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Porto Rico: “Assim é a Vida”

O diretor executivo do projeto governamental Portal del Futuro (criado para organizar os planos de redesenvolvimento para as terras da antiga Base Naval Americana de Roosevelt Roads, na zona leste de Porto Rico) defendeu a construção do mega resort de luxo Riviera del Caribe em uma área das terras da base americana dizendo aos moradores de comunidades vizinhas que eles tinham de perceber que não teriam acesso a esse tipo de projeto porque “assim é a vida.” Jaime González fez tal declaração em um fórum com os habitantes no mês passado, (a maioria desses habitantes moram em comunidades com desvantagam econômica e social) e chamou bastante atenção, ao ponto que um vídeo sobre o caso foi postado no YouTube.

González disse que suas palavras foram tiradas do contexto, mas também reconheceu que pode ter sido ofensivo e insensível com os habitantes da zona leste da ilha. O governador de Porto Rico, Luis Fortuño [en], demitiu González, embora tenha dito que não faria isso. Para entender ao que os blogueiros porto-riquenhos estão reagindo, segue algumas das palavras de González:

Vamos a hacer unas tiendas, que algunas de las tiendas tendrán productos que no los van a poder comprar, pues ‘such is life’. No todo el mundo ha sido tan agraciado. Pero no hay exclusión aquí de nadie (…) Y el que no tiene ni siquiera 50 chavos pa’ comprarse un límber por lo menos puede disfrutar de caminar libre de costo por esos paseos peatonales frente al mar y ver los cruceros llegar y ver a los pasajeros, los pasajeros con chavos, bajarse del crucero y verlos meterse en las tiendas y verlos comprando cosas caras y al que le cree eso complejo, pues lo siento mucho por ustedes, porque la vida es así, no todo el mundo nació tan agraciado…

Construiremos algumas lojas que venderão produtos que vocês não podem comprar. Bem, assim é a vida. Nem todos são afortunados. Mas não há exclusão nisso… E a pessoa que não tem 50 centavos para comprar um límber (uma sobremesa típica de Porto Rico), ao menos pode aproveitar e passear na orla do mar e ver os cruzeiros chegarem, e os passageiros, aqueles com dinheiro; pode vê-los sair dos cruzeiros e irem às lojas para comprar coisas caras. Quem tiver complexo de inferioridade por causa disso, bem, sinto pena por vocês… assim é a vida. Nem todos são bem afortunados…

Erika Fontánez escreve em Poder, Espacio y Ambiente [es]:

Estas comunidades han estado batallando para que los terrenos de Ceiba respondan a aliviar el abandono que han tenido por décadas, a propiciar verdaderos proyectos de desarrollo para lograr mejorar su calidad de vida y atender sus necesidades. Después de todo, estas comunidades han sido las que han sufrido por décadas la falta de recursos, como por ejemplo el agua, y la pobreza producto de que su territorio ha respondido a fines militares. Ahora con el cierre de la base, luego de que los movimientos civiles lograran desmilitarizar el área, ven una ventana para que se les haga justicia, pero el gobierno, tanto el central como el municipal tienen otros planes: el llamado “Plan del Portal”que dirige quien vergonzozamente les habló. Nuevamente se les da la espalda. Este funcionario les dice que si son pobres…pues, “Such is life”.

Estas comunidades vêm lutando para que o desenvolvimento das terras de Ceiba diminuam o abandono que eles sofreram por décadas, para promover projetos de desenvolvimento que respondam às suas necessidades de modo que possam viver vidas melhores. Afinal, são comunidades que sofreram por décadas de falta de recursos, como água, e vivem na pobreza causada pelo uso militar daquelas terras. Após a base ter sido fechada, e o movimento civil ter alcançado a desmilitarização da área, eles finalmente viram uma janela de oportunidade que poderia lhes trazer justiça, mas o governo, central e municipal, tem outros planos: o chamado “Plano do Portal” dirigido pela pessoa que falou com os moradores tão vergonhosamente. Mais uma vez eles foram abandonados. Este funcionário do governo os disse que, se eles são pobres… bem, assim é a vida.

Em Tinta Digital [es], Eugenio Martínez Rodríguez comenta:

Lástima que este nuevo gobierno con el ñe ñe né venga a desarticular la única propuesta social que pienso que tiene potencial en la actualidad: los movimientos de autogestión comunitaria que han logrado combinar esfuerzos de líderes de base, intelectuales de la academia y hasta grandes empresas privadas. Primero Río Piedras, después el Caño, ahora Ceiba. La tendencia es clara.

É uma lástima que, com sua “conversinha”, o novo governo desmanchou os únicos projetos sociais que eu acreditava terem o maior potencial atualmente: movimentos populares auto-suficientes que foram capazes de combinar esforços de líderes comunitários, acadêmicos, e até mesmo do setor privado. Primeiramente Río Piedras, então el Canõ, e agora Ceiba. O padrão é claro.

A blogueira Angelica Giselle diz [es] ter se sentido envergonhada:

Me apena, me da verguenza y me siento sumamente indignada por estas expresiones. Cómo es posible que entre nosotros mismos, los puertoriqueños, nos aplastemos mutuamente??? Es una falta de respeto hacia los recidentes de Ceiba y hacia la comunidad pobre de este país lo que el Sr.González dijo. Aunque más tarde pidió disculpas por sus expresiones me molesta. Me molesta que hablemos así y que nos despreciemos de esa manera. Yo como puertoriqueña no puedo quedarme callada y dejar de informarle a las personas lo que este gobierno quiere hacer poco a poco. Quieren ir privatizando todo y cada vez ir echando a los pobres a un lado. Porque en vez de crear cosas para los millonarios, no se ponen a crear centros públicos para que la comunidad pobre tenga sitios de entretenimiento gratuito??

Essas expressões me deixam triste, envergonhada, e extremamente indignada. Como é possível que nós, porto-riquenhos, pisemos uns aos outros dessa forma? O que o Sr. González disse é uma falta de respeito para com os habitantes de Ceiba e das comunidades pobres desse país, mesmo que ele tenha se desculpado posteriormente. Incomoda-me que falemos uns aos outros e nos desprezemos dessa forma. Enquanto porto-riquenha, não posso me calar e deixar de informar as pessoas o que esse governo quer fazer aos poucos: eles querem privatizar tudo e marginalizar os pobres. Porque não criam espaços públicos para as comunidades pobres de modo que tenham espaços livres de lazer em vez de criar coisas para milionários?

Em Blogueando [es], o jornalista Julio Rivera Saniel também expressou sua opinião sobre o incidente:

Las declaraciones de González han abierto de par en par las puertas a las ideas que son la raíz misma de las actuaciones de estos funcionarios. Los pobres son prescindibles si sus terrenos son necesarios para promover capital privado. Y como esa parece ser la máxima del gobierno, la disculpa es solo un tiro al aire para desviar la atención.

As declarações de González abriram as portas para as ideias que representam o fundamento das ações dos oficiais. Os pobres são dispensáveis se suas terras forem necessárias para promover a privação do capital. E, desde que esse parece ser o objetivo do governo, suas desculpas são somente um tiro para o alto com o intuito de desviar a atenção do público.
Talvez o que esquenta a discussão é o fato que Jaime González fez suas indagações em um período de difuldades para a ilha. O secretário de desenvolvimento econômico, José Pérez Riera, recentemente declarou em público que o setor privado “domina Porto Rico.” Há ainda uma ação de despejo para remover 200 famílias da comunidade de Villas del Sol [en] em Toa Baja. O governo desconsiderou o projeto inovador de posse coletiva da terra, Fideicomiso de Tierras del Caño Martín Peña, criado pela comunidade (o caso está na justiça). E, mais recentemente, vários tumultos aconteceram nas ruas de Río Piedras (onde se situa o campus principal da Universidade de Porto Rico) quando as forças especiais da polícia chegaram após a meia-noite para deter estudantes que bebiam ilegalmente na rua. A polícia usou gás lacrimejante nos estudantes, que responderam com gritos e lançando objetos contra os policiais.

A imagem usada como thumbnail neste post, “Assim é a vida” é de autoria de Felinux – Cogito ergo boom!, usada sob uma licença Creative Commons. Visite a galeria Flickr do Felinux.

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