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Grécia: “Dar à Luz Não é Privilégio dos Ricos!”

Este post faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.

Sentimentos de repulsa e raiva foram causados pela notícia publicada no jornal Eleftherotypia (Liberdade de Imprensa) [el] a 5 de Dezembro de 2011, que revela que alguns hospitais públicos na Grécia recusaram atendimento a mulheres em trabalho de parto, porque não tinham dinheiro para pagar as taxas de 950 euros.

Os incidentes aconteceram em Novembro de 2011, em hospitais públicos de Atenas, Tessalónica, Rhodes e Rethymnon. Nestes casos o custo do “tratamento hospitalar integrado unificado”, segundo a lista de preços do Ministério da Saúde, sai a 950 euros para parto natural e 1500 euros para partos por cesariana. As mulheres grávidas pagam o valor adiantado e depois os custos são compensados com o subsídio de nascimento.

Birth. Photograph by Flickr user riqfy (CC BY-NC-SA 2.0).

Nascimento. Foto do utilizador do Flickr riqfy (CC BY-NC-SA 2.0).

Depois de vários dias de atraso, o Ministério da Saúde interveio com uma circular a informar que [el] no futuro não serão exigidos pagamentos adiantados nessa quantia, deixando no entanto em aberto a questão das diferenças de preço entre a lista oficial de preços e o subsídio de nascimento atribuído.

Duas organizações ligadas aos direitos da mulher, a “Iniciativa das Mulheres Contra a Dívida e Medidas de Austeridade”e o “Movimento das Mulheres Independentes” começou a alertar para estes episódios:

Dar à luz não é privilégio dos ricos! Exigimos partos gratuitos, exigimos que os fundos de resgate vão directamente para o sector da saúde…

A notícia foi partilhada e comentada em várias redes sociais pelos cidadãos gregos online.

Dimitris Oikonomou expressou a sua vergonha sobre o sucedido [el]:

@d_oikon: ΝΤΡΟΠΗΗΗΗ…! Που φτάσαμε γαμώτο!! [Έδιωξαν από νοσοκομεία ετοιμόγεννες που δεν είχαν χρήματα…]
@d_oikon: QUE VERGONHAAAA…! Raios, como viemos parar aqui? [Mulheres em parto foram descartadas por hospitais porque não tinham dinheiro…]
Enquanto o utilizador da rede Gangelakis acrescenta, no espírito da época natalícia [el]:
@Gangelakis: Και ο Χριστός σε σπηλιά γεννήθηκε: Δημόσια νοσοκομεία αρνήθηκαν α περιθάλψουν ετοιμόγεννες,επειδή δν είχαν ν πληρώσουν
@Gangelakis: O próprio Jesus Cristo nasceu numa caverna: Hospitais públicos recusaram tratamento a mulheres em parto porque não tinham dinheiro para pagar
A utilizadora Nemi Vl comentou [el] no status update do seu Facebook:
Ένα ένα τα διαβάζω σήμερα, σκάνε σαν χαστούκια…
A ler as notícias de hoje, é uma a seguir à outra…. como levar um estalo na cara…
O utilizador Lector realça a essência do incidente [el] num fórum de discussão:
Δεν κοιταξαν την ταυτοτητα αλλα το πορτοφολι.
Não olharam para o bilhete de identidade, olharam à carteira.
No mesmo fórum, simonbolivar faz uma comparação [el] com o sistema de saúde americano:
Η ΑΠΟΛΥΤΗ ΞΕΦΤΙΛΑ!
Ο ΔΙΑΣΥΡΜΟΣ ΕΝΟΣ ΣΥΣΤΗΜΑΤΟΣ,ΚΑΙ ΜΙΑΣ ΚΥΒΕΡΝΗΣΗΣ!
Μας κανανε Αμερικη,οπου αν δεν εχεις καλη ασφαλιση εισαι τελειωμενος!
UMA HUMILHAÇÃO COMPLETA!
A VILIFICAÇÃO DE UM MECANISMO E UM GOVERNO!
Tornaram-nos na América, onde estás acabado se não tens um bom seguro!

Enquanto que, no mesmo tom, Isis junta um trago de ironia à mistura num fórum diferente [el]:

Συγκίνηση, γινόμαστε Αμερική.
Ακούς εκεί να ξεγεννάνε δωρεάν τα δημόσια νοσοκομεία. Κατάργηση και του επιδόματος τοκετού ΤΩΡΑ.
Sinto-me tocado, estamos a tornar-nos na América.
Dar à luz de graça em hospitais públicos? Impossível. É acabar com o subsídio de nascimento já AGORA também.

Num portal de notícias onde a notícia foi partilhada, o leitor Harry deixa clara a sua raiva num comentário ao post original sobre as despesas de hospital [el] e a forma como se lida com a maternidade:

Από όλες τις επιθέσεις που έχω δεχτεί από το κράτος (χαράτσια, ΔΕΗ, φόροι) πρέπει να πω ότι η μεγαλύτερη οργή μου προκαλείται από το πως αντιμετωπίζει την έγκυο γυναίκα μου. Η ασφάλειά μου δεν καλύπτει τίποτα πλέον (ΤΕΒΕ) και το νοσοκομείο είναι πανάκριβο και για κλάμματα. Κάθε κράτος στηρίζει την μητρότητα εκτός από την Ελλάδα. Αν συνεχίσει αυτή η κατάσταση θα μεταναστεύσουμε σε άλλη χώρα οικογενειακώς.
De entre todos os ataques que já sofri pelo estado (impostos pesados, electricidade, impostos adicionais), tenho a dizer que o que me deixa mais furioso é o tratamento que a minha mulher grávida enfrenta. O meu seguro já não cobre nada (Fundo para Trabalhadores Independentes e Artesãos) e o hospital é muito caro com um serviço revoltante. Se esta situação continua, vou pegar na minha família toda e vamos para fora como imigrantes.
O utilizador do Twitter Jordi critica os responsáveis [el]:
@jorjito73: Έδιωξαν από νοσοκομεία ετοιμόγεννες που δεν είχαν χρήματα…Όχι δεν φταίει ο Λοβέρδος, οι ανάλγητες διοικήσεις…
Mulheres em trabalho de parto foram rejeitadas por hospitais porque não tinham dinheiro… Culpa do Loverdos [Ministro da Saúde]? Claro que não, culpem a administração cruel…
A discussão depois passou para assuntos completamente diferentes sobre o futuro do país e os seus futuros cidadãos [el]:
@katerinas_diary: @jorjito73 επεμβαίνουν και στο μέλλον της φυλής δηλαδή.. Αν οι άνεργες κλπ ετοιμόγεννες δεν θα γίνονται δεκτές στα δημόσια νοσοκομεία!!!
@katerinas_diary@jorjito73 Eles interferem com o futuro da raça, isto é… Se mulheres desempregadas que querem dar à luz não são admitidas em hospitais públicos!!!
@jorjito73: @katerinas_diary Είναι μια αρχή κι αυτή για να διαμορφώσουν οριστικά & αμετάκλητα το εκλογικό σώμα τα επόμενα χρόνια… Αίσχος και κατάντια
@jorjito73@katerinas_diary É o princípio da formação do eleitorado durante os próximos anos, de uma vez por todas… Vergonha e degradação.

O número de nascimentos na Grécia parece ter decrescido em 15% ao longo do último ano [el], enquanto a situação económica agreste tem forçado muitos casais a adiarem o primeiro ou segundo filho.

Este post faz parte da nossa cobertura especial Europa em Crise.

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