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Rússia: Graus de responsabilidade

 

Marat Gelman – usuário do Live Journal, negociante de arte russo e assumidamente assessor de imprensa de Victor Yanukovych, em 2004 – descreve (RUS) sua recente pincelada com a realidade multi-nível da Rússia :

I've been invited to [the state-owned Radio Mayak] today, their evening show, at 9 PM. A girl with a pass came down to the entrance and called to me. The guard told her (as if I didn't exist): I'm not letting him through. He's drunk. I saw him stagger. (I've got my iPod in my ear, and I must have been doing a little dance while I waited). And he just wouldn't yield up. I said, OK, fine, no questions, I've got other things to do. The girl's eyes popped. The show was about to get canceled. “Marat Aleksandrovich,” she asks, “have you been drinking?”

I could barely keep myself from laughing. Went out for a cigarette while she was pressuring the guard with the help of her bosses. I could've left, by the way, had the moral right to do so. And then let them decide “who caused the cancellation of the show.”

When some customs official at [Moscow's Sheremetyevo Airport] decided that [the work] of [Blue Noses, “the pranksters of the Russian art scene] was disagreeable to the senses of those who love Putin, his bosses were also far away and the paintings were [not allowed out of the country]. Then [the Western media wrote that Putin's regime had initiated and exercised censorship].

My point is that the idiot customs official has as much to do with Putin's regime as this office building guard has to do with [Mayak Radio]. But it's necessary for the bosses to be around.

Fui convidado para [a Rádio Mayak, de propriedade estatal] hoje, no programa da noite, às 21 horas. Uma menina com um passe veio até à entrada e me chamou. O segurança disse ela (como se eu não existisse): Eu não vou deixá-lo passar. Ele está embriagado. Eu vi ele cambaleando. (Eu tinha o meu iPod no ouvido, e devo ter dançado um pouco enquanto esperava). E ele simplesmente não iria ceder. Eu disse, OK, tudo bem, sem perguntas, tenho outras coisas para fazer. Os olhos da menina saltaram. O show estava prestes a ser cancelado. “Marat Aleksandrovich”, ela perguntou, “você bebeu?”

Eu mal podia conter a risada. Saí para fumar um cigarro enquanto ela estava pressionando o segurança, com a ajuda de seus chefes. Eu poderia ter ido embora, a propósito, tinha o direito moral de fazê-lo. E deixar que eles decidissem “quem provocou o cancelamento do show.”

Quando algum funcionário do [Aeroporto Sheremetyevo de Moscou] decidiu que [o trabalho] [da Blue Noses, os brincalhões da cena artística Russa] foi desagradável aos sentidos para todos aqueles que gostam de Putin, seus chefes também foram longe e as pinturas foram [proibidas fora do país]. Então [A mídia ocidental escreveu que o regime de Putin tinha começado e exercido a censura].

Minha opinião é a de que o idiota funcionário tem tanto a ver com o regime de Putin como este escritório de segurança tem a ver com [Mayak Radio]. Mas é necessário que os patrões estejam por perto.

Alguns leitores não concordam com Gelman, naturalmente:

viktop:

They do have something to do with it, both of them. Bosses determine the behavior of their employees. And so, under a different regime, both guys would have had a somewhat different understanding of their responsibilities.

Eles têm algo a ver com isso, ambos. Patrões determinam o comportamento de seus empregados. E assim, sob um regime diferente, ambos os rapazes teriam tido uma compreensão um pouco diferente das suas responsabilidades.

***

shlagbaum:

Yes, it's funny. Everything's still there. A guard (aka as a [hotel guard], aka as “an old lady sitting by the entrance”) remain kings in our reality and turn this reality into [sovok], and sovok has a really strong base at some level exactly because it relies on the feelings that motivate such a “guard” – to get satisfaction from exercising authority without any personal financial gain. Spirituality, in a way :) […]

Sim, é engraçado. Tudo continua lá. Um segurança (também conhecido como [guarda de hotel], também conhecido como “uma velha senhora sentada na entrada”) permanecem reis na nossa realidade e transformam esta realidade em [sovok], e sovok realmente tem uma base forte em algum nível exatamente porque ela age sobre os sentimentos que motivam o “guarda” – a obter satisfação de exercer autoridade, sem qualquer ganho financeiro pessoal. Espiritualidade, de certo modo:) […]

***

bel_ok:

When no one is punished for the death of a submarine crew and the country's president smiles in response, and when later no one is punished again for using grenades and tanks at a school [in Beslan, in Sept. 2004], this is when the guards and customs officials begin to understand that there is no one to punish them for anything that they do, that everything will be forgiven and forgotten. […]

Ninguém é punido pela morte de uma tripulação submarina e o presidente do país sorri em resposta, e mais tarde, ninguém é punido novamente por usar granadas e tanques de uma escola [em Beslan, em setembro de 2004], ou seja, guardas e funcionários do governo começam a perceber que não há ninguém para puni-los por tudo que eles fazem, e tudo será perdoado e esquecido. […]

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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