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Indianos discutem a depressão para acabar o estigma social que a rodeia

Imagem do Flickr por Mary Lock. CC BY-NC-ND 2.0)

[Todos os links conduzem a sites em inglês, exceto quando indicado o contrário]

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recentemente publicou um relatório sobre a depressão onde mostra que aproximadamente 7,5% dos indianos sofrem de um transtorno mental leve ou grave que requer a intervenção de um especialista. Entretanto, a depressão continua sendo no país, de diversas maneiras, tabu, assunto para fofoca ou objeto de piada.

Como resposta, durante os últimos anos, algumas pessoas nas redes sociais têm tentado encorajar uma discussão mais aberta sobre o tema.

O profissional em TI Kalyan Biswas Rath é uma delas. Ele compartilhou sua história na página do Facebook de como foi capaz vencer a depressão com a ajuda de familiares e amigos:

I was a horrible graphic designer, a horrible web designer, a horrible coder, a horrible writer and a bad comedian for quite some time. I have embarrassed myself enough and been bad at multiple fields. But with support from close friends, I kept working at it.

Suddenly one day, things changed for the better and people who I assumed thought of me as a failure started messaging me saying they were proud of me. People started appreciating my work.

Today, I don't feel like a failure despite whoever feels whichever way and I am happy with my life. And that's a big deal.

[…] Don't be ashamed of asking for help. There is nothing wrong with depression. It is a very natural outcome of the kind of society we live in.

Durante muito tempo a imagem que tinha de mim mesmo era a de um mau gráfico, um mau web designer, um mau programador, um mau escritor e um mau comediante. Tinha vergonha de mim e me sentia um inútil em várias áreas da vida. Mas, com o ajuda dos meus amigos mais próximos, continuei trabalhando.

Um dia, de repente, as coisas mudaram para a melhor e as pessoas que eu achava que me viam como um fracassado começaram a enviar mensagens que tinham orgulho de mim. Elas começaram a valorizar o meu trabalho.

Hoje, não me sinto um fracassado, seja o que for que pensem em mim, estou feliz com a minha vida. E isso é o que importa.

[…] Não tenha vergonha de pedir ajuda. Não há nada de errado na depressão. Ela é o resultado muito comum da sociedade em que vivemos.

Agora Kalyan é um humorista de palco e um YouTuber de sucesso.

A estrela de Bollywood Shaheen Bhatt é outro exemplo:

I've lived with depression on and off since I was about 13 years old.
This is not a revelation or a confession.
Those who know me know this about me.
It's not something I take any pains to hide, I'm not ashamed of it or particularly troubled by it. It's just a part of who I am.
I have days where I feel good and then I have days where I don't.
One minute everything's fine and the next it's like someone turned the light off inside my head.
I go quiet and it's difficult to get out of bed.
Like it always does the world around me loses focus and I struggle to make sense of it.
Sometimes these bouts last an hour – sometimes they last days.
Today, I'm on day 4.
I say I live with depression rather than I struggle with it because for me (and I speak only for myself here) I don't see why it has to be a struggle.

Vivi em depressão desde os 13 anos de idade.
Não se trata de uma revelação ou confissão.
Aqueles que me conhecem sabem disso.
Não há nada que eu tenha para esconder, envergonhar-me ou me preocupar. É só uma parte de quem eu sou.
Há dias que estou bem, outros não.
Em um minuto tudo está bem já no seguinte é como se acontecesse um curto-circuito em minha cabeça.
Eu me calo e é difícil sair da cama.
Como se eu perdesse o foco do mundo ao meu redor e lutasse para que fizesse sentido.
Ora ela ataca por uma hora, ora por dias.
Hoje estou no meu quarto dia.
Prefiro dizer que vivo em depressão do que lutar contra ela (aqui eu falo só por mim) não vejo motivos para que seja uma luta.

depressão é um transtorno mental caracterizado pela mudança de humor persistente ou perda de interesse nas atividades, o que causa danos graves no dia a dia. As pessoas que sofrem de depressão podem procurar ajuda de psicólogos ou psiquiatras para receberem um tratamento adequado.

São cruciais os primeiros passos para reconhecer a depressão e pedir ajuda, porém o estigma social que a rodeia pode dificultar. Anshika Kumar explicou na Indian Youth como os indianos têm mais preconceitos do que os outros:

We Indians are too concerned about what others think. This needs to stop. We must respect each other’s opinions and issues. Many of us cannot understand or recognize symptoms of mental illnesses; even if we do, we do not know what to do or how to go about it. Unhealthy relationships with parents means youngsters end up hiding their mental condition from them, for fear of judgement and mockery. Outsiders are unable to understand and accept, and patients are scared and confused to speak out- It becomes a vicious circle.

Estamos muito preocupados com o que os outros pensam. Isso precisa parar. Devemos respeitar as opiniões e os assuntos de cada um. Muitos de nós não podemos compreender ou reconhecer os sintomas das doenças mentais; e mesmo se pudéssemos, não saberíamos o que fazer nem como agir. Os conflitos de relacionamento com os pais são um dos fatores porque os jovens escondem seu transtorno por medo do julgamento e escárnio. Quem está de fora é incapaz de entender e aceitar, os pacientes estão amedrontados e confusos para expor sua situação — o que torna um círculo vicioso.

O recente Dia Mundial da Saúde, celebrado pela OMS em 7 de abril de 2017, teve o tema “Vamos falar de depressão” exatamente por essa razão. No entanto, o movimento para discutir o assunto da depressão com compaixão e transparência vêm ganhando força nos últimos anos na Índia.

A jornalista freelance Deepa Padmanabhan, escreveu em seu blog a sua luta contra a depressão. Em 2015, ela atribuiu sua recuperação a ajuda recebida de familiares. Também mencionou:

Why did I choose to share my story today, after so many years of being silent? In my heart, I believe that the time is now right for the world to deal with depression a kinder way. I hope that people will be more tolerant of those suffering from mental illness than they were a decade ago.

Por que hoje escolhi compartilhar minha história, depois de tantos anos de silêncio?  Em meu coração, acredito que agora é hora para o mundo enfrentar a depressão de maneira cuidadosa. Espero que as pessoas sejam mais tolerantes com aquelas que sofrem desse transtorno mental do que foram uma década atrás.

No mesmo ano, a atriz indiana de Bollywood  Deepika Padukone foi ao canal nacional de notícias NDTV falar sobre sua experiência com a depressão. Depois ela começou sua própria fundação que ajuda e facilita às pessoas buscarem apoio.

Existem muitas plataformas, como a AASRA  e a YourDost, que usam diferentes meios de comunicação, inclusive as redes sociais, para fazer com que as pessoas falem sobre isto.

Outra contribuição para essa mudança é o governo indiano que apresentou um novo Projeto de lei de saúde mental que descriminaliza o suicídio, protege e recupera os direitos de propriedade das pessoas com transtorno mental. Antes do projeto de lei ser aprovado, a tentativa de suicídio era considerada um crime com pena de um ano de prisão conforme Artigo 309 do Código Penal Indiano.

Qualquer pessoa com transtorno mental tem direito a:
• Acessar os cuidados de saúde mental
• Viver em sociedade
• Buscar proteção frente tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes
• Ser tratada com igualdade e sem discriminação
• Informações
• Sigilo
• Acessar os registros médicos
• Fazer contatos pessoais e comunicar-se
• Assistência legal
• Queixar-se do mal funcionamento dos serviços
• Pedir que se respeite o sigilo relativo a sua enfermidade mental
_______
Os pontos-chave do novo Projeto de lei de saúde mental aprovado no Parlamento.

A principal causa do suicídio é a depressão não tratada. A depressão tem cura e o suicídio pode ser evitado. Você pode conseguir ajuda por meio das nossas linhas de auxílio confidenciais para pessoas suicidas ou com crises emocionais. Acesse o Centro de Valorização da Vida (pt) para encontrar uma linha de ajuda mais próxima.

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