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Mães dos activistas presos em Angola proibidas de protestar

Libertem os 15 activistas. Pedrowski Teca. Reprodução autorizada.

Libertem os 15 activistas. Facebook: Pedrowski Teca. Reprodução autorizada.

A informação é do blogue Maka Angola que dá conta que o Governo Provincial de Luanda, capital do país, mudou de ideias ao declinar o trajecto final da marcha prevista para sábado (08.08.15) quando esta havia sido autorizada, numa primeira instância.

A decisão foi tomada sob o pretexto de que a trajectória, a ser realizada pelas mães e familiares dos jovens presos, “está muito próxima dos órgãos de soberania”, pondo em causa a segurança do Estado:

 “De conformidade com a Lei acima referida, por razões de segurança as autoridades competentes poderão impedir a realização de reuniões ou manifestações em lugares públicos situados a menos de 100 metros das sedes dos órgãos de soberania, dos acampamentos e instalações de forças militares e militarizadas, dos estabelecimentos prisionais e das sedes dos partidos políticos”.

Mbanza Hamza, um dos 15 ativistas detidos. Foto: Central Angola 7311. Reproducao autorizada

Mbanza Hamza, um dos 15 activistas detidos. Foto: Central Angola 7311. Reprodução autorizada

A mãe de Mbanza Hama, um dos 15 jovens detidos, diz que vai participar na manifestação apesar da proibição. Leonor Odete João, disse ao mesmo portal “não terem armas, facas ou catanas”, apenas querem ser ouvidas: “Vamos sair vestidas de panos, como mães africanas, para nos ouvirem e libertarem os nossos filhos”, declara Leonor João ao Maka Angola.

No Facebook, entre muitos comentários, destaca-se a intervenção de Ventirinel de Sousa Jr:

Mulher Guerreira e Com Atitude…
“Nós, mães e familiares, não temos armas, não temos facas ou catanas nem nada.” ||
Não queremos atacar ninguém. Se não querem a marcha, libertem os nossos filhos.

Pedrowski Teca dá conta, através do seu Facebook, que a Procuradoria Geral da Republica está reunida de urgência com as mães e os familiares dos activistas:

PGR reúne com as mães dos detidos. Neste preciso momento, no Palácio da Justiça, na Cidade Alta, o Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa, está reunido com os familiares dos jovens activistas cívicos detidos e acusados de tentativa de golpe de Estado pelo mesmo. A reunião urgente é vista como uma tentativa desesperada para impedir a manifestação/marcha que os familiares dos detidos convocaram para exigirem a liberdade dos seus filhos amanhã. Frente ao Palácio da Justiça, estão jornalistas de vários órgãos de comunicação social, agentes da Polícia e do SINSE e outras individualidades. Aguardamos pelo desfecho do encontro. ‪#‎LibertemOsNossosIrmãos

No dia 20 de Junho, a policia angolana capturou 15 jovens sob o pretexto de estarem a preparar um atentado contra o Presidente José Eduardo dos Santos. Os activistas estão na prisão há 45 dias e apesar das várias intervenções e manifestações, a nível local e internacional, o Governo de Angola mantém a teoria de “tentativa de golpe de Estado” e está obstinado a manter estes jovens na prisão.