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Teste do “Feed de Exploração” do Facebook está prejudicando pequenas empresas, ONGs e grupos políticos no Camboja

Um cybercafé em Siem Reap, Camboja. Foto do Flickr por Melissa Gira (CC BY-NC-ND 2.0)

No dia 19 de outubro de 2017, o Facebook começou a testar um novo sistema para seu Feed de Notícias no Sri Lanka, Bolívia, Eslováquia, Sérvia, Guatemala e Camboja.

No teste, os usuários da rede social só veem posts de amigos (junto do conteúdo patrocinado) no Feed de Notícias. Atualizações de jornais, ONGs, partidos políticos e outros grupos que eles seguem não aparecerão, a menos que cliquem no novo botão chamado de “Feed de Exploração”.

Os proprietários de páginas devem pagar se quiserem que o conteúdo seja divulgado no Feed principal.

Esse experimento reduziu drasticamente o número de visitantes e participações em páginas do Facebook, principalmente a atividade on-line de pequenas empresas, Organizações Não Governamentais e grupos políticos que não têm condição de pagar pela divulgação do seu conteúdo.

Adam Mosseri, responsável pela área de Feed de Notícias do Facebook, explicou por que a empresa está realizando esse teste, o qual deve durar meses:

We always listen to our community about ways we might improve News Feed. People tell us they want an easier way to see posts from friends and family. We are testing having one dedicated space for people to keep up with their friends and family, and another separate space, called Explore, with posts from pages.

The goal of this test is to understand if people prefer to have separate places for personal and public content. We will hear what people say about the experience to understand if it’s an idea worth pursuing any further.

Nós sempre escutamos nossa comunidade sobre maneiras de melhorar o Feed de Notícias. As pessoas dizem que querem um jeito mais fácil de ver os posts dos amigos e familiares. Estamos testando colocar um espaço para as pessoas manterem contato com os amigos e familiares e outro espaço separado, chamado Explorar, com posts das páginas.

O objetivo desse teste é descobrir se as pessoas preferem ter locais separados para o conteúdo pessoal e público. Nós escutaremos o que elas vão dizer sobre essa experiência para julgar se vale a pena levar a ideia adiante.

No Camboja, o experimento parece ter causado perdas consideráveis de tráfego em várias páginas de notícias, lojas on-line, ONGs e partidos políticos. De acordo com reportagens, essas páginas registraram uma perda de até 60% de visitantes e participações após o lançamento do botão “Feed de Exploração”.

O procedimento da empresa ocorre em um momento tenso na região, pois o partido governante enfrenta acusações de silenciar a oposição, a mídia independente e ONGs antes das eleições gerais de 2018. O desaparecimento repentino de posts com notícias de fontes independentes e partidos opositores no Feed de Notícias agravou o problema.

O país tem quase 5 milhões de usuários no Facebook de uma população total de 15 milhões de habitantes. Em uma pesquisa realizada em 2016, foi revelado que a maioria dos cambojanos procuram notícias pela plataforma.

Jaime Gill, um assessor de comunicação freelancer que trabalha com várias ONGs, resumiu o impacto do teste:

By slicing news out of people’s feeds and sending it to a content graveyard where stories are buried, Facebook has cut off a source of information for millions of Cambodians. With a pivotal election rapidly approaching, it’s a worrying time for such an experiment.

The big international NGOs just gained another advantage in the battle for awareness and funds. They already have the money to spend substantial amounts promoting posts on Facebook; now they’ll be even more prominent in newsfeeds. Not so for smaller NGOs.

Separando as notícias do feed das pessoas e as enviando para um cemitério de conteúdo — onde as histórias são queimadas —, o Facebook interrompe uma fonte de informação para milhões de cambojanos. Com uma eleição crucial aproximando-se rapidamente, é preocupante fazer tal experimento nesse momento.

As grandes ONGs internacionais ganharam outra vantagem na batalha por conscientização e fundos. Elas já têm o dinheiro para gastar quantidades substanciais para divulgar posts e agora são ainda mais notadas no Feed de Notícias. Porém, o mesmo não ocorre com as ONGs menores.

Tharum Bun, analista de mídias sociais, disse que usuários comuns da rede social no Camboja provavelmente não perceberam o experimento da empresa:

I think the majority of Cambodians may not notice this tweak. What matters is that they still see that Facebook is working and feeding them the content they want to consume. If the social networking site were having a one-hour downtime, the public will get angry much more than this introduction of the Explore Feed.

Eu acho que a maior parte dos cambojanos não perceberão essa alteração. O que importa é que eles ainda veem que o Facebook está funcionando e fornecendo o conteúdo que eles querem consumir. Se o site ficar inativo por uma hora, o público ficará com muito mais raiva do que se introduzirem o Feed de Exploração.

Mas, mesmo que esse seja o caso, o teste privou muitas pessoas de informação porque dificultou que grupos com recursos limitados melhorassem seus conteúdos na popular plataforma.

O experimento também pode enfraquecer as iniciativas das ONGs, de mídias independentes e da oposição política na mídia social. Esses grupos, nos últimos anos, dependem do Facebook para contra-atacar o instrumento de propaganda do partido governante, que está no poder há mais de três décadas.

O Facebook ainda vai divulgar um comunicado sobre o resultado obtido.

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