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Despedida a Lina Ben Mhenni, blogueira tunisiana e defensora dos direitos humanos

Lina Ben Mhenni em junho de 2013. Foto de Habib M’henni, usada sob permissão, Wikimedia Commons.

A proeminente blogueira tunisiana e defensora dos direitos humanos Lina Ben Mhenni faleceu nesta segunda-feira, dia 27 de janeiro de 2020, aos 36 anos de idade.

Lina foi uma figura importante na Revolução Tunisiana (parte da Primavera Árabe) que derrubou, em janeiro de 2011, a ditadura de Zine el Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos. Quando a revolução começou, em dezembro de 2010, Lina viajou para as cidades de Sidi Bouzid e Kasserine, onde ela cobriu os primeiros protestos, antes de eles se espalharem para outras regiões do país. Os relatos de Lina ajudaram a tornar pública a violenta repressão das autoridades, em um período em que a liberdade de imprensa e dos veículos de comunicação era muito restrita na Tunísia, sendo a internet bastante censurada.

Antes do colapso do regime, ela escreveu e postou sobre a situação dos direitos humanos em seu premiado blogue chamado A Tunisian Girl. Ela também era uma colaboradora da Global Voices, onde escreveu amplamente sobre censura à internet, repressão a blogueiros e liberdade de expressão sob o regime de Ben Ali.

Lina continuou com seu incansável ativismo após a revolução. Ela era crítica ao Movimento Ennahdha (partido político islamita), que governou a Tunísia com outros dois partidos do final de 2011 até o começo de 2014. Durante esse período, violações aos direitos humanos e às liberdades individuais continuaram a acontecer, inclusive em locais sagrados. Ben Mhenni recebeu ameaças de morte devido a suas críticas aos islamistas e às autoridades.

Ben Mhenni também defendia direitos socioeconômicos e culturais para todos os tunisianos. Ela era uma grande apoiadora dos direitos daqueles que foram feridos durante a revolução, advogando o direito à indenização e aos devidos cuidados médicos. Em 2016, junto de seu pai Sadok Ben Mhenni, um ativista político e defensor dos direitos humanos que foi preso durante o regime de Bourguiba (presidente da Tunísia após a independência do país), ela lançou uma campanha para arrecadar livros para detentos a fim de acabar com a radicalização nas prisões. Eles arrecadaram mais de 45 mil livros em dois anos.

A premiada blogueira morreu em consequência de uma doença crônica que exigiu que ela fizesse um transplante de rim em 2007.

Ao falar para uma rádio local em 14 de fevereiro de 2019, Lina homenageou sua mãe por ter doado um rim e ter apoiado o ativismo da filha. Lina afirmou:

“Thanks to her I got to live another 12 years I may not have lived, or I would have lived a prisoner in my own body. But I have fully lived these years thanks to her. I travelled, I moved, I filmed, I ran, I screamed, and I lived the Tunisian revolution, something I may not have been able to live…”

“Graças a ela eu tive a oportunidade de viver mais 12 anos que, talvez, eu não teria vivido ou teria vivido como prisioneira do meu próprio corpo. Mas eu vivi plenamente esses anos graças a ela. Eu viajei, eu me mexi, eu filmei, eu corri, eu gritei e eu vivi a Revolução Tunisiana, algo que eu não teria sido capaz de viver…”

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