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Redes sociais ganham espaço relevante no debate público no Gana

A mídia digital tornou-se muito popular no Gana. Foto de SandisterTei disponível sob licença Creative Commons Atribuição 3.0 genérica

Em meio à intensa disputa pelo poder, durante a eleição presidencial no Gana de 2016, algo singular ocorreu no país e ganhou terreno. As redes sociais e plataformas online tornaram-se vias cruciais para o eleitorado. Conquistar votos nos meios digitais passou a ser tão importante quanto nos comícios.

Não apenas políticos despertaram para o poder da Internet. A sociedade civil também está tirando vantagem da ascensão das plataformas sociais, potencializando a popularidade desse meio para demandar bons serviços públicos, como acesso à eletricidade sem interrupções.

Com o objetivo de aumentar a transparência no processo legislativo, a organização não governamental Odekro está desenvolvendo uma plataforma nacional onde o público terá acesso a projetos de lei, petições e debates parlamentares. Em 2016, a Odekro publicou um relatório na Internet sobre a performance de membros do parlamento do Gana para informar o público sobre a atuação de seus representantes políticos. Foi usada a hashtag #GhParliament para engajar usuários na causa.

Outra iniciativa criada nessa nação do oeste da África tem servido de instrumento para que cidadãos garantam nas redes sociais prestação de contas por parte do governo. Imani Africa ajudou a liderar um dos maiores protestos feitos pela classe média ganesa para exigir a melhoria no acesso à eletricidade. O movimento começou com a hashtag #OccupyFlagStaffHouse, em 2014. Antes do protesto, os cidadãos tinham, em geral, eletricidade por cerca de 12 horas por dia. Atualmente, a população tem acesso consistente e regular à energia elétrica.

Desde então, Imani Africa ganhou relevância no país. A organização especializou-se na área de meio ambiente e divulga análises e estudos independentes e objetivos em vários tópicos, além de defender abertamente a privatização da empresa pública de eletricidade para garantir o fornecimento eficiente de energia elétrica aos usuários.

Recentemente, eles organizaram um fórum na capital Acra para debater a “Governança na Era das Redes Sociais“, com foco no Gana e na Suíça.

O presidente fundador da Imani Africa, Franklin Cudjoe, discursou sobre o uso das redes socais pelos ganeses para questionar atos de corrupção e prestações de contas duvidosas:

One bemusing media revelation that was recently made was how the Ghana Minerals Commission reported that Ghana’s total gold receipts for 2016 from all its trading partners was $1.7bn when the Embassy of Switzerland reported that Switzerland alone purchased $2bn worth of gold from Ghana for the same year. Some social media commentators latched onto this confounding story and concluded that this was one of the grand schemes by former government officials to illicitly transfer funds into safer havens. They may be wrong, but the deafening silence from the minerals commission was not helpful.

Today, Ghanaians on social media are quick to make permutations of what number of public schools, hospitals, roads and sanitised water systems could have been constructed had certain amounts of public money not been diverted into private pockets or lavishly spent on the growing number of government appointees. And yes, we also troll our public officials and public figures when they make mistakes. And in this era of fake news on social media, its gotten even merrier.

Uma revelação desconcertante feita recentemente pela imprensa foi a de que a Comissão de Minério do Gana informou que o faturamento com a venda de ouro aos parceiros comerciais, em 2016, totalizou $1,7 bilhões, enquanto a Embaixada da Suíça declarou que a Suíça sozinha comprou $2 bilhões de ouro ganês nesse mesmo ano. Alguns comentaristas nas redes sociais acompanharam essa história frustrante e concluíram que esse foi um dos grandes esquemas criado por integrantes do governo anterior de transferência ilícita de fundos para paraísos fiscais. Eles podem estar errados, mas o silêncio ensurdecedor por parte da comissão não foi nada útil.

Hoje, ganeses nas mídias sociais conseguem fazer rapidamente a matemática de quantas escolas públicas, estradas e quantos sistemas de água potável poderiam ter sido construídos, se esse montante de dinheiro público não houvesse sido desviado para o bolso de alguém ou gasto de maneira irresponsável em um número crescente de indicados políticos. E, sim, também colocamos a boca no trombone quando nossos funcionários públicos cometem erros. E nessa era de fake news nas redes sociais, isso fica ainda mais interessante.

A presidente da Suíça, Doris Leuthard, também participou do evento e discursou no fórum. Ela contou que seu governo criou plataformas de acesso público para cidadãos identificarem problemas de infraestrutura e informarem às autoridades competentes para que os corrijam.

Zurique tem uma ferramenta online em que cidadãos podem informar as autoridades sobre danos de infraestrutura – Doris Leuthard [presidente da Suíça]

Mas ainda há muito a ser feito. O usuário @K_amofah tuitou sobre sua frustração pelo fato de as massas não estarem fazendo o bastante no uso das redes sociais para interferir na tomada de decisões no Gana:

No caso do Gana, não há absolutamente nenhuma forma do cidadão participar das tomadas de decisão. Ganhe uma eleição e torne-se um sábio cibernético.

Alhamudulilah (@lilmodulo) também levantou a questão sobre se Gana realmente beneficiou-se por ter sido o primeiro país africano a ter acesso à Internet:

Em 1994, Gana tornou-se o primeiro país da África a estar conectado na Internet. Eu me pergunto, em que isso beneficiou nossa economia?

Cerca de 28% dos mais de 7 milhões de ganeses têm acesso à Internet, a maioria por meio do celular. Essa realidade faz com que o Gana esteja à frente da maioria dos países da região, embora fique atrás do Quênia, da África do Sul e da Nigéria. A alta taxa de penetração de telefones móveis de 128% no Gana (reflexo de um número alto de pessoas que têm mais de um plano de celular) pode ajudar a pavimentar o caminho para que mais ganeses tenham acesso à Internet e possam participar dos debates de interesse público nas redes sociais.

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