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Brasil: Revolta do Vinagre marca o país

A onda de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público deixa de ser um evento local de São Paulo tornando-se um movimento nacional chamado de Revolta do Vinagre. O nome surge porque manifestantes têm usado panos molhados com vinagre perto do rosto como proteção contra os efeitos do gás lacrimogênio jogado pelas tropas policiais.

O jornalista Piero Locatelli, da revista Carta Capital, que trabalhava na cobertura dos protestos, chegou a ser preso por carregar vinagre na mochila, como mostra vídeo abaixo. O próximo ato, marcado para segunda-feira, 17 de junho já recebeu o nome irônico de “Marcha pela legalização do Vinagre”.

De forma geral, os protestantes estavam sendo retratados como “baderneiros” e “vândalos” pelos meios de comunicação, mas a própria cobertura da mídia se transformou conforme depoimentos da mídia cidadã foram ganhando a internet. Os relatos da violenta repressão aplicada pela Polícia Militar tem se espalhado pela blogosfera. O tumblr feridosnoprotestosp.tumblr.com foi criado para denunciar casos de violência contra os manifestantes. No Twitter, a hashtag #pimentavsvinagre tem sido usada. Vídeos sobre o episódio também têm sido publicados no Youtube como este abaixo do blogueiro e voluntário do Global Voices, Raphael Tsavkko, que mostra a violência da polícia na Rua Augusta, em São Paulo:

O canal do Anonymous Brasil postou vídeo com diferentes imagens do que tem ocorrido em São Paulo no Youtube, chamando a população para as ruas:

Movimentação nas outras cidades brasileiras
Movimento Passe Livre São Paulo/Facebook

Quarta manifestação contra aumento da passagem de ônibus em São Paulo/Movimento Passe Livre São Paulo/Facebook

Desde quinta-feira, 13 de junho, quando a quarta manifestação do Movimento Passe Livre-São Paulo ocorreu, pessoas de outras capitais como Rio de Janeiro e Porto Alegre têm se motivado a irem às ruas, enfrentando forte repressão policial. No entanto, apesar das passeatas desse mês terem tido uma forte repercussão nacional e internacional, elas estão conectadas com outros movimentos contra o aumento do valor da passagen de ônibus que já ocorrem no país desde ano passado.

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, o movimento chamado de “Revolta do Busão” começou em setembro de 2012, quando jovens ocuparam rodovias e as principais vias de Natal para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus. Este ano, quando a nova administração municipal, do prefeito Carlos Eduardo, tentou retomar o aumento, os jovens voltaram às ruas. Assim como nas demais capitais, a imprensa local falou em vandalismo. O protesto do dia 15 de maio de 2013 foi reprimido com violência pela polícia como mostra o vídeo do canal Coletivofoque:

Ativistas do Anonymous invadiram o site do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (SETURN), companhia de transportes públicos da cidade, e postaram nota convidando a população para o próximo protesto dia 20 de junho.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, cidadãos conseguiram reverter a decisão de aumento indo às ruas em março de 2013.  Após pressão, o reajuste foi suspenso por liminar da Justiça em abril. Porém, haverá um outro julgamento em duas semanas que pode reverter a decisão. A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), empresa responsável pelo transporte público na cidade aguarda julgamento de recurso. A proposta da empresa é elevar a tarifa de R$ 2,85 para R$ 3,05.

Para fazer pressão contra o aumento, uma marcha seguiu pelas principais ruas da capital gaúcha na quinta-feira, 13. Houve repressão com uso de gás lacrimogênio e balas de borracha pela Brigada Militar, como mostra o vídeo postado pelo Coletivocatarse:

Houve depoimentos que alguns manifestantes atacaram um contêiner de lixo e quebraram faróis de ônibus e que 23 pessoas, entre 18 homens e 5 mulheres foram presas. Um vídeo postado no YouTube pelo usuário Jeronimo Menezes, mostra policiais armados entrando em um bar na região da Avenida João Pessoa e ameaçando os frequentadores do local para que denunciem quem participou do protesto, como mostra vídeo abaixo:

Às vésperas do início da Copa das Confederações, evento que antecede a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a luta contra o aumento do preço da passagem de ônibus trouxe à tona reivindicações maiores, como lembrou o jornalista Luís Felipe dos Santos:

O aumento da passagem é um pretexto para o padrão do Brasil como país emergente: o serviço encarece, mas não melhora. O ônibus ficou mais caro, mas não justificou esse aumento – continua lotando, continua matando os passageiros (como no Rio), continua atrasando. Como os ônibus, os imóveis também ficaram mais caros e não melhoraram. A saúde ficou mais cara e não melhorou. A educação ficou mais cara e não melhorou. Os preços dos ingressos de estádios de futebol encareceram e não melhoraram.

Este post teve a colaboração de Débora Baldelli.