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Maung Maung dedicou sua vida em Mianmar a colecionar discos de vinil

Maung Maung mostra um gramofone. Foto de Myo Min Soe / The Irrawaddy.

Este artigo editado por Wei Yan Aung foi retirado do The Irrawaddy, um site de notícias independente de Mianmar, e reproduzido pela Global Voices como parte de um acordo de compartilhamento de conteúdo.

No início da década de 1960, quando Maung Maung cursava a 7ª série, sua avó deu a ele um gramofone da marca His Master’s Voice (HMV), localmente chamada de “a marca de gramofone do cachorro”, um presente que o dominou pelo resto de sua vida.

“Esse foi um dos vários motivos que me inspirou a colecionar discos de vinil”, disse Maung Maung, popularmente conhecido como o pesquisador Maung Maung.

Quando o assunto é a história do gramofone em Mianmar, ninguém sabe tanto quanto Maung Maung. Seu acervo de discos reunido por quase um século inclui desde os registros de uma peça encenada por Saya Pu, uma artista da corte no reinado de Thibaw Min – último monarca de Mianmar no final do século XIX – ao último disco produzido em Mianmar em 1976 pelo músico clássico Kyaukpadaung Kyaw Lwin.

Ele começou a colecionar discos quando era estudante, depois que sua avó o presenteou com um gramofone, e continuou sua coleção por diferentes fases de sua vida, como estudante universitário, agente de polícia e, então, advogado.

Os discos registraram músicas clássicas, cultura tradicional e acontecimentos históricos de Mianmar que anteriormente eram transmitidos de geração para geração oralmente, e também por meio dos livros e da literatura, afirmou.

Gramofones e acessórios. Foto de Myo Min Soe / The Irrawaddy

Around 1972 I was attending university [in Yangon] and gramophones started to lose popularity. Because of the invention of cassette players and the decline in quality of gramophone records.

Por volta de 1972, eu estava cursando a universidade (em Yangon) e os gramofones começaram a se tornar menos populares, por causa da invenção dos toca-fitas e da diminuição da qualidade dos discos.

Ele relacionou o declínio da qualidade ao sistema socialista adotado pelo Partido do Programa Socialista da Birmânia na época.

À medida que os toca-fitas se tornavam populares, as pessoas vendiam seus antigos gramofones para os distribuidores.

At that time, people started to exchange their gramophones for cassette players. Later, gramophones were [discarded and] stacked in piles like bricks. Nobody would stop you if you take them because people thought they were garbage and you’ve just cleared it. If I had been the director-general of [State Broadcaster] Myanma Radio and Television [MRTV], I would have taken them by car.

Naquela época, as pessoas começaram a trocar seus gramofones por toca-fitas. Mais tarde, os gramofones foram [descartados e] empilhados como tijolos. Ninguém impediria você, caso decidisse pegá-los, porque as pessoas pensavam que os gramofones eram lixo e que você só os estava coletando. Se eu fosse o diretor geral da Myanma Radio and Television [MRTV, sigla em inglês – emissora estatal de rádio e de televisão de Mianmar], eu teria levado os discos de carro.

Ele vasculhou as pilhas de gramofones e discos em Yangon e levou seus favoritos de volta para sua terra natal, o município de Daik-U na região de Bago.

Depois de se formar na universidade, trabalhou como professor em Daik-U e ensinou Nacionalismo e Literatura de Mianmar a seus alunos, retirando o conteúdo do Anyeint [tradicional programa de entretenimento birmanês] e das músicas das marionetes tocadas [por ele] nos discos.

Livro de pesquisa sobre discos de vinil de Maung Maung. Foto de Myo Min Soe / The Irrawaddy

Então, ele ingressou nas forças policiais e serviu como chefe de polícia em diferentes municípios da região de Bago.

Quando ficava sabendo que alguém tinha algum disco raro, ia até o local levando seu gramofone. Ele comprava os discos quando seus proprietários os vendia, mas quando isso não era possível, pedia para que os donos dos discos deixassem que ele os tocasse em seu gramofone.

Ele continuou colecionando os discos na época em que trabalhava como advogado depois de se aposentar do serviço policial, adquirindo gramofones e discos de seus clientes e amigos.

Uma vez, o ex-ministro de Informação, U Kyi Aung, que também é um fanático por gramofone, pediu a Maung que doasse seus discos ao seu ministério, mas ele se recusou.

No entanto, com a autorização do ministro, teve a oportunidade de agrupar os discos da MRTV de acordo com o gênero musical.

Coleções de discos na casa de Maung Maung. Foto de Myo Min Soe / The Irrawaddy

MRTV has plenty of gramophone records, but not as many as my archive in terms of records with real historical values, for example, only I have the original record of the song Doh Bamar which was the origin of today’s Myanmar national anthem and sung by Thakhins in colonial period. However, that was very beneficial to my research on gramophones. I am grateful to authorities for this.

A MRTV tem muitos discos, mas, em comparação ao meu arquivo, não tantos em termos de gravações com valor histórico real; por exemplo, eu sou o único que possui a gravação original da música Doh Bamar que deu origem ao hino nacional de Mianmar, cantado por Thakhins no período colonial. Contudo, isso foi muito importante para a minha pesquisa sobre gramofones. Sou grato às autoridades por isso.

Baseado na sua coleção de discos, recortes de jornais, anúncios e referências, Maung Maung publicou um livro de 1.000 páginas com sua pesquisa sobre a história dos discos de vinil em seu país, pelo qual ganhou o prêmio nacional de literatura em 2015.

Sobre o futuro dos mais de 100.000 discos que juntou durante quase seis décadas, disse:

Frankly speaking, I don’t expect to receive help from the [information] ministry. If I say something, they [information ministry officials] would reply they would submit a letter to the minister or come back again at this or that time. I don’t care. In fact, they should come to us. If they don’t, I will do it on my own. But if there are people who know the value and can afford to keep my records in a museum or alike, I will transfer them. I’ll keep on collecting those records. That’s my life.

Para falar com franqueza, eu não espero receber ajuda do Ministério [de Informação]. Se eu dissesse alguma coisa, eles [responsáveis pelo Ministério da Informação] poderiam responder dizendo que encaminhariam uma carta ao ministro ou retornariam novamente agora ou naquela época. Eu não me importo. Na verdade, eles devem vir até nós. Se eles não o fizerem, eu mesmo vou até eles. Mas caso existam pessoas que reconheçam o valor dos meus discos e possam arcar com sua manutenção em um museu ou instituição similar, eu irei doá-los. Vou continuar a colecioná-los. Essa é a minha vida.

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