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Indianos e paquistaneses esperam que seus países sejam amigos

Tweet by Vivek Krishna Tiwari (@vivek6749), law student- "The need of the hour is peace, but unfortunately there ar elements trying to deviate us frm this path #aaghazedosti"

Tweet de Vivek Krishna Tiwari (@vivek6749), estudante de Direito: “A necessidade do momento é a paz, mas infelizmente existe elementos que tentam nos desviar do caminho #aaghazedosti”

[Todos os links conduzem a sites em inglês, exceto quando indicado o contrário]

Índia e Paquistão nunca tiveram um convívio fácil nas seis décadas em que vivem lado a lado no sul da Ásia. Os conflitos políticos e a manipulação da mídia fizeram com que semelhanças entre os dois países ficassem escondidas e encorajaram as pessoas a verem seus vizinhos do outro lado da fronteira como inimigos.

Porém, muitos grupos e pessoas têm se empenhado para promover conhecimento e amizade que levem à uma paz duradoura, como o  calendário da paz indo-paquistanês, que contém desenhos dos estudantes dos dois países. A quarta edição foi lançada noCentro Cultural Islâmico em Nova Deli, capital da Índia, no início deste ano.

O evento foi organizado por Aaghaz-e-Dosti (O começo da amizade), uma organização que trabalha para melhorar as relações entre a Índia e o Paquistão. O grupo funciona com uma equipe principal de mais de doze membros dos dois países.

O calendário pela paz lançado hoje às 4 – quem vai?

A história de uma relação delicada

Índia e Paquistão foram um só. Mas em 1947, o Reino Unido dividiu o território em Domínio do Paquistão (depois República Islâmica do Paquistão e República Popular do Bangladesh) e União da Índia (depois República da Índia) em face às tensões entre hindus e muçulmanos no subcontinente. Pessoas de ambos os lados da fronteira foram obrigadas a migrar e as divisões causaram motins e violência.

A paz que esperavam vir desta divisão do subcontinente indiano continuou incógnita, no entanto. De tempos em tempos, os países vizinhos entravam em conflito. Além disso, uma disputa na fronteira envolvendo a Caxemira e os atentados dos grupos militares só serviram para piorar a suspeita mútua e a intensa desconfiança.

Ativistas pela paz dos dois lados da fronteira viveram um ciclo de otimismo renovado, mas só para ver algum novo desinteresse diplomático ou conflito armado destruírem suas esperanças. No fim de 2015, quando o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, fez uma parada repentina em Lahore, no Paquistão, na viagem do Afeganistão até a Índia, para se reunir com o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, gerou um fio de esperança para os ativistas pela paz. Dado que havia pouco mais de uma decáda desde que o umm primeiro-ministro indianos visitara o Paquistão, a visita de Modi trouxe muito otimismo para o futuro da construção da paz entre os países.

Mas como tantas vezes antes, o caminho para a paz encontrou um obstáculo. Em 2 de janeiro, um grupo de homens fortemente armados atacou a base da força aérea indiana em Pathankot. A base dos militantes na Caxemira afirmou ser responsável pela violência, mas isso não deixou que alguns suspeitassem o pior da vizinhança paquistanesa. O ministro-chefe indiano de Punjab, Parkash Singh Badal, juntamente com o vice, Sukhbir Singh Badal, emitiram uma declaração afirmando que o ataque era uma tentativa do Paquistão desestabilizar Punjab, ameaçando a unidade e a integridade da Índia, apesar de o próprio Paquistão ter condenado o ataque.

‘Vença esses obstáculos e vamos nos encontrar com amor’

Nos tempos atuais, o Twitter testemunhou um encorajador fluxo de bondade na hashtag #AaghazeDosti, o mesmo da organização que coordenou o lançamento do calendário pela paz.

Os usuários enviaram mensagens enfatizando a necessidade da paz entre a Índia e o Paquistão contra vários conflitos tradicionais.

todos nós vamos largar as armas e compartilhar o amor!

O ódio entre Paquistão e Índia expandiu o escopo de guerra por procuração e a economia da guerra às custas das pessoas.

Vença esses obstáculos e vamos nos encontrar com amor.

Índia e Paquistão são nações irmãs. Temos tanto em comum. A união Índia-Paquistão será o melhor para todos :)

Desde quando a guerra foi uma solução? depois da guerra, há o diálogo porque não o temos antes, a única forma?

Até quando nossas gerações viverão no deserto & no ódio. Somos zombados por nós mesmos aos olhos do mundo, se continuarmos isso.

Se os políticos não podem trazer a paz para a região, o povo pode.

Índia e Paquistão distribuem o máximo de dinheiro ao orçamento para defesa. Ambos com o pior o índice desenvolvimento humano.

Troque ódio por amor, violência por silêncio!!

Às vezes, os vínculos humano forjam a paz, como Namra Nasir, coordenadora do Lahore Chapter do Aaghaz-e-Dosti, explicou enquanto contava a experiência da visita à Índia:

This memorable excursion broke many stereotypes and brought me to a verge of thinking that if compared with the rest of the world, we are very recognizably similar, equally welcoming and extremely loving. […] Vividly, ‪‎peace‬ and ‪‎humanity‬ is the priority on both sides of the border. I earned so much love in India that I forgot that I wasn’t in Pakistan.

Essa excursão memorável quebrou diversos estereótipos e me levou à reflexão que se comparássemos com o restante do mundo, somos reconhecidamente muito similares, igualmente acolhedores e extremamente carinhosos. […] Com clareza, a paz e a humanidade são a prioridade de ambos da fronteira. Ganhei tanto amor na Índia que esqueci que não estava no Paquistão.

A prolongada instabilidade política entre os dois países tem um custo para ambos, afeta seus recursos de maneira significativa. Os cidadãos não viraram as costas ao expressarem seus desejos de paz, não só como um assunto político urgente, como pelo interesse de séculos de amizade — nascidos da convivência — antes da hostilidade imposta. Os líderes escutarão?