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Jovem é assassinada por motorista do Cabify no México

Mara Fernanda Castilla, imagem amplamente divulgada nas redes sociais.

O caso da jovem Mara Fernanda Castilla, que teve a vida roubada ao se aproximar de um táxi que contratou através do aplicativo Cabify, causou indignação no México e ao sul de suas fronteiras.

Entre a noite do dia 7 e a madrugada do dia 8 de setembro de 2017, Mara Castilla se divertia com seus amigos em uma boate noturna localizada em San Andrés Cholula (no estado de Puebla, no oriente do país). Depois de socializar, Mara chamou um táxi por meio do aplicativo Cabify para voltar para casa… mas nunca chegou ao seu destino.

Dias depois de seus familiares registrarem na polícia o desaparecimento, foi confirmado que o corpo sem vida de Mara foi encontrado em uma estrada de Puebla, enrolado em um lençol e toalhas com o logotipo de um motel da área. Pouco antes do corpo ter sido encontrado, o motorista do táxi que Mara pegou já havia sido preso pelas autoridades locais.

O governador de Puebla falou sobre o caso no Twitter, em alguns tuítes:

É com muita dor que dou os meus pêsames à familia de #MaraCastilla. Que descanse em paz. O acusado responsável está detido e pagará pelo crime.

Os responsáveis pelo crime contra #MaraCastilla sentirão o peso da lei. As normas de segurança do @Cabify_Mexico serão revisadas minuciosamente.

Em agosto, noticiamos que os serviços do Uber e Cabify no México foram alvo de muitas queixas dos usuários, devido à má qualidade do serviço e as infrações cometidas contra os passageiros.

Depois que o corpo de Mara foi encontrado − com sinais de violência sexual, segundo algumas fontes − no México, voltou-se a exigir que sejam tomadas providências em relação à violência de gênero contra as mulheres. Em maio de 2017, quando a hashtag #SiMeMatan (#SeMeMatam) – cuja intenção era satirizar a vitimização secundária que se dá nesses casos – se tornou viral, a própria Mara tuitou:

#SeMeMatam é porque eu gostava de sair à noite e tomar muita cerveja…

Essa mesma hashtag foi novamente usada nas redes sociais para relembrar o caso de Mara e muitos outros atos de violência contra a mulher, em que se culpa a vítima:

#SeMeMatam será considerado “crime passional” de violência contra a mulher, vão dizer que eu provocava, fugi com o meu namorado, sou “puta”, drogada..

Por trás de toda mulher tuitando #SeMeMatam, há uma mulher indignada, esperando que #NemUmaAMais seja assassinada.

Imagem 1: Queremos viver!
Domingo 17 de setembro, às 12h. Passeata de Zócalo à Procuradoria Geral da República.

Imagem 2: #NemUmaAMenos

#SeMeMatam com certeza vai ser por ter ido a um show ou ao teatro à noite, com certeza vai ser minha culpa por aproveitar a vida.

Em março de 2016, demos início a uma série de trabalhos sobre a violência de gênero no México e a “solução” que o governo encontrou para o problema: aumentar a burocracia. Em maio do mesmo ano, entrevistamos una advogada especialista no assunto, que nos disse que as mulheres do país se acostumaram “a viver sempre com medo”.

Onze entidades federais no território mexicano foram cenário de marchas de protesto contra a violência de gênero e a falta de capacidade das autoridades de preveni-la e puni-la.

Indignação que transcende fronteiras

O caso de Mara Castilla também foi divulgado no Peru, onde a mídia fez cobertura do caso durante vários dias e se manteve a par do progresso das investigações, até o dia em que foi encontrado o corpo.

O grupo Ni una menos Perú: Tocan a una, tocan a todas (Nem uma a menos Peru: mexeu com uma, mexeu com todas) transmitiu na página do Facebook a passeata #NiUnaMás (#NemUmaAMais).

Imagem da tela de exibição da página do Facebook do grupo Ni una menos – Perú.
À esquerda – Nem uma a menos Peru: mexeu com uma, mexeu com todas.
À direita: #AoVivo desde a cidade do México, a passeata #NemUmaAMais, contra o assassinato de Mara Castilla e a violência machista que impera no país. #NemUmaAMenos #QueremosViver

A notícia apareceu em jornais da Colombia, Argentina, Brasil e do Chile. As Nações Unidas também se pronunciaram, através da ONU Mujeres México:

.@ONUMujeres y @ONUDHmexico condenamos a violência à mulher contra #MaraCastilla.
Mais informações: https://t.co/GMRMEHtGBU pic.twitter.com/4kr9ea3ZiS

Imagem:
Em 2016, 7,3 mulheres foram assassinadas por dia no México.
#NiUnaAMenos (nem uma a menos).
Fonte: ONU Mujeres e ONU-DH
condenam a violência à mulher contra Mara Castilla.

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