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Netizen Report: líderes da Turquia discordam sobre redes sociais

Manifestantes em Istambul, 2013. Foto por Alan Hilditch via Flickr (CC BY 2.0)

Manifestantes em Istambul, 2013. Foto por Alan Hilditch via Flickr (CC BY 2.0)

Ellery Roberts Biddle, Mohamed ElGohary, Lisa Ferguson, Hae-in Lim, Chan Myae Khine,  Sarah Myers e Sonia Roubini contribuíram para este relatório.

O Netizen Report do Global Voices Advocacy oferece um instantâneo internacional de desafios, vitórias e tendências emergentes no campo dos direitos na Internet por todo o mundo. Esta semana o relatório começa na Turquia, onde o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan ameaçou com um bloqueio [en] às maiores redes sociais, caso seja reeleito no final deste mês. Erdoğan tem sido humilhado com a divulgação na Internet de gravação atrás de gravação que o implicam num vasto escândalo de corrupção, incluindo, entre outras acusações, a intimidação de meios de comunicação. Ele acusa os seus inimigos políticos — especialmente o líder espiritual no exílio Fethullah Gulen [en] — de falsificar as gravações e disseminá-las pelas redes sociais. O YouTube esteve bloqueado entre 2008 e 2010, depois de utilizadores terem carregado vídeos considerados pelo governo como ofensivos para Ataturk, o fundador da república. Mas o Presidente Abdullah Gul afirmou que hoje em dia esse tipo de medidas estão “fora de questão” [en].

Liberdade de expressão: redes ameaçadas na Ucrânia

Os utilizadores da Internet na Ucrânia têm sido poupados [en] a um apagão durante os protestos Euromaidan graças em parte à sólida infraestrutura de Internet da Ucrânia, de acordo [en] com a Renesys, empresa de análise de tráfego de rede. É um forte contraste com a situação de países como a Síria [en], cuja conectividade depende de dois ténues fornecedores de Internet, conectados internacionalmente.

Mas as redes de comunicação no país estão, ainda assim, vulneráveis. Na Crimeia, a ucraniana Ukrtelecom reportou que “indivíduos fardados não identificados” se apoderaram de vários dos seus principais nós de telecomunicações e danificaram cabos de fibra óptica e zonas de rede, resultando numa quebra parcial de comunicações. A Crimeia poderá estar mais vulnerável do que o resto da Ucrânia, uma vez [en] que tem apenas um ponto de intercâmbio de internet (IXP) para controlo de todo o tráfego na península.

Em Abril, o novo código penal do Brunei irá alargar a aplicação da Sharia para passar a cobrir o adultério, o consumo de álcool e a homossexualidade, entre outras infracções. As iminentes reformas provocaram reacções de indignação nas comunidades digitais do país, o que levou o Sultão Hassanal Bolkiah a avisar os críticos da lei na Internet [en] de que em breve podiam ser processados. O Brunei é o primeiro país da Ásia Oriental a implementar a Sharia a nível nacional.

Mão pesada: 100 dias de prisão mas ainda nenhum julgamento para blogueiro egípcio

O dia 8 de Março foi o centésimo dia [en] que o blogueiro egípcio Alaa Abd El Fattah passou atrás das grades. Acusado de organizar um protesto sem autorização legal, o blogueiro foi espancado e preso, mas até hoje ainda não foi julgado. A família de Abd El Fattah enviou uma declaração ao RightsCon através do grupo de defesa de direitos digitais norte-americano Access, disponível aqui [en].

Vigilância: financiamento público para a italiana Hacking Team?

De acordo com o Privacy International [en], a empresa de tecnologia de vigilância Hacking Team, com sede em Milão, poderá ter recebido mais de um milhão de euros em financiamento público ligado à região italiana da Lombardia. Um recente relatório [en] do CitizenLab sugeriu que o spyware da Hacking Team foi utilizado em países como Azerbeijão, Malásia, Arábia Saudita, Etiópia e muitos outros.

Indústria: Facebook também quer drones

A Facebook poderá adquirir em breve [en] a empresa Titan Aerospace, fabricante de drones movidos a energia solar, com vista a levar o acesso à Internet a cinco mil milhões de pessoas, no âmbito da sua iniciativa Internet.org [en]. Os drones Titan, uma alternativa económica aos satélites orbitais, poderão ajudar a diminuir o fosso digital em países com baixa taxa de penetração da Internet e presumivelmente atrair para o Facebook uma nova geração de utilizadores fiéis.

A China estreou um novo motor de pesquisa gerido pelo Estado chamado ChinaSo [en] que apresenta uma semelhança notável com o Google. Será gerido pela equipa do jornal Diário Popular (do Partido Comunista) e da agência noticiosa Xinhua.

Insegurança na Internet: Tor “atrai a sua quota parte de idiotas”

De acordo com uma investigação do Kaspersky Lab, um número crescente [en] de botnets e mercados darknet semelhantes ao Silk Road estão a utilizar a rede anónima Tor. Como realça o InfoWorld, “há muito que o Tor tem o seu lado negro mas a magnitude da sua utilização por criminosos parece ter aumentado muito rapidamente no último ano”. A secção de perguntas frequentes do Tor refere [en] que “como todas as redes da Internet orientadas para a privacidade, [o Tor] atrai a sua quota parte de idiotas” mas que a sua equipa “sente que está actualmente a ser bem sucedida no estabelecimento de um equilíbrio”.

Activismo na Internet: vamos todos usar a encriptação

Numa participação por videoconferência no festival South by Southwest, Edward Snowden acusou o governo dos Estados Unidos de “atear fogo ao futuro da Internet” e lançou um apelo à comunidade tecnológica para que protejam a Internet [en], recorrendo mais à encriptação e desenvolvendo novas ferramentas de encriptação. Com alguma ironia, o pessoal dos serviços de informação do governo dos Estados Unidos parece concordar [en] — na mesma semana, tanto o gabinete do Director dos Serviços Nacionais de Informações (DNI) como o Departamento de Estado apelaram a uma maior utilização de serviços de encriptação pelos cidadãos norte-americanos. 

No dia 15 de Março cumpriu-se o segundo aniversário da detenção do programador web e activista sírio Bassel Khartabil, que representou a rede Creative Commons na Síria e colaborou com muitas iniciativas tecnológicas internacionais como a Mozilla e a Fabricatorz, entre outras. Para assinalar a data e apelar à sua libertação, por todo o mundo os seus apoiantes juntaram-se num tributo a Bassel. Mais sobre os eventos do #FreeBasselDay aqui [en].

Publicações e estudos

 

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