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Somos o Global Voices. Cinco Anos Depois.

A seguir, o primeiro de uma série de posts em apoio à campanha de arrecadamento de fundos 2009-2010 do Global Voices. Se você deseja apoiar nosso trabalho, por favor visite nossa página de Doações. Obrigado!

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gv_bdayDavid Sasaki, diretor do Rising Voices, escreveu uma retrospectiva encantadora para o quinto aniversário do Global Voices. Cinco anos atrás, neste mês, David viajava pelos Estados Unidos, da Califórnia até Harvard, para um longo dia de workshop sobre global blogging. O workshop – pouco mais que uma sessão estruturada de brainstorming – foi chamado de “Global Voices Online.” O site que você está lendo hoje começou como um blog que Ethan Zuckerman e eu criamos para organizar o workshop. Nosso objetivo, de maneira simples, era discutir como “utilizar blogs e ferramentas de blog para ajudar pessoas em diferentes países a manter conversações mais significativas e diretas entre si.” A discussão do dia foi parte de uma grande conferência de Sociedade e Internet organizada pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade. O Open Society Institute generosamente nos concedeu alguns fundos para trazer blogueiros de várias partes do mundo. Fizemos a divulgação do evento na web, e muitos outros – como David – simplesmente apareceram. Graças a Deus.

Aqui está um artigo que eu escrevi logo após a reunião. Aqui está o post do Ethan no dia seguinte. Nós não inventamos um plano concreto para dominar o mundo – ou mesmo para um projeto coerente. Os participantes concordaram em criar uma wiki para compartilhar informação, um canal no Internet Relay Chat (IRC) para novas reuniões on-line, e um agregador de blogs dos participantes da conferência e de  outros como eles que passamos a chamar de “blogueiros ponte”. Não estávamos certos de onde chegaríamos a partir disso.

Uma coisa, porém, era clara: uma massa crítica de blogueiros com valores semelhantes estava surgindo ao redor do globo. Parecia uma boa idéia para “ligar os pontos” (como Jeff Ooi pontuou) entre essas pessoas e criar uma plataforma para esta comunidade emergente. Nas semanas seguintes à conferência, um número de participantes usaram uma wiki para articular os valores desta comunidade. O Manifesto Global Voices foi o resultado. Vale a pena reproduzir na íntegra aqui, porque tudo que o Global Voices faz hoje continua a ser impulsionado por esses valores fundamentais:

We believe in free speech: in protecting the right to speak — and the right to listen. We believe in universal access to the tools of speech.

To that end, we seek to enable everyone who wants to speak to have the means to speak — and everyone who wants to hear that speech, the means to listen to it.

Thanks to new tools, speech need no longer be controlled by those who own the means of publishing and distribution, or by governments that would restrict thought and communication.

Now, anyone can wield the power of the press. Everyone can tell their stories to the world.
We seek to build bridges across the gulfs that divide people, so as to understand each other more fully. We seek to work together more effectively, and act more powerfully.

We believe in the power of direct connection. The bond between individuals from different worlds is personal, political and powerful. We believe conversation across boundaries is essential to a future that is free, fair, prosperous and sustainable – for all citizens of this planet.

While we continue to work and speak as individuals, we also seek to identify and promote our shared interests and goals. We pledge to respect, assist, teach, learn from, and listen to one other.

We are Global Voices.

Nós acreditamos na liberdade de expressão: protegendo o direito de falar — e o direito de ouvir. Nós acreditamos no acesso universal as ferramentas de expressão.

Para esse fim, nós queremos que todo mundo que queira se expressar tenha os mecanismos adequados — e qualquer um que queira ouvir e entender essa mensagem, tenha os recursos para ouvi-la e compreendê-la.

Graças as novas ferramentas, as formas de expressão não precisam mais ser controladas pelos que possuem os mecanismos tradicionais de publicação e distribuição, ou pelo governo que pode restringir a reflexão e a comunicação.

Agora, qualquer um pode experimentar o poder da imprensa. Todos podem contar suas histórias para o mundo. Nos queremos construir ligações entre as culturas e línguas que dividem as pessoas, para que elas se entendam mais profundamente. Nós queremos trabalhar juntos e mais efetivamente, agindo de forma mais enérgica.

Nós acreditamos no poder da comunicação direta. O elo entre indivíduos de diferentes mundos é pessoal, político e poderoso. Nós acreditamos que o diálogo através das fronteiras é essencial para um futuro livre, justo, próspero e sustentável – para todos os cidadãos deste planeta.

Enquanto nós continuamos a trabalhar e a se expressar como indivíduos, nós também queremos identificar e promover nossos interesses e objetivos comuns. Nós nos comprometemos a respeitar, assistir, ensinar, aprender e a ouvir o próximo.

Nós somos o Global Voices (Vozes Globais)

Temos agora uma equipe multinacional surpreendente que atua como administradores de várias partes do Global Voices. Mas a alma da GV são as centenas de voluntários que dedicam seu tempo fora de seus empregos, estudos, e obrigações familiares para ajudar a construir uma sociedade mais aberta e participativa do discurso público mundial.

Members of the Global Voices community at the 2006 Summit in Delhi, India. Photo by Jace.

Membros da comunidade Global Voices na Conferência de 2006, em Delhi, Índia. Foto por Jace.

A história detalhada de como o Global Voices evoluiu e como seus vários ramos funcionam – incluindo o Rising Voices, o Global Voices Advocacy, e Global Voices Lingua – pode ser encontrada em muitos lugares, incluindo na seção Sobre e no FAQ deste site. As notícias sobre o projeto estão aqui. Desde 2004, nós tivemos encontros físicos em Londres (2005), Delhi (2006) e Budapeste (2008). Estamos ansiosos para outra reunião em 2010 (local e data a serem anunciados em breve).

Em 2006, Ethan e eu escrevemos um artigo para a revista Nieman Reports em que procuramos explicar a relação entre o Global Voices e o Jornalismo. David tem um outro excelente post sobre porque outreach, advocacia e tradução são necessários para ajudar as pessoas a superar os obstáculos de falar, ser ouvidos, e ouvir os outros.

Muitas pessoas ao redor do mundo estão frustradas que a mídia de massa em Inglês ignora seu país a maior parte do tempo, ou cobre apenas as coisas ruins sobre o seu país, ou tende a estereotipá-los. Eles vêem o GV como uma valiosa plataforma através da qual podem levar suas histórias e pontos de vista, ampliados para uma ampla audiência global. Outros estão frustrados por seus próprios meios de comunicação nacionais falharem em cobrir grande parte do mundo, fazerem isso de forma ruim ou de uma forma tendenciosa que suporta a visão de mundo de seu governo e, portanto, acreditam que traduzindo o conteúdo do GV em sua língua local podem melhorar a compreensão da sua comunidade a respeito do mundo. Outros se concentram em ajudar as comunidades que ainda não estão tirando proveito das novas tecnologias para divulgar sua história. Outros se uniram numa causa comum contra a censura e repressão daqueles que estão meramente exercendo seu direito universal à liberdade de expressão nos termos do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A comunidade GV não se deixou ficar atolada em debates infindáveis sobre se os bloggers são ou não são jornalistas, ou o que a Internet significa para o negócio de notícias. Nem o GV se complica em discussões sobre se a Internet será ou não uma força para a democratização global. Como uma comunidade, estamos mais interessados em arregaçar as mangas e começar a trabalhar, resolvendo um problema mais tangível: preencher algumas das lacunas no discurso público global e fazer o necessário a respeito dos enormes desequilíbrios, desigualdades e injustiças na mídia global. Independentemente de como definam esse trabalho, nós acreditamos que o que estamos fazendo tem valor e faz a diferença.

Somos gratos que uma série de organizações tem considerado o nosso trabalho merecedor de seu apoio financeiro. Nós desenvolvemos relacionamentos com organizações de notícias que seguem o nosso trabalho e nos procuram porque – independemente de como definam o que nós fazemos – a nossa comunidade é uma fonte valiosa de informação global e novas perspectivas. É por isso que a Reuters proveu um apoio central crítico em nossos primeiros três anos, e por isso que muitas organizações de notícias continuam a trabalhar com os nossos editores e entrar em contato com nossos voluntários para entrevistas. Embora não possamos dizer que transformamos completamente a mídia global, acreditamos que chamamos a atenção da mídia global para uma série de histórias que poderiam, de outra forma, não serem relatadas, e fornecemos novas perspectivas em outras inúmeros grandes notícias internacionais. Isso por si só fez toda a empresa valer a pena.

O que é ainda mais emocionante é a maneira pela qual o Global Voices tem impactado a vida dos nossos editores, voluntários e membros da comunidade mais ampla. Nós nos tornamos um hub através do qual um grupo incrível de pessoas talentosas, articuladas e carinhosas podem encontrar satisfação, reconhecimento global, e apoio da comunidade. Clique aqui para ler sobre como o Rising Voices trouxe mais vozes diversas para conversas nacionais e globais, e o que isso significou para os indivíduos e as comunidades envolvidas. Para ter uma noção do quão incríveis são os nossos voluntários, leia e ouça alguns dos perfis dos blogueiros publicados aqui.

O GV teve também um impacto sobre várias comunidades de blogs em todo o mundo; comunidades as quais não temos nenhuma relação formal – a exceção de referenciá-las e traduzir alguns dos seus posts de vez em quando. Apenas um exemplo: Ethan descreveu recentemente uma reveladora conversa com um jovem blogueiro do Quirguistão, Bektour Iskender sobre o impacto que alguns de nossos trabalhos têm tido na Ásia Central.

O que poderia resultar de um ambiente de mídia global um pouco mais democrático, aberto e participativo não está claro. Na reunião de 2004, o blogueiro iraniano Hossein Derakhshan manifestou a esperança de que a difusão da mídia cidadã online tornaria as sociedades mais democráticas e guerras mais difíceis de serem justificadas pelos governos. “Hoder”, como ele é conhecido na internet, está preso pelo regime de Ahmadinejad há mais de um ano, e não está claro se contatos entre iranianos e ocidentais seria um fator decisivo na posição dos EUA em atacar ou não o Irã . Escritores como Evgeny Morozov argumentam que, ao contrário do otimismo inicial sobre a Internet como uma força de democratização, as ditaduras estão descobrindo como usar a Internet para consolidar seu poder e suprimir a dissidência – e que a Internet em muitos países é dominada por manipulação, desinformação e ódio. Outros, como Clay Shirky e Patrick Meier argumentam que ainda há razão para otimismo. Outros ainda apontam que a maioria das pessoas do planeta têm problemas mais urgentes – como a sobrevivência física – e todos acima, incluindo o trabalho do Global Voices, são irrelevantes para eles de qualquer maneira.

Cinco anos atrás Ory Okolloh – que viria a fundar a descontroladamente bem sucedida plataforma de reportagem cidadã Ushahidi – fez alguns comentários que valem a pena revisitar, no contexto dos debates. Aqui está como eu relatei as suas palavras no momento:

Kenyan blogger Ory Okolloh doesn't expect Africa to be transformed by blogging any time soon. Bridging the digital divide is perhaps the least of Africa's many problems. Nonetheless, she thinks blogging is important – if not transformative – for the small number of Africans who do blog. “For young people, we have not been heard, we don't have a space in Africa within politics or in other arenas to express ourselves,” Okolloh says. “I think it could provide a forum for young people to create their own space. I don't think it will change politics per se or determine an election but I think it can breed community in ways that have not been able to take place before.”

A blogueira queniana Ory Okolloh não espera que a África se transforme pelos blogs tão brevemente. Estreitar a inclusão digital é talvez o menor de muitos problemas da África. No entanto, ela acha que blogar é importante – se não uma tarefa transformadora – para o pequeno número de africanos que blogam. “Para os jovens, não temos sido ouvidos, não temos um espaço dentro da política na África ou em outras áreas para nos expressarmos”, diz Okolloh. “Eu acho que blogs poderiam fornecer um fórum para jovens criarem seu próprio espaço. Eu não acho que vá mudar a política per se ou determinar uma eleição, mas acho que ele pode criar uma comunidade em formas que jamais aconteceram antes.”

A mídia cidadã online está produzindo novas formas de comunidade a nível local, nacional e global. O GV se tornou um tecido conjuntivo amplo entre a comunidade queniana de blogs da Ory e outros blogueiros em todo o mundo que compartilham valores semelhantes.

Enquanto o Global Voices procura influenciar as histórias relatadas pela mídia tradicional – a maioria das quais servem nações ou regiões específicas – também estamos construindo uma plataforma para um discurso global, e uma comunidade de cidadãos globais em torno desse discurso. Nós usamos a Internet não para escapar de nossa humanidade, mas para afirmá-la. Nós acreditamos que escolhas e ações individuais fazem a diferença. Se a Internet vai, em última análise, capacitar mais do que escravizar depende se assumimos responsabilidade sobre o nosso futuro e agimos. Construir uma comunidade multi-cultural e multi-linguística focada em projetos específicos apoiados por um conjunto de valores humanistas é apenas um pequeno esforço nesse sentido.

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