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Síria: moradores de uma cidade sitiada aprendem a cultivar cogumelos para sobreviver

Imagem do vídeo promocional. Fonte: CanDoAction

Desde o começo da Revolução Síria em 2011 e sua consequente guerra civil, muitas cidades aos arredores do país sofrem com severos bloqueios e cercos militares de forças aliadas ao regime de Assad.

De acordo com o Siege Watch, uma iniciativa conjunta da organização PAX e do instituto de pesquisa The Syria Institute, cerca de 1 bilhão de sírios vivem em situação de sítio nas regiões urbanas e rurais de Damasco, além das províncias de Homs, Deir Ezzor e Idlib.

Uma área particularmente afetada é Ghouta Oriental, que sofreu um ataque químico em agosto de 2013, causando a morte de centenas de civis. Diversas organizações internacionais, governos e a oposição síria concluíram com base nas investigações da ONU e de outros grupos de direitos humanos que o massacre foi a mando do regime de Assad.

A região controlada por rebeldes logo nos arredores de Damasco está cercada desde 2013, deixando os moradores dependentes dos alimentos produzidos no local ou de comida contrabandeada pelos túneis e postos de controle.

Anos de bloqueio militar fizeram com que itens básicos como carne ficassem fora da mesa do cidadão comum. Em resposta, um grupo de humanitaristas sírios e acadêmicos estão ensinando os moradores de Ghouta Oriental a cultivarem cogumelos como “uma fonte de sobrevivência”.

O grupo se chama Ghiras Al Nahda e coordenam o projeto junto com outra ONG local, a Adala Foundation.

Cultivar cogumelos não é comum na Síria e tampouco faz parte da culinária local, mas seus benefícios alimentares fizeram desse item uma valiosa fonte nutritiva para muitas pessoas em Ghouta Oriental.

Abu Nabil, diretor do projeto, disse à agência AFP:

We turned to cultivating mushrooms because they're a food that has high nutritional value, similar to meat, and can be grown inside houses and basements.

Escolhemos os cogumelos por seu alto valor nutritivo semelhante ao da carne e pela facilidade de cultivo, que pode ser dentro de casa e nos porões.

Dr. Ahmed Leila, um dos organizadores, disse ao Global Voices que os últimos três anos foram de muitos esforços para que o projeto ganhasse visibilidade, e que agora está aliviado por “finalmente ver uma luz no fim do túnel”.

Os organizadores em conjunto com o grupo Ghiras Al-Nahda iniciaram uma campanha na plataforma de crowdfunding CanDo, para arrecadar fundos para a iniciativa. Dr. Leila disse ainda que o projeto pretende ajudar 125 famílias a cultivar cogumelos.

Até a finalização deste artigo, as doações já tinham ultrapassado a meta de aproximadamente 14.800 dólares. As doações foram feitas até o dia quatro de setembro.

O projeto depende de geradores para manter uma temperatura estável de 25 graus e umidade do ar em 80%. Devido ao baixo fornecimento de combustível, os geradores funcionam à base de um combustível extraído do plástico produzido localmente.

Dr. Leila disse ao Global Voices que eles começaram “produzindo sementes de cogumelos que davam naturalmente na região” antes de analisarem e avaliarem a qualidade e as condições de consumo.

Desse modo, foi construída uma pequena plantação de cogumelos em uma bandeja e, quando se comprovou o resultado positivo, uma bandeja maior passou a ser utilizada, e assim por diante. Agora, existe uma “fazenda educativa para a região”.

Desde o início do projeto e por mais de três meses, cogumelos foram distribuídos gratuitamente na região de Ghouta Oriental.

Dr. Leila explicou que ensinar pessoas a cultivar cogumelos faz parte de um movimento educacional ainda maior e que existem outras razões para a iniciativa:

1- Breaking the Siege.
2- Providing a new food source on the market.
3- Spreading the culture of self-sustenance by benefiting from the remains at homes (like paper, tea, coffee ground, carton etc) and convert it to food.
4- Employing more of the labour force, especially women working from home.
5- Employing those with specia needs who are restricted to their homes.

  1. Furar o bloqueio
  2. Introduzir uma nova fonte de comida no mercado
  3. Divulgar a cultura da autossustentabilidade, utilizando restos de produtos encontrados em casa, como papel, chá, pó de café, papelão, etc.; e transformá-los em alimentos.
  4. Gerar empregos, especialmente para mulheres que trabalhem de casa.
  5. Gerar empregos também para portadores de necessidades especiais que não podem sair de casa.

Ele acrescenta que espera “espalhar essa ideia pelo mundo para que todos saibam do sucesso do projeto e da luta contra a fome e o bloqueio”.

“Queremos que nossa experiência inspire outros lugares e assim possamos ajudar a humanidade”.

A entrevista com o Dr. Ahmed Leila foi conduzida por Joey Ayoub e traduzida por Elias Abou Jaoude.

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