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Estados Unidos: “Eu Sou Trayvon Martin”

Em 26 de fevereiro de 2012, George Zimmerman, um ‘Vigilante da Vizinhança’ voluntário em Sanford, Flórida, EUA, atirou e matou Trayvon Martin, 17 anos, quando este estava saindo de uma loja após comprar doces. George Zimmerman confessou para a polícia ter atirado em Trayvon no peito.

Segundo a transcrição da conversa gravada ao número de telefone 911 [en], publicada no dia 23 de março, George Zimmerman havia notificado a polícia sobre um “indivíduo suspeito”, Trayvon Martin, um jovem negro de 17 anos, saindo de uma loja. O operador da linha 911 declarou ter dito a George Zimmerman para não perseguir o jovem [en].

Eu sou Trayvon Martin /"I am Trayvon Martin" – crianças na caminhada por Trayvon Martin, foto por Gilbert King Elisa no Flickr, licença-CC -BY

A indignação de cidadãos estadunidenses e internautas ao incidente continua forte e ainda chega às manchetes na cidade de Sanford, onde houve o assassinato. A unidade de polícia encarregada do caso não expediu acusações formais até o momento contra George Zimmerman, cujo ato tem sido considerado por muitos como um crime racista.

Gareth Bryant [en], em seu blog, comenta:

Why is the Black man always on the endangered-species list? It’s like it’s my destiny, to forever be victimized in this matrix.

Por que o homem negro está sempre na lista espécies ameaçadas? É como se fosse destino, ser para sempre vitimizado nesta matrix.

jrcm.t [fr] escreve:

the perfect combination: “A fire arm and a black man” – racism at its best!!! And the defence is said to plead “citizens’ rights to use fire arms for self-defence.”
The social network reacted with this formula: white man > spanish man > black man.

A combinação perfeita: “Uma arma de fogo e um homem negro” – racismo na sua melhor forma!!! E a defesa vai alegar “direito dos cidadãos ao uso de armas de fogo em autodefesa.”
As redes sociais reagiram com esta fórmula: homem branco > homem hispânico > homem negro.

A conotação racial deste caso parece óbvia, de fato. Embora o Departamento de Justiça dos EUA e o FBI tenham iniciado uma investigação [en] dos “fatos e circunstâncias” a respeito do assassinato de Trayvon Martin, a comunidade online continua a pressionar o governo dos EUA para garantir justiça. Seguem aqui alguns dos comentários mais pertinentes:

"Pela memória de Trayvon Martin, 1995_2012", por greendoula no Flickr, licença CC-license-by-ND

"Pela memória de Trayvon Martin, 1995_2012", por greendoula no Flickr, licença CC-license-by-ND

Tericruz [en] escreveu na seção de comentários do The Huffington Post (que recebeu milhares de comentários no artigo sobre o caso desde a publicação):

You can hear the boy screaming for his life in the back ground of the 911 calls. I cried because all I could do is think of my son, in that position, knowing he was about to die and no one was there to help him. God Bless his soul and his family.

É possível escutar o garoto gritando por sua vida ao fundo nas ligações 911. Chorei porque eu só conseguia pensar em meu filho naquela situação, sabendo que estava prestes a morrer e ninguém por perto para ajudar. Deus Abençoe sua alma e sua família.

ClaudiaL acrescentou:

The law in Florida sounds like it gives cover to anyone who wants to commit murder, provided there are no witnesses. If I lived in Florida, I would be very afraid. The gun laws in this country are completely up-side-down.

A lei na Flórida parece dar cobertura a qualquer um que comete um assassinato, desde que não haja testemunhas. Se eu vivesse na Flórida, eu teria muito medo. As leis sobre armas neste país são totalmente de ponta-cabeça.

MrScorpio criou um assunto no fórum DemocraticUnderground.com [en] e, desde então, internautas inundaram a página com suas reações, depoimentos pessoais e lembranças de mau tratamento por pessoas brancas nos Estados Unidos.

No Change.org, mais de um milhão de pessoas assinou uma petição [en] endereçada ao Procurador-Geral da Flórida e outros, para garantir que a justiça seja feita.

O Twitter tem estado repleto de comentários sobre o caso. Fotos de manifestações na Flórida estão disponíveis a partir da hashtag #Trayvon.

@Black Voices [en]:

At city hall, hundreds of residents and activists are calling for the arrest [of George Zimmerman] in the Trayvon Martin incident: #trayvon

Na Prefeitura, centenas de moradores e ativistas clamam pela detenção [de George Zimmerman] no incidente Trayvon Martin #trayvon

@YsanneBueno aborda a questão racial:

@MUTHAKNOWS If Trayvon had been a white boy and Zimmerman a black man, I wonder how this all would have panned out? #TrueStory

@MUTHAKNOWS Se Trayvon fosse branco e Zimmerman fosse negro, como isso teria se desenrolado? #TrueStory [História Verdadeira]

@OmariShakirXo conclama a comunidade internacional a se unir em memória a Trayvon:

Everyone who wanted to arrest Kony, please share your sadness over the Trayvon case. I really can't see how that would be asking too much…

Todos que querem prendem Kony, por favor compartilhem sua tristeza com relação ao caso Trayvon. Não acho que isso seja pedir muito…

Muitos estão a se manifestar contra a lei “Stand Your Ground” (Defenda Sua Área), em vigência na Flórida desde 2005, que amplia as zonas de autodefesa, das áreas residenciais às demais áreas públicas. Essa lei elimina a noção presente na lei inglesa segundo a qual se deve “recuar” perante situações de perigo fora da sua casa. Sem essa nuance, um cidadão americano armado agora não tem a obrigação de retroceder perante uma ameaça.

@KarenHunter tuitou:

Can someone please explain to me why this “Stand Your Ground” exists?

Alguém pode me explicar por que essa lei “Stand Your Ground” existe?

@Touré acrescentou:

The ”Stand Your Ground” law does not stipulate that ”If you feel threatened by a young black youth, you [are entitled to] respond with a shotgun”.

A lei “Stand Your Ground” não estipula que “Se você se sentir ameaçado por um jovem negro, você reage dando um tiro”.

Charles M. Blow, no jornal New York Times [en] conclui:

Although we must wait to get the results from all the investigations into Trayvon’s killing, it is clear that it is a tragedy. If no wrongdoing of any sort is ascribed to the incident, it will be an even greater tragedy.

Embora tenhamos de aguardar o resultado de toda a investigação na morte de Trayvon, ficou claro que é uma tragédia. Se não houve algum tipo de infração anterior ao incidente, é uma tragédia ainda maior.

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