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Golpistas de criptomoeda inundam usuários do Facebook com anúncios falsos da Forbes.com

Página do Facebook sobre biscoitos divulgando criptomoedas. Duvidosa? Foto de Meta.mk, usada sob permissão.

Este artigo é baseado na reportagem do parceiro de conteúdo da Global Voices Meta.mk News Agency, um projeto da Metamorphosis Foundation.

Golpistas fazem uso de artigos falsos da Forbes e desinformação conta a União Europeia (UE) como chamariz, vitimando usuários do Facebook em toda a Europa, alertou a Metamorphosis Foundation sediada na Escópia, Macedônia.

A Metamorphosis Foundation é uma organização da sociedade civil da Macedônia do Norte que promove os direitos digitais e a alfabetização midiática.

O monitoramento feito por essa organização revelou que os golpistas continuam a usar anúncios do Facebook disfarçados de links para artigos da respeitável Forbes.com, fomentando tendências de informações falsas envolvendo não apenas a China, mas também membros da União Europeia, tais como a Suécia.

Sample of the Facebook ads promoting a fake Forbes.com article, actually leading to website run by scammers. Photo by Meta.mk.

Exemplo de anúncio do Facebook promovendo artigos falsos da Forbes.com, que na verdade conduzem a sites administrados por golpistas. Foto de Meta.mk.

Em 19 de maio, o Ministério das Relações Interiores da Macedônia do Norte alertou os cidadãos de que os golpistas estavam usando as redes sociais e e-mails para distribuir links adulterados como se fossem artigos da Forbes.com para incentivar a compra de uma suposta nova criptomoeda chinesa.

As pessoas que clicam nos links e fornecem dados pessoais aos golpistas são então alvos de ligações telefônicas, que os convencem a iniciar o ‘investimento’, pagando parcelas de US$ 250.

Na sequência, outras técnicas de manipulação são aplicadas para fazer com que os usuários aumentem o valor do investimento.

A equipe policial de controle de crime cibernético da Macedônia afirmou que os links maliciosos conduzem a um site hospedado na Ucrânia, supostamente administrado por um cidadão russo que age de maneira semelhante ao esquema desmantelado OneCoin Ponzi comandado pelo caloteiro búlgaro Ruja Ignatova, que causou prejuízos em todo o mundo de mais de US$ 4 bilhões.

Os dados publicados pelo Facebook sobre o alcance geográfico dos anúncios promovendo esses links sugerem que vão muito além das fronteiras da Macedônia do Norte, alertam os ativistas.

Anúncios manipulativos ajudam os golpistas a coletar dados pessoais das vítimas

A fundação Metamorphosis identificou diversos anúncios semelhantes que estão ativos nas redes sociais. Os usuários que clicam nesses anúncios são direcionados a endereços tais como: https://fishing2510.myshopify.com/blogs/news/dollar-faces-the-threat-of-being-displaced-by-chinadigital-currency?fbclid=IwAR3x_uvBatgzsr_wLZtDF1z5A1L7cb5F-T_-kefu36mP7n2I4dPk4jzf8N4 em vez de páginas no site da Forbes.com.

Bardhyl Jashari, diretor executivo da Metamorphosis, explicou:

Преку манипулативни огласи, измамници продолжуваат да допираат до корисниците на социјалните мрежи низ целиот свет. Користејќи ги податоците кои „Фејсбук“ ги прави јавно достапни како почетна точка на истражувањата, тимот на „Метаморфозис“ откри дека истите огласи им се покажуваат на корисници во скоро сите европски земји, како и во земји од Блискиот Исток и други региони. Измамниците користат Фејсбук-страници навидум на теми од културата, дури и за колачиња, како платформа за пуштање огласи кои ги водат корисниците до веб-страници или блогови што изгледаат исто како оние за кои предупреди МВР

Anúncios maliciosos continuam a atingir usuários das redes sociais no mundo todo. Por meio de dados públicos fornecidos pelo Facebook de anúncios direcionados ao público-alvo baseado na Macedônia do Norte como ponto de partida, a equipe da Metamorphosis revelou que os mesmos anúncios são veiculados em quase todos os países europeus e também no Oriente Médio. Os golpistas utilizam-se de páginas sobre cultura e até mesmo sobre biscoitos para lançarem anúncios que direcionam os usuários a páginas da web e blogues, semelhantes àqueles contra os quais a polícia da Macedônia emitiu alertas.

A Metamorphosis, membro da rede European Digital Rights – EDRI, vem trabalhando para promover os direitos humanos on-line, incluindo a segurança infantil na internet, desde que a sua fundação em 2004.

Jashari também observou:

Многу загрижувачка карактиристика на овие групи на организиран криминал е што исто така користат страници кои тематски се наменети за деца и тинејџери за да ги камуфлираат своите злонамерни содржини. На пример страница претставена како заедница за популарната игра „МајнКрафт“ (со име напишано малку поинаку „Минекравт“) објавува огласи што продолжуваат да шират дезинформации за Шведска, насочени кон корисници во десетици земји – од Русија, Австрија и Белгија, до Сингапур, Катар и Обединетите Арапски Емирати.

Um fator bastante preocupante é que essas redes de crime organizado também utilizam páginas destinadas a crianças e adolescentes para camuflar seus conteúdos maliciosos. Por exemplo, uma página marcada como sendo uma comunidade do jogo popular MineCraft (intitulada Minecravt) exibia anúncios que persistia em difundir informações falsas sobre a Suécia, destinadas a usuários na Rússia, Áustria, Bélgica, Singapura, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de dezenas de outros países.

Facebook transparency tools reveal that a MineCraft themed page is used as platform for ads by scammers.

As ferramentas de transparência do Facebook revelam que uma página com o tema MineCraft é usada como plataforma de anúncios dos golpistas.

Os usuários que clicam nesses anúncios são direcionados à uma página que os incentiva a fornecer seus dados pessoais. Já no caso da Suécia a armadilha está disfarçada como um cupom de desconto.

Conteúdo de uma página configurada por possíveis golpistas promovido através de anúncios do Facebook.

Embora o MineCraft tenha um grande número de seguidores adultos, é um jogo particularmente popular entre crianças na faixa etária de 9 a 11 anos. A popularidade desses jogos é usada para condicionar futuros públicos especialmente suscetíveis a informações falsas e à fraude.

Golpistas aproveitam-se do impacto da desinformação política

Anúncio do Facebook de novembro de 2019 promovendo uma página fraudulenta e disseminando informações falsas sobre a Suécia e a União Europeia (UE).

Em novembro de 2019, o projeto Critical Thinking for Mediawise Citizens – CriThink, da Metamorphosis alertou que golpistas obtêm vantagens dos falsos relatos existentes sobre a Suécia.

As postagens patrocinadas do Facebook atraem pessoas, que foram previamente preparadas, através de redes de mídia publicitária populista de direita com sede na Macedônia do Norte, a acreditarem nas manipulações da mídia sobre instabilidades no país e na União Europeia (UE), publicadas na verdade pela mídia pró-Kremlin.

De forma semelhante, esses artigos promovem notícias falsas de que a Suécia adotou uma criptomoeda em oposição ao Euro.

Para lançarem esses anúncios segmentados por área geográfica, os golpistas utilizaram diversas páginas com tópicos de interesse geral, inclusive algumas marcadas como fã-clubes não oficiais de celebridades ocidentais, tais como os atores Liam Neeson e Anthony Michael Hall.

O CriThink, uma iniciativa apoiada pela Delegação da União Europeia na Macedônia do Norte, instruiu os usuários de rede social local sobre como fazer uso dos recursos de transparência das páginas do Facebook usadas pelos golpistas, dessa forma capacitando-os a identificar e denunciar as páginas suspeitas por meio de mecanismos fornecidos pela plataforma.

Visando incentivar a participação dos cidadãos em relação ao aumento dos níveis de conhecimento midiática, os artigos do CriThink relacionados às redes sociais fornecem instruções de como os usuários podem utilizar os recursos de relatos de denúncia para alertar os administradores sobre conteúdo prejudicial, que incluem desde discurso de ódio a fraudes.

Notificação do Facebook sobre remoção de anúncios de páginas fraudulentas direcionadas a usuários na Macedônia do Norte.

Algumas semanas depois, em dezembro de 2019, o Facebook informou a alguns de seus usuários que participaram da ação on-line que havia removido os anúncios reportados como fraudes.

Contexto: o uso do nome Forbes na República da Macedônia do Norte

Devido ao fato de a revista Forbes possuir uma ótima reputação como fonte confiável de informações na área de negócios e economia, ela também tem se tornado alvo de várias manipulações midiáticas na Macedônia do Norte.

O governo atuante no país nos anos de 2006 a 2017 usou o dinheiro dos contribuintes para publicar anúncios ou conteúdo patrocinado na revista Forbes e em outras mídias ocidentais.

Esses artigos tratavam principalmente das vantagens oferecidas pelo país aos investidores estrangeiros.

No entanto, partes também foram usadas em publicidade local. A mídia próxima ao partido populista vigente deturpou o conteúdo pago para que ficassem parecidos com artigos escritos por especialistas em economia ou funcionários da Forbes enaltecendo a política econômica do então governo.

Esse golpe de mídia foi repetido periodicamente, e desmentido várias vezes em 2014 pelo serviço de Media Fact-Checking, criado pela Metamorphosis com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

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