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Brasil: Agressão a Professores em Greve em São Paulo

Em 26 de março de 2010, milhares de professores (20 mil de acordo com a organização, 3.500 de acordo com a polícia) do Estado de São Paulo marcharam em direção ao Palácio do Governo, onde alguns deles foram espancados pela Polícia Estadual. Em greve desde 8 de março, os professores têm protestado semanalmente; milhares de pessoas marcharam em 12 e 19 de março na rua mais importante de São Paulo, a Avenida Paulista. A greve continua, portanto, o protesto continua.

Seu objetivo era pressionar o governador paulista José Serra a atender suas demandas, incluindo um aumento salarial de 34,4%, bônus, e um plano de carreira justo. O confronto foi relatado ao vivo no Twitter e, posteriormente, enviados para o Flickr e YouTube, com muitos jornalistas cidadãos expressando desgosto e desaprovação perante a brutalidade policial contra professores desarmados. Até agora, o governador José Serra não se pronunciou sobre o incidente com sua conta pessoal do Twitter @joseserra_ .

Foto de Yuri Gonzaga, usado sob permissão

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

A manifestação começou de forma pacífica. No entanto, às 12:17 um professor, Eduardo Prado, relata os primeiros sinais de violência que mais tarde documentou em seu blog:

@eduardoprado: Tem inicio a repressao. Policia ataca os manifestantes com gas de pimenta.

Alguns professores e estudantes reagiram à violência. De acordo com a Rede Brasil Atual:

@redebrasilatual: Alguns estudantes tentaram reagir atirando pedras contra os policiais, que vão afastando os manifestantes do local de protesto.

Logo após, houve relatos de casualidades, algumas delas de gravemente feridos. Fernando Bustamante informa:

@fepardal: Um professor foi p/ o hospital em estado grave com uma bala de borracha alojada no pulmão (coisas que a imprensa não diz pra você)

Ação da polícia disfarçada:

Tuitando de seu celular,  Eduardo Prado posta atualizações avisando que policiais disfarçados foram se misturando com os manifestantes e estavam usando de violência contra eles. Fazendo graves acusações contra a polícia, Sérgio Vaz foi retuitado por dezenas de pessoas:

@poetasergiovaz: um policial á paisana botou fogo num carro para culpar os professores, mas foi fotografado. A Ditadura impera em Sao Paulo.

Eduardo Prado relata o mesmo:

@eduardoprado: Um carro foi incendiado, varias testemunhas confirmaram que foram policais a paisana.

Várias pessoas ficaram feridas durante o protesto, 16 de acordo com o sindicato dos professores. Às 22:32, Rede Brasil Atual informa o balanço final do confronto. Suzana Vier depois forneceu a cobertura completa em seu site:

@redebrasilatual: Acaba a manifestação. Saldo: professores seguem em greve, o governo não negocia e nove pessoas ficaram feridas

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

A [falta de] equilíbrio da mídia:

De acordo com usuários do Twitter, a mídia foi muito lenta em reagir e reportar o incidente enquanto estava acontecendo, como relata  Sérgio Vaz:

@poetasergiovaz: Os professores estão apanhando feio da polícia do Serra e não tem ninguém da imprensa séria cobrindo. SOS jornalistas sérios.

Túlio Viana pergunta de forma sarcástica:

@tuliovianna: Cadê a mídia paulista pra fazer uma reportagem catalogando todas esta rotina de “trabalho duro” do batalhão-de-choque da PM paulista?

Eduardo Amaral também se pergunta sobre como será a cobertura no dia seguinte:

@edu74: O clima é tenso no palácio. Professores indignados com a violência da PM. E vai sair na imprensa?

Aparentemente, a manifestação marcada pela violência não foi a manchete principal nem foi relatada com precisão. Fernando Bustamante fez uma análise das imagens publicadas nos principais jornais no dia seguinte:

@fepardal: Com dezenas de profs feridos, a única foto que vemos nos jornais é de uma PM atingida (merecidamente, aliás). Por que será?

Conrado Galdino relata que a GloboNews, parte da maior rede de televisão do Brasil, tinha uma legenda alegando que os professores haviam confrontado a polícia:

@conradopreto: Da forma como foi escrita o leitor desapercebido culpará facilmente os professores. Caracteres tem forte apelo subliminar!

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

A reação da Twittersfera:

Usuários do Twitter de todo o Brasil têm discutido a greve e a violência policial. Algumas pessoas acreditam que a greve da educação foi apenas um ato político, à medida em que a eleição se aproxima, como Vinicius Vianna:

@ViniciusBruno: Que a educação em SP tem muitas deficiências é verdade. Mas essa greve tem interesse político eleitoral e corporativista de acomodados!!!

José Fernandes Jr. concorda:

@jfernandesjr: Antes de qualquer coisa direito de greve é sagrado. Mas não de cunho político e criminoso com essa.

Assim como Leo Brandão:

@LeooBrandao: Greve eleitoreira em SP. E tem gente se iludindo que isso é manifestação de professores apartidários.

Independentemente da política por trás da greve, a maioria parece concordar que a violência não deve ser usada, como Túlio Vianna explica:

@tuliovianna: Tão dizendo que a greve dos professores de SP é eleitoreira. E se fosse? Nestes casos a polícia teria o direito de descer o cacete no povo?

Fernando Amaral pergunta, depois de várias instâncias recentes de violência contra os manifestantes, se esta é uma nova regra de segurança pública:

@Quodores: Será mesmo que o Governo de São Paulo NÃO consegue que nenhuma, repito, nenhuma manifestação de rua NÃO acabe em pancadaria com a PM?

Sobre o sistema de educação:

Alguns outros blogueiros, como Conrado Galdino lamentam a inversão de valores:

@conradopreto: São os professores os responsáveis de fato pelo desenvolvimento do BR merecem respeito e não porrada. #serrafail

Sergio Vaz aproveita a oportunidade para refletir sobre o empobrecido sistema de educação brasileiro:

@poetasergiovaz: Falta de educação:muitos desses pms foram alunos desses professores. Os filhos deles estudam em escolas públicas também.

Como muitas pessoas em todo o país, a usuária do Twitter @dolphindiluna estava profundamente triste com as notícias:

@dolphindiluna: Todas essas notícias sobre os professores estão me deixando tão triste… Da revolta e indignação à uma profunda tristeza. #solidariedade

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

Foto de Yuri Gonzaga, uso permitido pelo autor

O último incidente violento fez os cidadãos sentirem-se mais alarmados, especialmente porque José Serra irá concorrer à presidência do Brasil nas próximas eleições de outubro de 2010. Hoje, 31 de março, foi seu último dia no cargo [de governador] antes de começar a campanha. Os professores organizaram seu “bota-fora”, marchando novamente pelas ruas de São Paulo. Até o momento, nenhum incidente foi relatado.

As fotos que ilustram este artigo foram gentilmente fornecidas por Yuri Gonzaga. Escrito em colaboração com Paula Góes.

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