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A trilha sonora não oficial dos protestos na Venezuela

Vida

La Vida Boheme (via Discos Caracas)

[Os links conduzem à sites em inglês, exceto quando outro idioma for indicado]
Esta reportagem cinematográfica de April Peavey apareceu originalmente para o mundo em 4 de março de 2014 no site PRI.org e é republicada como parte de um acordo de compartilhamento de conteúdos.

O que começou como protestos de estudantes na Venezuela tornou-se maior e mais violento nas últimas semanas. Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do país para protestar contra as taxas de homícidios, o aumento da inflação e a escassez de bens essenciais. Em meio a esta turbulência, a música da banda de rock venezuela La Vida Boheme [es] ganhou popularidade, tornando-se a trilha sonora inoficial dos protestos.

O álbum da banda ganhador do Grammy “Será” foi lançado há mais ou menos um ano atrás, muitas semanas após a morte do ex-presidente Hugo Chávez e muito tempo antes dos recentes protestos. No entanto, a música se tornou a melodia dos venezuelanos que estão nas ruas agora. Uma música em particular, “Aún” [Ainda] transformou-se em um tipo de hino do movimento.

Ya cansadas mis piernas de tanto caminar
He dejado la sierra para no volver más
Las rodillas me tiemblan pero no puedo parar
Quiero que mis hijos tengan lo que a mí me quisieron quitar

Com as pernas já cansadas de tanto caminhar
Deixei a serra para não mais voltar
Meus joelhos tremem, mas não posso parar
Eu quero que meus filhos tenham o que quiseram me tirar

“Muitas coisas que foram capturadas em Será representam o desespero que estamos vivendo aqui em um país com tantas mortes”, diz o cantor e compositor da banda Henry D’Arthenay. Mais de 24,000 mortes com violência, no ano passado, diz ele.

“A maioria das pessoas que estão sintonizadas com o álbum ‘Será’ se ligam a esta ideia de que há algo errado, muito errado com o nosso país. E é isto que queremos consertar. Nós não queremos envelhecer em um país onde nós estamos o tempo todo aflitos de sair de casa e ser sequestrados”, afirmou.

La vida boheme não está imune a violência. O produtor geral e o produtor de tours da banda foram sequestrados e o agente de viagens foi assassinado. D'Arthenay diz que quase todo mundo na Venezuela foi tocado pela violência.

“A violência transcende os partidos políticos”, ele diz. “E a maioria dos protestantes, independentemente de estarem com raiva do governo, bebem a raiva de viver em um ambiente tão hostil com tantas coisas estranhas contra você”.

Como muitos em Caracas, D’Arthenay tem ficado em sua casa o máximo possível por conta da segurança. Ele difunde no Twitter [es] a sua oposição à violência do governo contra os protestos e tenta encontrar esperança. “Eu realmente acredito que isto terá um resultado positivo e pacífico. Nós precisamos construir nosso país de uma forma que todo e qualquer um tenha chances de ser pleno enquanto ser humano”.

Jovens venezuelanos tem compartilhado as músicas de La Vida Boheme nas mídias sociais. Quando mensagens de inequidade e injustiça atigem as massas através de mídias sociais, D'Arthenay diz, “Isto faz com que as pessoas se sintam mais parte da humanidade e menos de um país, de uma nacionalidade”.

Esta história inclui materiais de “A trilha sonora dos protestos de estudantes na Venezuela”,” que tocam no Studio 360, no programa semanal de cultura pop, design e artes do PRI.

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  • Fernando Pereira

    Magnífica!