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Afeganistão: Pena de morte por difundir artigo de blogue

A Associação Afegã de Escritores de Blogues (Afghan Penlog), uma comunidade criada por um grupo de blogueiros e ativistas afegãos, manifestou profunda preocupação com o jovem jornalista Sayed Parwiz Kambakhsh, que foi condenado à morte por um tribunal local.

Ele trabalha como repórter do semanário Jahan-e Naw (Novo Mundo) e é estudante de jornalismo na Universidade Balkh.

Segundo a Afghan Penlog e a imprensa internacional, Parwez Kambakhsh foi detido pelas autoridades em 27 de outubro de 2007 por ter baixado e distribuído um artigo que ele encontrou em um blogue iraniano para os amigos. Esse artigo falava sobre direitos das mulheres, o Corão e o profeta Maomé. Um tribunal local no norte do Afeganistão, em Mazar-e-Sharif, o condenou à morte pelo que considerou blasfêmia.

O observatório da imprensa global Repórteres Sem Fronteiras diz que o julgamento foi “realizado às pressas e sem qualquer preocupação com a lei ou para com a liberdade de expressão, que é protegida pela Constituição”.

Index on Censorship diz:

Deeply conservative Afghan clerics, most of whom have never used a computer or the Internet, believe Kambakhsh himself wrote the article and therefore found him guilty of blasphemy. Because there is no clear punishment for downloading “un-Islamic” articles from the Internet, the primary court of appeal asked clerics to comment. The conservative clerics, who had not investigated the case, demanded the death penalty.

Clérigos afegãos profundamente conservadores, a maioria dos quais nunca utilizou um computador ou a internet, acreditam que o próprio Kambakhsh escreveu o artigo e, por isso, ele foi sentenciado como culpado de blasfémia. Como não existe uma punição clara para download de artigos anti-islã na internet, a principal instância do recurso solicitou que os clérigos comentassem o veredito. Os clérigos conservadores, que não tinham investigado o caso, exigiram a pena de morte.

Irmão do jornalista pode ter sido alvo

Segundo a CNN, muitos acreditam que Kambakhsh tenha sido de fato detido por artigos que seu irmão escreveu criticando autoridades provinciais. Sayed Yaqub Ibrahimi, o irmão, escreveu inúmeras notícias que detalham direitos humanos.

Afghan PenLog emitiu uma declaração ontem acusando as autoridades afegãs de tentarem fugir da questão: “… o Ministério Afegão da Informação e da Cultura publicou uma carta nesta tarde que diz que Parwiz Kambakh não era um jornalista e seu caso nada tem a ver com a imprensa”. Afghan Penlog está profundamente preocupada, e exige a libertação imediata de Parwiz Kambakhsh.

9 comentários

  • A situação toda é um bocado absurda. Se por um lado não há lei quranica condenando o download e distribuição de material não islâmico (não surpreendentemente!), por outro os juízes religiosos que ainda vivem na primeira metade do século XX (se tão tarde!) não fazem a menor idéia do que estão julgando — e tudo isso leva o jovem jornalista a ser condenado à morte.

    Não é brincadeira. É absurdo e, mais do que isso, desumano. Uma vida humana não vale sequer uma reflexão e pesquisa aprofundada por parte dos juízes. Condena-se sem pensar, sem entender, sem se preocupar. Infelizmente, acredito que casos como este, ou parecidos com este, devam ser mais comuns do que gostaríamos em todo o mundo islâmico, o que ajuda um bocado a imprensa ocidental em seu trabalho de demonizar o islã e os povos islâmicos.

    Abraços do Verde.

  • Esses comportamentos são sustentados por um religião que se diz ser de Paz. Concordando com Daniel diria que se torna desnecessário “demonizar” o Islão porque quem de forma neutra se aproxima dessa religião percebe sem esforço nenhum o “demónio” que mora dentro dela. Muitas vezes para se desviar de acusações de violação dos direito humanos recorrem ao fundamentalismo islâmico responsabilizando-o por actos que vem por detrás do Islão mas aqui temos um caso bem diferente e que não tem nada a ver com fundamentalismo.
    Que conceito de justiça foi usado nesse caso?

    Abraços moçambicanos

  • Muslims Against Sharia strongly denounce this draconian sentence. We appeal to President Hamid Karzai, NATO, and the International community to intervene on behalf of Sayed Parwiz Kambakhsh. Afghanistan cannot be a member of the free world while its citizens are being charged with blasphemy.

    Source: http://muslimsagainstsharia.blogspot.com/2008/01/death-sentence-for-afghan-student.html

  • Pois é, Nelson. Acho que entendo seu ponto. Moro no Brasil, e acredito que o tipo de contato direto que tenho com grupos islâmicos é bem diferente daquele que você tem aí em Moçambique. Logo, acho que não posso falar muita coisa.

    Por outro lado, tenho um certo receio desta “demonização”. Se queres saber, a impressão que tenho é que as religiões cristãs são igualmente absurdas em vários momentos. A diferença é que este é um absurdo velado de violência sexual contra crianças, extorsão, estelionato, preconceito e manipulação política. Mas talvez eu pense assim porque tenho muito mais contato direto com estes absurdos do que com os absurdos islâmicos, os quais só tomo conhecimento através das mídias tradicionais ou alternativas.

    Descofio, contudo, que toda religiosidade pode ser nefasta quando usada em prol de interesses escusos. Não são portanto as crenças ou os deuses que merecem a culpa, mas sim os homens por trás deles…

    Abraços do Verde.

  • Posso entender o seu ponto de vista ao generalizar a relação entre a religiosidade e todo qualquer actos absurdos. A diferença no entanto está no sentimento em relação à esses actos. Confesso que minha simpatia pelo cristianismo pode estar aqui a influenciar minha análise mas sempre acreditei que é com vergonha e humilhação que no cristianismo, esses actos(violência sexual contra crianças, extorsão, estelionato, preconceito e manipulação política) são encarados quando tornados públicos, e não com orgulho e heroicismo como acontece na violência perpretada aos “oponentes” do islão.
    Os deuses podem serem inocentados mas as crenças não pois é o entendimento(interpretação) correcta errada ou exagerada das crenças que geram essas atitudes violentas.

    Duma postagem sobre o assunto no “Diário de Um Sociologo” do Dr. Carlos Serra, retirei o seguinte comentário:

    “Os dados que apresenta (e suponho que foi intencional da parte do Global Voices) são poucos para avaliar a situação. Será que no Afeganistão é proibido ler algo que fale de Maomé, direitos da mulher e do corão? Creio que o que levou ao julgamento do jovem Sayed não está a ser revelado. Estão apenas a dizer aquilo que pode desencadear, mais facilmente, os nossos sentimentos de solidariedade com esse jovem.

    Penso no entanto que a nossa solidariedade pode ser conquistada de maneira mais honesta: (i) sem ferir nossa capacidade de discernimento e (ii) com respeito à capacidade de julgamento do próprio povo afegão.

    Porque de facto, não sei o que pensar de um povo que condena um jovem que difundiu material que fala do corão, de maomé (ainda por cima num país islámico) e dos direitos da mulher.”

    Gostaria de ter o vosso comentário cá ou lá.
    Abraços Moçambicanos

  • Oi, Nelson

    Acredito que os dados apresentados são poucos justamente porque muito pouco foi vazado sobre o assunto. Lembre-se de que estamos falando de um país onde não existe grande liberdade de imprensa e de informação.

    O Global Voices repercutiu o que a blogosfera está falando e não teve acesso ao veredito, que como você pode ler no próprio artigo, não teve maiores explicações, vou colar aqui o trecho de um dos sites citados (o link esta no texto acima):

    Clérigos afegãos profundamente conservadores, a maioria dos quais nunca utilizou um computador ou a internet, acreditam que o próprio Kambakhsh escreveu o artigo e, por isso, ele foi sentenciado como culpado de blasfémia. Como não existe uma punição clara para download de artigos anti-islã na internet, a principal instância do recurso solicitou que os clérigos comentassem o veredito. Os clérigos conservadores, que não tinham investigado o caso, exigiram a pena de morte.

    Olha aqui o texto da BBC em inglês sobre o assunto:

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/7204341.stm

    Sayed Perwiz Kambakhsh, 23, was arrested in 2007 after downloading material from the internet relating to the role of women in Islamic societies.

    Tradução minha:

    Sayed Perwiz Kambakhsh, 23 anos, foi preso em 2007 depois de fazer o download na internet de material relacionado ao papel da mulher nas sociedades islâmicas

    Vou fazer responder ao mesmo comentário no Diário de um Sociólogo.

  • Gonçalo de Sá

    A pena de morte deve ser abolida em todos os casos e em todo o mundo! Consultem o site penademorte.enaoso.net que contém muita informação sobre o tema da pena capital e onde este caso também foi noticiado.

  • José Afonso Linhares de Oliveira

    É inadimissivel que em pleno século XXl, exista pessoas reacionárias, como alguns clerigos do Islã que se escondem detras de dogma religioso, pra cometer asassinátos em nome de Deus, se existir infeno é pra lá que devem ir todos estes covardes, párias da sociedade contemporania, pena além de ser uma coisa cruel, pra o estado no meu ponto de vista representa a falencia total do estado!!!! o ocidente tem mesmo que hostilizar cada vez mais estes regimes que mata crianças indefezas, covardes, covardes…. Meu nome é AFONSO!!!!

  • Realmente um absurdo! O fanatismo religioso de certos grupos Islâmicos beira à loucura. Na realidade, quanta diferença entre o Cristianismo e o Islã. Em nosso ocidente outrora cristão, ninguém morre por pertencer à esta ou aquela religião. Prá mim o que falta aos povos do Islã é a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

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