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Fãs ao redor do mundo celebram os 30 anos de Akira

Uma cena de Akira. Imagem: cena retirada do YouTube pelo canal Goldeneye32X.

No dia 16 de julho de 2018, internautas do mundo todo celebraram o trigésimo aniversário do lançamento de Akira, um filme inovador que revolucionou e influenciou a animação para sempre. Para festejar a data, fãs japoneses e de outros países compartilharam suas cenas preferidas do longa-metragem — o que demonstra como, trinta anos depois, Akira continua fascinando tantas pessoas.

Akira foi escrito e dirigido por Otomo Katsuhiro, que, em 1988, já era uma lenda como mangaká no Japão. Akira foi baseado na sua famosa série de mangá de mesmo nome publicada, inicialmente, como uma série mensal em 1982.

A história se passa no ano de 2019 em uma Neo-Tóquio pós-apocalíptica onde há um estado policial autoritário em que os protestos são reprimidos, a corrupção acontece de forma desenfreada e o Estado de Direito é somente uma fachada. Os amigos de infância Kaneda e Tetsuo lideram uma gangue de motoqueiros quando um acidente de moto desperta poderosas habilidades psiônicas em Tetsuo, testando seu relacionamento e ameaçando o complexo militar que governa o local.

Assim como grande parte da cultura pop pós-guerra japonesa, o tema de destruição, desespero e resiliência de Akira ecoa os eventos da vida real de 1945, quando os Estados Unidos lançaram bombas atômicas na cidade de Hiroshima e Nagasaki. Os ataques mataram instantaneamente pelo menos 200 mil pessoas.

Tanto a série de mangá quanto o filme de 1988 são uma façanha cyberpunk que incluem motoqueiros punks cheios de anfetamina, equipamento militar sofisticado e transumanismo.

No filme, o cataclismo explosivo que deu origem à Neo-Tóquio aconteceu em 16 de julho de 1988. No mundo real, a obra cinematográfica também foi lançada nessa data e o aniversário foi celebrado no mundo todo, inclusive no Japão.

Feliz aniversário de 30 anos, AKIRA 🥳🎂 😍

Neste dia, 16 de julho de 1988, Akira destruiu a Tóquio original. Filme fortemente recomendado, um clássico atemporal e uma obra de arte impecável.

Como parte da celebração on-line global usando a hashtag #AkiraWeek, o jornal Japan Times produziu uma série de artigos dedicada ao Akira, liderada pelo escritor de cultura pop Matt Schley. Em um dos artigos da série, Schley explica aos leitores do Japan Times como falar japonês como um motoqueiro punk, ao mesmo tempo em que fornece um vocabulário útil para ajudar a compreender a obra cinematográfica:

That film, and the manga that inspired it, are set in the far-flung year of 2019, when Tokyo has been destroyed by a 新型爆弾 (shingata bakudan, new type of bomb) that started 第三次世界大戦 (Daisanji Sekai Taisen, World War III). Rebuilt as the dystopian ネオ東京 (Neo-Tokyo), the megalopolis is populated by corrupt politicians, revolutionaries, 超能力者 (chōnōryokusha, those with psychic powers) and teenage 暴走族 (bōsōzoku, motorcycle gangs).

Este filme e o mangá que serviu de inspiração acontecem no ano distante de 2019, quando Tóquio foi destruída por uma 新型爆弾 (shingata bakudan, um novo tipo de bomba) que deu início à 第三次世界大戦 (Daisanji Sekai Taisen, Terceira Guerra Mundial). Reconstruída como a distópica ネオ東京 (Neo-Tóquio), a megalópole é povoada por políticos corruptos, revolucionários, 超能力者 (chōnōryokusha, aqueles que possuem poderes psíquicos) e adolescentes 暴走族 (bōsōzoku, gangues de motoqueiros). 

Em outro artigo para a série, Schley explica alguns dos aspectos técnicos que fazem a produção de Akira ser tão inovadora:

“Akira” was painted digitally — a revolutionary step at the time — on a PC with a 12 megahertz processor and a handmade heat diffuser that, Oliff wrote, “chugged like an old farm truck.” Initially, the colorist sent drafts to Otomo for approval, but eventually, the “Akira” creator told Oliff he trusted him with it completely. In an interesting cross-cultural moment, Epic’s colorized version was converted back into Japanese and released in Japan soon thereafter.

Akira foi pintado digitalmente — um procedimento revolucionário na época — em um PC com um processador de 12 megahertz e um difusor de calor artesanal que, de acordo com Oliff, “faz barulho de caminhão de fazenda velha”. Inicialmente, o colorista mandou esboços para Otomo aprovar, mas um dia, o criador de Akira disse a Oliff que confiava totalmente nele. Em um interessante momento intercultural, a versão colorida de Epic foi adaptada em japonês e depois disso foi lançada no Japão.

Para muitos fãs, o estilo visual irrepreensível do longa-metragem é o que faz Akira tão memorável:

AKIRA (1988) é uma obra de arte da animação. É impressionante quanto trabalho deve ter sido feito em algumas sequências e fundos animados.

Em uma thread que viralizou no Twitter, um fã de Akira observou atentamente o que faz a animação do filme ser tão fascinante:

Muito bem, vamos olhar com atenção alguns destes testes a lápis do Akira! Olhe este movimento de câmera sensacional! Aquele túnel! Eu aposto que muitos acham que isso era 3D CGI, mas NÃO. Foi desenhado à mão!

Há dezenas de animações individuais interessantes acontecendo aqui, mas elas fluem em conjunto de forma coesa. Todos os movimentos são, na verdade, bem suaves, mas a combinação de seus efeitos é incrivelmente perturbadora.

As instalações públicas com ilustrações do mangá e do filme animado também apareceram, como observado por outro usuário do Twitter:

Uma retícula de um Tetsuo gigante (o antagonista principal na série de mangá e no filme animado) em Shibuya (Tóquio). Acho que prefiro a técnica de padrão Moiré.

Para muitas pessoas ao redor do mundo, a história e os temas de Akira continuam sendo instigantes.

Em 1988, eu nunca tinha visto nada igual ao Akira em termos visuais e sonoros. Era comprido, mas ao mesmo tempo bem rápido. E no final de tudo, eu não tinha mais nenhuma ideia sobre o que era o filme em comparação com o que eu imaginava no começo. @DavidBennun sobre o 30º aniversário do anime de sucesso.

Em um ensaio para comemorar o trigésimo aniversário de Akira, o ensaísta David Bennun escreve o seguinte:

What I now grasp is that it was, and is, different in Japan. For the simple and very good reason that Japan was, and is – and we can only hope remains – the only nation to have actually experienced nuclear warfare.

O que eu entendi é que era, e ainda é, diferente no Japão. Pela simples razão de que o Japão era, e é – e só podemos torcer que continue sendo – a única nação que realmente vivenciou a guerra nuclear.

Você pode pesquisar mais comentários sobre Akira através das hashtags #アキラ#Akira#Akira30, e #AKIRA_Animation_30th_Anniversary.

Para uma visão geral adequada do enredo e dos personagens de Akira, aqui está um trailer do filme feito por um fã, em inglês:

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