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Moçambique mostra firmeza na luta contra a caça furtiva

Incineração de cornos de rinoceronte e dentes de marfim de elefantes, levada a cabo pelas autoridades moçambicanas. Foto Carlos Serra.

Incineração de cornos de rinoceronte e pontas de marfim de elefantes, levada a cabo pelas autoridades moçambicanas. Foto Carlos Serra. Reprodução autorizada.

O marfim dos elefantes e os cornos dos rinocerontes incinerados, no dia 6 de Julho, é resultado da caça furtiva protagonizada em diferentes pontos do país. Material que vinha sendo apreendido pelas autoridades moçambicanas, ao longo de vários anos. Trata-se de 86 peças de cornos de rinoceronte equivalentes a 193 kg e 236 kg de marfim transformado. O processo de incineração contou com a presença do Ministro de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Coreia, que disse na ocasião que o acto surge na sequência de um processo que o Governo iniciou que foi de prosseguir todos os procedimentos que levaram à incineração do material, desde a sua oficialização através da Procuradoria-geral até a certificação e qualificação do marfim das pontas de rinoceronte.

Celso Coreia (Ministro de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural) disse:

Para o Governo é um sinal muito grande que damos à sociedade e ao mundo do grau de tolerância que damos à caça furtiva. Para nós não significa uma vitória, porque os animais são mais importantes vivos do que mortos, mas é um sinal que damos na nossa agenda que passa por preservar estes animais e conservar a nossa biodiversidade que é muito importante para o desenvolvimento do país.”

No dia da incineração, a Embaixada do Reino Unido fez menção a esta atitude do governo de Moçambique:

Página Global, um portal de referência sobre assuntos da Lusofonia fez menção ao facto de ser a primeira vez que Moçambique faz efectua uma operação desta natureza:

No que diz respeito aos rinocerontes, o país contava, em 2014, com cerca de 19 mil animais na sua maioria concentrados nas províncias de Niassa, Cabo Delgado, Tete e na zona sul. Em tempos, Moçambique já teve o dobro dos rinocerontes que tem agora, mas, devido às acções dos caçadores furtivos, muitos vão sendo dizimados.

Ulla Adren, ex-embaixadora da Suécia em Moçambique congratulou-se com a acção:

Portais internacionais também deram destaque à notícia, em Francês:

E em Português:

Porém, houve aqueles que desconfiaram da verdadeira intenção do governo, ao ponto de não acreditar que os cornos e o marfim queimado, não eram verdadeiros:

Hennoch Jemusse chegou mesmo a questionar se “seriam chifres de boi?”:

Nao quero crer que sejam chifres de Boi, prefiro acreditar que foram aqueles Chifres e Cornos aprendidos… Esse assunto ja cheirava ‪#‎EMATUM

Zenaida Machado, jornalista moçambicana da BBC, disse:

Estive a apreciar a reacção das pessoas à incineração dos chifres de rinoceronte e marfim, um evento que contou com a participação (e validação) do governo, jornalistas, polícia, activistas, corpo diplomatico e cientistas…
Escolhi estas três reacções como as minhas favoritas…(Podem usa-las para efeitos de estudo)

“Mafiaram-nos! Aquilo ali eram réplicas dos chifres de rinocerontes…”
“Se eu fosse um daqueles presentes, esperava que todos saíssem dali e regressava ao local para tirar alguns dos chifres antes de se transformarem em cinzas”
“Um governo sério não teria queimado aquele produto. Teria vendido e usado os fundos para outras coisas…”

Os autores destas frases são académicos, jornalistas, activistas políticos, e outros membros da sociedade, minimamente informados e formados – assim se espera. Depois de ler, eu para os meus botões:
– Se “os melhores” da sociedade pensam assim, aquele ladrão que diz que rouba porque não tem outra opção na vida, o quê estará pensar?”

No entanto, Carlos Serra, activista social e ambientalista de renome no país esteve presente nesta incineração. O activista destacou a acção e elucidou todas as dúvidas:

PORQUE QUEIMAR O MARFIM E OS CHIFRES DE RINOCERONTE?

(…) Sim, Moçambique está hoje no mapa-mundo pela positiva, por ter conduzido de forma rigorosa e transparente a queima de grandes quantidades de marfim, chifres de rinoceronte, carapaças de tartaruga e outros produtos faunísticos.

Aos mais cépticos, o que posso dizer é que a minha equipa de observadores independentes acompanhou todo o processo, confirmou quantidades e a autenticidade do produto e principalmente, esteve até ao fim, isto é, hoje. Acabámos de deixar o local quando já só sobravam cinzas. Tudo decorreu tranquilamente. Depois, importa ter presente o compromisso assumido pelo Estado moçambicano ao ratificar a Convenção CITES. Não poderíamos e nem deveríamos vender (prefiro dizer “branquear”) o resultado do trabalho do crime organizado, e muito menos manter em condições de armazenamento numa altura em que ainda não estão reunidas as necessárias condições de segurança.

Por fim, estamos a ser mundialmente elogiados pelo gesto de ontem, quando, até há bem pouco tempo éramos acusados de ser demasiado brandos e até de dar cobertura às redes de crime organizado transnacional responsáveis pelo maior massacre de rinocerontes e elefantes jamais registado na história mundial. Queimar foi um acto heróico, uma forte mensagem para o Mundo e principalmente para as redes de crime organizado e, mais, o começo de uma nova etapa no nosso país. Tenho a certeza, como aliás ontem afirmou o Ministro Celso Correia, que teremos muito mais apoios nos próximos tempos do que aquilo que seria o resultado de uma venda de branqueamento.”

Incineração de cornos de marfim em Moçambique

Incineração de cornos de rinoceronte e dentes de marfim de elefantes, levada a cabo pelas autoridades moçambicanas. Foto Carlos Serra. Reprodução autorizada

O abate indiscriminado de rinocerontes e elefantes vai além das reservas de Moçambique, uma vez que os caçadores furtivos estendem as suas acções para a vizinha África do Sul, mais concretamente no Kruger Park. Só em 2008, foram apanhados pela guarda-fiscal daquele país um total de 280 caçadores ilegais moçambicanos. Em 2013, foram abatidos pelos caçadores furtivos moçambicanos um total de 461 rinocerontes, 288 dos quais somente no Kruger Park.

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