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Espaço cultural palestino em Haifa recupera a voz autêntica dos artistas

Foto de Manjim. Todas as imagens foram utilizadas mediante autorização de Rana Asali.

Este artigo foi originalmente publicado por Mangal Media. Republicado no Global Voices mediante autorização.

Artistas emergentes, curadores, cientistas malucos e qualquer pessoa que busque a troca de ideias, acaba de ser criado um lugar contagiante, na cidade de Haifa, que tem como objetivo tornar-se um paraíso seguro para a arte experimental e alternativa.

Manjm (منجم), que se traduz como “mina” ou “boa oportunidade”, é um laboratório artístico que desafia todas as expectativas. Fica localizado próximo à estação ferroviária de Haifa (que já pertenceu às ferrovias de Hejaz), à mesquita de Al Istiqlal, ao monumento King Faisal, ao Mercado de Pulgas de Haifa e ao bairro Wadi Salib. Os fundadores do Manjm, Rabia Salfiti e Tamer Kais, conceberam o espaço como uma “Zona Autônoma Temporária” em homenagem ao poeta e anarquista Hakim Bey.

Foto de Manjim. Todas as imagens foram utilizadas mediante autorização de Rana Asali.

Manjm é um celeiro de ideias intenso e acolhedor. Os programas deste espaço criativo incluem uma galeria de arte e um laboratório — um espaço para explorar o vasto mundo da arte e da cultura por meio de diferentes pontos de vista, com atividades que vão desde sessões de contação de histórias, workshops, debates, palestras até experiências interativas. Outros programas incluem jantares secretos, filmes underground e exibições de filmes organizadas por curadores que se alternam a cada mês. Ao final de cada exibição são realizados debates e representações artísticas. Junto ao poderoso quarteto fundador está uma corrente de amigos voluntários que ajudam a iniciativa.

“Ao caminhar pelo espaço, é possível ter a sensação de que ainda existe uma obra em andamento; e é assim que nós queremos que seja. As pessoas entram em uma galeria inacabada, um espaço onde é possível experienciar as coisas. É assim que uma comunidade é construída,” diz Rabia Salfiti, fundador do espaço e artista conceitual de vanguarda: “Um espaço inacabado que convida as pessoas a colaborar, deixando-as à vontade e fazendo parte do lugar.”

Foto de Manjim. Todas as imagens foram utilizadas mediante autorização de Rana Asali.

Criar um coletivo dinâmico é vital para Manjm. O espaço é financiado por uma mistura de subsídios e contribuições de seus fundadores e depende da participação da comunidade para divulgar a programação.

O piso de madeira — colocado pelos próprios fundadores e amigos, e não por pessoas especializadas — demonstra a determinação do grupo em criar um espaço que represente seus próprios ideais e desejos de colaboracionismo.

“Arte e cultura autêntica e não apologética”

Haifa, cidade de 300.000 habitantes que abriga Manjm, é parte do moderno Estado de Israel que está incrustado nas fronteiras da histórica Palestina. Recentemente, a cidade tem assistido ao boom da arte e da cultura palestina, agora que os residentes palestinos da cidade estão reivindicando sua cultura, identidade e espaço.

Como é habitual com Estados coloniais, Israel se apropria da arte e da cultura palestina e as devolve novamente aos palestinos sem qualquer sinal de identidade e pertencimento. É por isso que o Manjm deseja proporcionar a arte e a cultura autêntica, não apologética e independente.

Foto de Manjim. Todas as imagens foram utilizadas mediante autorização de Rana Asali.

Outras instituições em Haifa que também compartilham a mesma causa de Manjm incluem o Kabareet, bar e boate fundada pelo grupo underground Jazar Crew; o teatro Khashabi, cooperativa independente de produtores teatrais palestinos; o Scene Music Bar; o Festival de Cinema Independente de Haifa; assim como outras oficinas educativas e publicações alternativas independentes. Essas instituições estão trabalhando em conjunto para descolonizar as mentes e almas dos moradores de Haifa.

Esse é um processo natural e orgânico, produto de uma harmonia natural, da continuidade de Haifa das décadas de 1930 e 1940, quando cafés e clubes pan-árabes prosperavam em toda a cidade. Cenário que foi interrompido pela ofensiva colonialista israelense — o Nakba — em 1948.

Foto de Manjim. Todas as imagens foram utilizadas mediante autorização de Rana Asali.

Manjm convida todas as “crianças rebeldes” de todos os lugares do mundo a participar. Nas palavras do poeta americano e anarquista Hakim Bey, “as crianças rebeldes são as únicas que realmente desejam compartilhar o destino dos bárbaros fugitivos ou das pequenas guerrilhas em vez de dar ordens, os únicos que conseguem compreender que reconhecer e libertar são o mesmo ato – esses rebeldes são, em sua maioria, artistas, anarquistas, libertinos, hereges, marginalizados (tanto por seu grupo quanto por todo o mundo) – ou são capazes de se comprometer como só as crianças rebeldes se comprometem, com o olhar atento sobre uma mesa de jantar, enquanto os adultos se atrapalham atrás de suas máscaras”.

Em apenas dois meses de existência, o local organizou duas exposições de arte (cada uma com duração de um mês), um mercado de alimentos palestinos (chamado de Kayan Project), duas noites com exibição de filmes (Cinema Al Bahja), e cinco workshops e eventos de arte experimental. O evento para o lançamento oficial do espaço ocorrerá no dia 27 de fevereiro de 2018.

Seguindo esse ritmo impressionante, parece que Haifa será um lugar muito bonito e vibrante neste verão.

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