Pequim.

Oscar Ho, um intelectual e crítico de arte local, se disse chocado com a notícia do cancelamento. Ele observou que as práticas de censura de Pequim em Hong Kong são nebulosas. A expectativa geral é que os cidadãos de Hong Kong “conheçam” os limites, mas existem poucas indicações claras sobre o que é ou não permitido. Ho afirmou que gostaria que as pessoas fossem mais criativas no combate à censura.

Joshua Wong disse que gostaria de ver mais interações com a sociedade civil internacional, na esperança de que redes internacionais pudessem ajudar grupos locais na defesa da democracia e da liberdade.

Olga Kuracheva, do grupo Pussy Riot, reforçou a importância do apoio e da solidariedade do público a pessoas como Badiucao:

We are very sorry to know that things are getting worse here. I think it is very important to be here now just to express our solidarity… I would advise people not to be afraid, because one voice is not so much…but voices of solidarity should sound loud. (Quote from Hong Kong Free Press’ report)

Lamentamos muito que as coisas estejam mais difíceis aqui. Acredito que é muito importante estar aqui hoje, para expressar nossa solidariedade… Meu conselho é que as pessoas não tenham medo, porque uma voz sozinha é pouco… Mas vozes solidárias podem fazer barulho. (Citação da reportagem da Hong Kong Free Press)

Kuracheva e Nikulshina estão entre os quatro integrantes do Pussy Riot que cumpriram uma sentença de 15 dias de detenção após protestos contra o presidente russo Vladimir Putin durante a final da Copa do Mundo em Moscou, em julho de 2018. Elas afirmam que ameaças a exposições e eventos artísticos políticos são “prática comum” na Rússia.

Cedric Alviani do Repórteres Sem Fronteiras observou que a posição de Hong Kong no ranking de liberdade de expressão do RSF caiu de 18 em 2002 para 70 em 2018. Ele acredita que a melhor forma de apoiar artistas ameaçados é divulgar seus trabalhos nos espaços onde isso é possível.

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