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Artistas de hip-hop colombianos, vítimas da onda de violência de Medellín

[Todos os links levam a sites em inglês, exceto quando informado]

Dois artistas de hip-hop foram mortos nas últimas duas semanas em Medellín [pt], no distrito Comuna 13, conhecido por seus altos índices de insegurança. O assassinato de Elíder Varela, conhecido como “El Duke”, no dia 30 de outubro de 2012, e de Roberth Steven Barra, o “Garra”, no dia 9 de novembro, alarmaram os habitantes e organizações de Medellín e do Comuna 13.

Adriaan Alsema do Colombia Reports traduziu uma carta entregue a ele por moradores e organizações do Comuna 13 após o assassinato de “El Duke”. Ele relata:

While the local police extort and intimidate the inhabitants of the western Comuna 13 and actively worsen the citizens’ sense of security.

And while local media are too in bed with local politicians to show the inconvenient side of the story, I beg you to pay attention to what the community has to say.

Enquanto a polícia local extorce e intimida os habitantes da área oeste do Comuna 13 e, ativamente, reduz a sensação de segurança dos cidadãos.

E enquanto a mídia local está apaixonada demais pelos políticos locais para mostrar o lado inconveniente da história, eu peço que vocês prestem atenção ao que a comunidade tem a dizer.

A carta descreve o estado atual do Comuna 13:

The Comuna 13 undergoes a really serious situation; the presence of armed groups, the practices of territorial control, forced recruitment, and the assassinations and forced displacement are situations that day after day become more visible in the majority of the neighborhoods in the Comuna and show the serious situation of violence the Comuna 13 has sunk into, contrary to what the municipal and national authorities want to show on different international stages. It shows that the Comuna 13 in Medellin, being the most militarized urban territory in the country, still has not been able to live one day in peace.

O Comuna 13 passa por uma situação realmente séria; a presença de grupos armados, as práticas de controle territorial, recrutamento forçado, e os assassinatos e despejos forçados são situações que a cada dia se tornam mais visíveis na maioria dos bairros da região e mostram a séria situação de violência em que o Comuna 13 está mergulhado, ao contrário do que as autoridades municipais e nacionais querem mostrar em diferentes cenários internacionais. Isso mostra que o Comuna 13 em Medellin, sendo o território urbano mais militarizado do país, ainda não tem sido capaz de viver um dia de paz.

Comuna 13

Comuna 13, Medellín. Foto do Flickr, por MattyRawrs (CC BY-NC-ND 2.0)

Além disso, no dia 7 de novembro, o Colombia Reports publicou uma tradução de uma “declaração de segurança da juventude e das organizações culturais do Comuna 13 de Medellín”. Os autores da declaração, um grupo de 60 membros de organizações culturais do Comuna 13, destacam que eles deixaram a área “temporariamente e voluntariamente” depois de receberem uma ameaça de uma milícia, após a morte de “El Duke”. A declaração ainda diz:

[…] despite the fact that the Comuna 13 is the most militarized urban district in the country, several battles, assassinations, threats and arbitrary detentions have taken place in several neighborhoods and sectors of the comuna, which demonstrates the lack of capacity of the security forces to guarantee security conditions for the citizens and the lack of conditions that allow for the return of young leaders who have been victim of the threat.

[…] apesar do fato de o Comuna 13 ser o distrito urbano mais militarizado do país, muitas batalhas, assassinatos, ameaças e detenções arbitrárias têm assolado vários bairros e setores da região, o que demonstra a falta de capacidade das forças de segurança em garantir condições seguras aos cidadãos e a falta de condições de permitir o retorno de jovens líderes que têm sido vítimas de ameaça.

Artistas de hip-hop como “El Duke” frequentemente denunciam a violência e a militarização em suas músicas.

“El Duke” era também membro ativo de sua comunidade, trabalhando com crianças e jovens do Comuna 13, como noticia o site Otramérica [es]:

El conocido hi hopper de la Comuna 13, gestor del Festival Revolución Sin Muertos, es el séptimo cantante de este género asesinado en Medellín desde 2010. El músico era hijo de un conductor de autobús de la Comuna 13, donde creció y donde se destacó como un reconocido gestor de la paz y creador de la escuela de hip hop La Kamada, donde a través de la música alejaban a niños y jóvenes del entorno violento.

O conhecido artista de hip-hop do Comuna 13, responsável pelo festival “Revolução sem mortes”, é o sétimo cantor deste gênero musical morto em Medellín desde 2010. O músico era filho de um motorista de ônibus do Comuna 13, onde ele cresceu e onde se estabeleceu como um reconhecido promotor da paz e criador da escola de hip-hop La Kamada, onde, através da música, ele mantinha crianças e jovens longe do ambiente de violência.

Children from an outreach project by Élite Hip-Hop, a group of rappers from Comuna 13 which El Duke belonged to. Photo by Agencia de Prensa IPC on Flickr  (CC BY-NC-SA 2.0)

Crianças de um projeto do Élite Hip-Hop, um grupo de rappers do Comuna 13 ao qual pertencia  El Duke. Foto agência de imprensa IPC no Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

Considerando o trabalho social comandado por esses artistas do hip-hop, Helen Berents do blog “Cuentos de Colombia” (Contos da Colômbia) argumenta que essas mortes “deveriam ser vistas como uma campanha contra os artistas que promovem a paz”.

The fact that this is not commented on, but the danger and violence of the Comuna 13 is mentioned in every news report, examplifies the re-inscription of violence.

These areas are discussed as if the problem originates there with no other context. These young people are written off as if they are somehow innately violent or delinquent. So often these conversations rest on these deliberate acts of ‘unknowing’ which actively ignore the systems of exclusion and the realities and struggles of those who live each day amidst violence and stigma, and live with dignity.

O fato de que isso não é comentado mas o perigo e a violência do Comuna 13 são mencionados em todas as notícias, exemplifica a reinscrição da violência.

Essas áreas são discutidas como se o problema se originasse nelas sem nenhum contexto. Esses jovens são esquecidos como se de alguma forma eles fossem inerentes à violência ou à delinquência. Então frequentemente essas conversas caem nesses atos deliberados de “desconhecimento” que ignoram os sistemas de exclusão e as realidades e lutas daqueles que vivem todo dia entre a violência e o estigma, e vivem com dignidade.

Cuenta La 13 [es] (@CuentaLa13) [es], site de uma rádio local e blog do Comuna 13, tuitou no dia 31 de outubro:

@CuentaLa13: Ya dejamos los restos del Duke. Lo enterramos, pero no enterramos nuestras ganas de vivir y de gritar que queremos paz.#La13CantayResiste.

@CuentaLa13: Já deixamos o que restou do Duke. Nós o enterramos, mas não enterramos nossa vontade de viver e de gritar que nós queremos paz. #La13CantayResiste (Comuna 13 canta e resiste).

Nesse mesmo dia, e usando a mesma hashtag, o também artista de hip-hop Jeison Alexander Castaño (@Jeihhco) [es] compartilhou um vídeo do “Comando Élite de Ataque (CEA)”, grupo de El Duke. A música se chama “Maquinas de guerra”:

[Nota: Você pode assistir mais vídeos de artistas de hip-hop do Comuna 13 aqui e aqui]

Jeihhco [es] tem tuitado ativamente sobre esse crescimento da insegurança afetando artistas em Medellín; ele também reportou [es] a morte de Roberth Steven Barrera (“Garra”) no dia 9 de novembro. Outros usuários do Twitter reagiram às notícias, como Luisa Fernanda (@luisiferp) [es]:

@luisiferp: Paz para el alma de #Garra de #AltoRango y para todos los jóvenes que han muerto en #Medellin tratando de generar un cambio cultural

@luisiferp: Paz para a alma do #Garra do [grupo] #AltoRango e para todos os jovens que morreram em #Medellin tentando gerar uma mudança cultural

E Alex Macias (@alextinta) [es] escreveu:

@alextinta: Pese al conflicto armado en la comuna 13, muchos de sus jóvenes le apuestan a la vida, la paz, el amor y la cultura @elcolombiano

@alextinta: Apesar do conflito armado no Comuna 13, muitos de seus jovens apostam na vida, na paz, no amor, e na cultura @elcolombiano

Paulo Cepeda (@pacepe) [es] diz que a situação no Comuna 13 e em outros distritos é só a ponta do iceberg na “guerra urbana” de Medellín.

Aldo Civico, antropólogo e especialista em resolução de conflitos (@acivico) conectou a uma de suas colunas no jornal “El Espectador”, onde ele escreve sobre a questão da violência e da militarização no Comuna 13:

@acivico: Comuna 13 in Medellin. The state needs to change. Militarizing has clearly not worked. We need a new approach.
http://ht.ly/f5LCy [es]

@acivico: Comuna 13 em Medellin. O estado precisa mudar. Militarizar, claramente não funcionou. Nós precisamos de uma nova abordagem. http://ht.ly/f5LCy [es]

Entretanto, como Adriaan Alsema recentemente apontou, o ministro da defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón anunciou [es] que iria enviar 1000 policiais para aumentar a segurança na cidade. Enquanto isso, cidadãos [es] estão pedindo por ação, não só palavras, do prefeito de Medellín, Aníbal Gaviria:

Gaviria is facing increasing criticism over his response to a rapidly deteriorating security situation in the city that has led to the killing of five policemen over the past month, the detention by a gang of a government official in the Comuna 13 on Friday and reports of combat between gangs in four of the city's 16 districts.

Gaviria está enfrentando críticas crescentes sobre sua resposta à rápida deterioração da situação da segurança na cidade, que levou a morte de cinco policiais no mês passado, a detenção de um oficial do governo por uma gangue no Comuna 13 na sexta-feira e relatos de combates entre gangues em quatro dos 16 distritos da cidade.

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