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Brasil: Estado Mais Violento do País, Alagoas Pede Paz

Enquanto escrevo este artigo, recebo a notícia de que um adolescente foi executado em via pública de Maceió na noite ontem, enquanto pelo menos outros três corpos de vítimas da violência deram entrada no Instituto Médico Legal. Poucas horas antes destes últimos crimes, milhares de pessoas mobilizadas por meio das redes sociais compareciam às ruas na “Caminhada da Paz”, um apelo para o fim da violência em Alagoas.

Há muito a população de Alagoas vem se indignando por causa da banalidade da vida e do crescente número de homicídios por motivos fúteis. A gota d'água para a mobilização foi o assassinato do médico José Alfredo Vasco Tenório, de 67 anos, na tarde de 26 de maio, morto com um tiro nas costas na sequência de um assalto. Somente naquele fim de semana, outras 17 pessoas foram vítimas de morte violenta no Estado.

Mancharam de sangue o Corredor Vera Arruda, onde o médico foi assassinado. Foto publicada por Allves Del Valle.

Mancharam de sangue o local onde o médico foi assassinado.Foto publicada por Allves Del Valle.

A insustentável situação de insegurança levou internautas às ruas, em manifestação mobilizada por meio do grupo Alagoas – Estado de Emergência, no Facebook. Silvana Chamusca faz um resumo da manifestação e um apanhado do debate que se seguiu “à caminhada pacífica, sem olhar para a classe social, mas com um unico objetivo, mostrar a nossa indignação”:

Participamos de um primeiro movimento, poderão ser organizados outros, então sugira, tenha iniciativa, levante dados, organize no seu bairro, ou em qualquer outro bairro, que garanto que eu estarei lá.

Criado na segunda-feira, o grupo já reúne mais de 60 mil participantes. Enquanto um novo protesto foi marcado para o dia 5 de junho, Toninho Cajueiro pergunta:

O que foi conseguido de CONCRETO após a caminhada? Quais as providências que serão tomadas após este evento? A verdade é que a grande mobilização que precisamos fazer é na URNA, na ELEIÇÃO deste ANO, escolhendo de forma CORRETA e SEM INTERESSE os nossos políticos. Com educação de qualidade e geração de emprego se muda esse Estado.

Enquanto se mobilizam mais uma vez, usuários participam de um debate intenso sobre as causas de violência, briga de classes sociais, política e o sentimento geral da população. Mauricio Carvalho acredita que questão da violência é muito complexa e não deve ser transformada em algo simplista:

A morte do Dr. Alfredo serviu de estopim, um símbolo, um mártir, aquele que nós esperamos que tenha sido a última vítima dessa violência desenfreada. Ninguém é cego, todo mundo sabe da situação caótica que Alagoas chegou, a reclamação era unânime. Ninguém é insensível ao ponto de quantificar a importância da morte de uma pessoa independentemente do lugar do planeta que ela resida ou sua classe social.

Arte publicada por Fabrício França de Oliveira no grupo Alagoas, Estado de Emergência

Arte publicada por Fabrício França de Oliveira no grupo Alagoas, Estado de Emergência

Mesmo morando fora do estado há alguns anos, Eulália Lima acompanha a movimentação, dizendo que já era hora das redes sociais serem usadas “para algo que seja útil de fato”:

Que sigamos bem mais longe, pelo simples fato de que o pouco que fizermos já significará um passo enorme para um Estado e um povo tão castigado. Aprender a usar o voto e a importância dele, saber que tem direitos, lutar por eles e deixar o egoísmo e o conformismo para trás, pode transformar o mundo. O ALAGOAS – ESTADO DE EMERGÊNCIA é um exemplo disso. Sair do sofá e interagir pode render gratas recompensas. Estou nessa! Parabéns a todos pelo primeiro passo!

Um abaixo-assinado pedindo intervenção imediata do Ministerio Público no Estado, iniciado na terça-feira 29, já conta com mais de 2 mil assinaturas. Depois de acrescentar seu nome, Nilton Resende pergunta “Que intervenção queremos? De que intervenção precisamos?”:

Os vereadores aumentaram seus salários e nós não pedimos uma intervenção. Nós somos vilipendiados constantemente pela corja de políticos que diz nos representar, e não pedimos intervenção.

Mas, queremos uma intervenção sobre os bandidos – os bandidos pobres, que matam num átimo. Pedimos essa intervenção, sem nos lembrarmos dos bandidos que nos matam lentamente há décadas.

É preciso uma mudança geral. Não adianta uma intervenção apenas repressora sem mudar a base causadora do estado de penúria de nosso Estado. Sem nos tirar da tortura constante a que somos submetidos, como eu disse no post anterior: Tortura : Torturas.

Passeemos por outros estados brasileiros, e veremos as UPA’s – Unidades de Pronto Atendimento. Quais foram construídas em Alagoas? Quais foram construídas em Maceió? E onde está o dinheiro que foi destinado a isso?

Na verdade, precisamos de diversas intervenções.

Crescimento vertiginoso

Gráfico do Mapa da Violência 2012 mostrando o crescimento das taxas de homicídio em Alagoas nos últimos 20 anos. A cor vermelha indica os índices nacionais, rosa representa Maceió e região metropolitana, amarela representa Alagoas.

Gráfico do Mapa da Violência 2012 mostrando o crescimento das taxas de homicídio em Alagoas nos últimos 20 anos. A cor vermelha indica os índices nacionais, rosa representa Maceió e região metropolitana, amarela representa Alagoas.

A criminalidade em Alagoas apresenta acelerado e contínuo crescimento, segundo o Mapa da Violência 2012, publicado pelo Instituto Sangari. O Estado ostentava nível moderado de violência no relatório de 1999, com taxa de 20,3 homicídios em 100 mil habitantes (abaixo da média do país de 26,2) e ocupando o 11º lugar no ranking de violência. Em 2010, a taxa de 66,8 homicídios em 100 mil garantiu a Alagoas o título de Estado mais violento do país pelo quinto ano consecutivo. Enquanto as taxas médias do país permanecem inalteradas, em Alagoas cresceram 228,3%, mais que triplicando nos últimos 10 anos. Apesar dos índices calamitosos, o pequeno Estado de Alagoas não chega às manchetes da imprensa nacional. Thallysson Alves pede a devida atenção:

Pessoal, já que a imprensa nacional não vem a nós, vamos a ela. Enviem links que relatam a mobilização para os sites, jornais, TVs, revistas e rádios de fora do nosso Estado. Quem conhecer jornalistas de fora, adicionem ao grupo, informe. Vamos pressionar de todos os lados para que, enfim, sejamos ouvidos.

O povo alagoano está cansado e quer paz. Kika Chroniaris deixa uma sugestão para mostrar isso:

Coloquem fita branca em seu carro e uma faixa na fachada de seu estabelecimento ou casa. Seja em qualquer lugar da cidade, precisamos mostrar que a cidade toda clama por PAZ.

Alagoas Pede Paz

Alagoas Pede Paz. Foto publicada por Marilene da Silva no Facebook.

8 comentários

  • Queridos amigos, meu coração está em terras alagoanas! Envio de longe meus votos de dias melhores. Lembrem-se que a paz começa com cada um de nós! Enquanto escrevia a matéria, vi muitos comentários que me entristeceram, muita violência verbal. Como podemos exigir paz no mundo lá fora, se não a cultivamos em nossas vidas, nos mínimos detalhes, em todos os momentos? Unam-se, e serão fortes!

  • Eulaliaslima

    Li seu texto Paulinha. Muito bom. Só lamento o mote. Valeu pela citação e por acompanhar meu blog. Grande beijo e saudades!

  • Eklipsicologo

    A nossa imprensa  nacional de tv aberta teve uma postura dos tempos da ditadura daquelas empresas de comunicação que eram vendidas ao regime fascista. Abafaram a nossa manifestação a respeito da paz e não vem no tíciando a falta de providência contra o desgoverno  do senhor Téo vilela, aqui em nossa Cidade. Que democracia é essa onde os trabalhadores são obrigados além, de não ter acesso a educação para serem manipulados pelo sistema, não terem acesso a informação a quem esses caras servem?Ass; Eklivann Marcel( crp-15/2444) arteterapêuta.   

  • Eklivann Marcel.

    Eu defendo uma cultura de paz sem omissão ou alienação  de nosso povo, chega de só levar na cabeça.  

  • Jéssica

    Como um estado que se encontra com níveis de violência tao elevado abre um concurso para sua policia ostensiva apenas com mil vagas, quando sabemos que o deficit  de soldados na policia militar de alagoas é no minimo 4 vezes mais.Se alagoas colocasse em seu efetivo policial (PM) a quantidade de soldados que reaumente é  minimo necessário.  (ex:4.000 SD )e não deixassem pessoas que morão e trabalhão em outros estados participar do concurso teríamos uma PM mais interessada em dar segurança a população alagoana e essas pessoas deixariam vagas de emprego para os desempregados isso, já seria um grade passo para alagoas. então ,vamos aproveitar o dia 30/09/2012 dia do concurso e pedir mais segurança e emprego para população alagoana e conscientiza os futuros PM de quão importante sera o seu trabalho e da responsabilidade com a segurança da população esse é o melhor dia para se exigir segurança publica .As vésperas do dia 07/10/2012.

  • Dutra

    essa coisa de homicidio da banal aqui no estado do Pará região norte tá demais, muita violêcia no estado do pará tando na capital como nas cidades interiorana aqui se mata por 20 reais
    o estado não se impõe e a coisa ta fora de controle no estado do Pará  a população pede socorro e estar a mecer da violêcia

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