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Meu Nome é Khan: Política Cultural na Índia

Mynameiskhan-207x300Este post não é sobre o filme de Bollywood “My name is Khan” (Meu nome é Khan), e sim sobre a forma como ele é percebido na Índia e nos Estados Unidos e o porquê disso. Dando uma olhada nos blogs indianos que falam sobre o longa-metragem, revela-se um fato interessante – as reações a ele têm mais a ver com políticas culturais na Índia do que com a estética do filme em si.

Nos Estados Unidos, o recém lançado filme de Shah Rukh Khan “My name is Khan”, está indo muito bem por retratar o cenário do ocidente depois dos trágicos eventos de 11/09 e tentativas de mostrar como os muçulmanos são percebidos pelos americanos nos EUA. Este retrato demonstra a própria experiência de Khan no aeroporto de Newark [en] (mais informações em português) no ano passado, quando foi levado a um segundo interrogatório pelas autoridades do aeroporto. Este incidente causou alvoroço na Índia, até finalmente o embaixador americano em Nova Deli dar uma declaração dizendo que as causas deste incidente seriam investigadas. O filme narra uma história similar, de um muçulmano autista que é assediado pela polícia americana depois de 11/09. Para adicionar um toque auto-biográfico no filme,  o personagem é apaixonado por uma mulher hindu. É de conhecimento geral que a esposa de Shah Rukh na vida real é hindu. Devido à crescente inquietação com a população muçulmana na Europa e América do Norte depois dos ataques de 11/09, o filme foi bem recebido nos EUA e conseguiu arrecadar 1 bilhão de rúpias indianas pelos direitos de distribuição mundial do filme pelos Estúdios Fox.

A primeira exibição do filme na Índia, em Mumbai, teve problemas com a Facção Hindutva do partido fundamentalista Shiv Sena. Escrevi sobre isso em meu blog “The World Around Me” [O Mundo à Minha Volta, en]:

As I write this, Maharashtra government has made large-scale security arrangements today afternoon, and some 2000 Shiv Sena members have been arrested as they tried to disrupt the film screening.

“Enquanto escrevo isso, o governo de Maharashtra realiza medidas de segurança em grande escala esta tarde; e cerca de 2000 membros do partido Shiv Sena foram presos enquanto tentavam interromper a exibição do filme”.

Alguns dos blogs indianos que trataram do assunto demonstram opiniões diversificadas

Vijay Prakash Singh [hi] de Nova Deli diz que assistiu a este filme considerado por ele “normal”, e acredita que sua popularidade é somente pelas circunstâncias controversas em que foi lançado. Ele diz que Shah Rukh Khan é influenciado pelo pensamento ocidental, e consequentemente tratou de um assunto que é de interesse do público do ocidente. De acordo com Singh, o filme é uma tentativa consciente de sensacionalismo e que usou todos os elementos possíveis para atingir este objetivo. Além disso, é vantajoso para o filme que a Índia tenha partidos degradantes como o Shiv Sena, que gerou um estardalhaço em um assunto sem importância, proporcionando mais popularidade a um filme que não merecia. Ademais, Khan também tem o apoio do partido em poder no país, que imediatamente enviou forças policiais para prender os arruaceiros. Para Singh, a mesma força policial não foi vista no norte do país onde hindus estavam sendo assassinados pelo mesmo partido Shiv Sena.

Dentro deste contexto, a BBC hindu começou um debate [hi] perguntando aos leitores se os indianos deveriam ser amigáveis com os paquistaneses ou se a atitude do partido Shiv Sena estava certa. Dentre várias respostas, Jamshed Akhtar, de Lucknow, diz que o Paquistão sempre enganou a Índia, mas que a atitude de Shah Rukh está certa porque um bom artista deve ter sempre apoio, independente da nacionalidade. Rajiv, de Allahabad, comenta que embora os artistas e atores muçulmanos sejam populares com os indianos, alguns tentam fazer o papel de vítima para ganhar popularidade.

Nitish Raj em um post [hi], publicado antes do lançamento do filme, diz que o partido Shiv Sena tomou esta atitude para fazer sua presença sentida, pois sua popularidade está diminuindo, mas seus adversários parecerem mais fortes do que eles neste momento.

É importante mencionar o artigo de Tarun Vijay [en], que trata brilhantemente a pungência dos hindus caxemiros, que viveram uma vida de sofrimento como refugiados em seu próprio país e, não podem falar sobre sua própria vitimização por causa da política partidária existente nos dias de hoje. Esta é outra dimensão da representação de uma comunidade na Índia.

Dando uma olhada nos blogs indianos que falam sobre o longa-metragem, revela-se um fato interessante – a reação a ele tem mais a ver com políticas culturais na Índia do que com a estética do filme em si.

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