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PRISM infecta a Rússia com receio de uma guerra cibernética

Preparem-se. A guerra cibernética está a caminho.

Desde a semana passada, quando o mundo tomou conhecimento sobre o PRISM, um vasto e secreto programa americano de vigilância electrónica, agentes oficiais russos expressaram as suas renovadas preocupações sobre redes sociais estrangeiras, as quais poderão representar uma ameaça à segurança nacional. Um dia após as notícias sobre o programa dos Estados Unidos, no dia 7 de Junho de 2013, o vice-primeiro-ministro Dmitry Rogozin comentou [ru] com os repórteres que páginas como o Facebook e o Twitter são componentes de uma vasta campanha americana contra a Rússia:

Через них идет мощнейшая манипуляция общественным мнением, ведь всякие “лайки” и прочие кнопки, которые вы там нажимаете, моментально вводят вас в определенные группы, которые потом анализируются, систематизируются. […] Тем самым увеличивается количество тех людей, которые начинают получать специальную контентную информацию, подрывающую авторитет власти и ценности государства. […]

Através delas [as redes sociais americanas], existe uma poderosa e continua manipulação da opinião pública – de facto, cada “gosto” e cada “clique” colocam-nos instantaneamente num certo grupo, o qual é então analisado e classificado. […] Ao fazê-lo, aumenta o número de pessoas, as quais começam a receber conteúdo especial que corrói a autoridade e o valor do Estado. […]

Dmitry Rogozin, as Russian Ambassador to NATO and Special Envoy on missile defense, 29 June 2011, photo by Security & Defence Agenda, CC 2.0.

Dmitry Rogozin, como embaixador russo na OTAN e representante especial sobre defesa de mísseis, 29 de Junho de 2011, foto da Agenda de Segurança e Defesa, CC 2.0.

No dia 11 de Junho, numa carta [en] dirigida a Rogozin e outras figuras de segurança, Ilya Kostunov, um deputado da Duma, pediu uma regulamentação mais restrita no que respeita à actividade de oficiais estaduais na Internet, devido à preocupação de que burocratas russos discutam abertamente ou façam o upload de segredos governamentais em comunicações através de websites americanos (nomeadamente, o serviço de correio electrónico do Google, o Gmail). Numa conversa [ru] através do Twitter, Kostunov falou sobre a possível implementação das suas propostas de regulamentações, mas deparou-se com algumas discórdias no que respeita à necessidade de uma legislação adicional e de uma própria classificação criminal para o upload de materiais secretos para um servidor estrangeiro.

O especialista em comunicações Petr Pervushkin argumentou [ru] que uma rede virtual fechada destinada a comunicações privadas já existe dentro do governo russo já há sete anos, ainda que outro utilizador do Twitter coloque essa figura [ru] mais próximo de quatro anos. Apenas o funcionário do partido russo Aleksandr Luchin mencionou a existência de regras, já em acção, que proíbem a discussão de segredos de Estado na Internet em websites como o Google e o Facebook, mas admitiu [ru] que as regulamentações não estipulavam nenhuma penalização. Luchin propôs ligar tais infracções ao código criminal existente para divulgação de segredos estatais (embora, não tenha especificado [ru] se se referia ao Artigo 283 ou 284, os quais ameaçam com uma pena de prisão máxima de quatro e três anos, respectivamente), ao passo que Kostunov defendeu que tais acções deveriam ser consideradas como traição (Artigo 275), o qual acarreta uma sentença de prisão até 20 anos. (Foi esta investida para classificar o delito como traição que levou o repórter Leo Mirani, da qz.com, a declarar [en], talvez através de uma hipérbole, que a Rússia está “a intensificar a sua guerra contra as redes sociais.”)

Entretanto, o blogger e guru da RuNet Anton Nosik afirma [ru] que o director de estação televisiva se recusou a emitir a sua mais recente participação na OTR, o novo canal de televisão pública na Rússia, quando durante as filmagens Nosik criticou os comentários de Rogozin sobre a suposta guerra cibernética americana contra a Rússia. Nosik fez parte de um episódio do programa “A Rede Social” (The Social Network em inglês), ao responder a uma série de questões relacionadas com a RuNet, tendo sido a primeira sobre as observações de Rogozin. Depois de quatro dias de silêncio após a sua visita ao estúdio televisivo, Nosik dirigiu-se ao LiveJournal por uma segunda vez para comentar [ru] sobre a curiosa ausência do seu aparecimento no website oficial [ru] da OTR:

Как я и предполагал, моё интервью […] не попал ни в их загадочный эфир, ни даже на сайт. Потому что, как выясняется, для этого супернезависимого телеканала неприкасаемыми фигурами являются не только Путин и Собянин, но и вице-премьер Рогозин. Самое время Общественному телевидению открывать программы про кошечек, собачек и кулинарию.

Assim como eu esperava, a minha entrevista […] não apareceu em parte alguma dos arquivos misteriosos [da televisão], ou até mesmo no website. Porque, aparentemente, para este canal de televisão súper independente, as figuras intocáveis não são unicamente Putin e Sobyanin, mas incluem também o vice-primeiro-ministro Rogozin. Mais vale a OTR começar a difundir programas sobre gatinhos, cãezinhos e culinária.

Nosik raramente responde às centenas de comentários dos leitores assíduos das suas publicações no seu blog, contudo, um membro da audiência conseguiu provocar uma reacção, quando acusou [ru] Nosik de adaptar uma abordagem “inapropriada para a televisão,” argumentando que Nosik tinha criticado Rogozin mal a emissão do programa tinha começado, sem uma “nuance” ou sequer estabelecer primeiro o contexto para a sua crítica. Nosik escreveu uma resposta [ru] para dizer que nunca se tinha deparado com tal problema em centenas de entrevistas já dadas em outros canais de televisão durante os últimos vinte anos.

Embora seja verdade que a OTR ainda não tenha emitido ou até mesmo publicado no seu website o segmento de Nosik, a sua entrevista de treze minutos pode ser vista no canal oficial da OTR no YouTube (acima). Os problemas da estação com Nosik apareceram na mesma semana que outro escândalo de censura [ru] em volta de um outro episódio de “A Rede Social”, onde os anfitriões Vladislav Sorokin e Ekaterina Voronina fizeram uma brincadeira com o recente divórcio de Vladimir Putin, ao partilhar um falso perfil [en] no website de encontros mashable.com do agora solteiro Presidente da Rússia. Quando a estação se recusou a emitir o episódio “por razões técnicas” [ru], Sorokin e Voronina anunciaram nas suas páginas do Facebook [ru] que se iriam demitir do programa no final do mês.

A imagem utilizada nesta publicação foi feita por Kevin Rothrock, criada [en] através do Memegenerator.net. Visite Memegenerator.net para captar o seu próprio memes.
Tradução editada por Débora Medeiros como parte do projeto Global Voices Lingua