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Captura de um dos maiores criminosos de Moçambique gera debate controverso

No primeiro dia que voltou às celas, Nini afirmou que vai sair em breve | primeira página do SAVANA de 03 de Agosto, 2018 | captada pelo autor

Trata-se de Momade Assife Abdul Satar, ou simplesmente Nini, um dos condenados no assassinato do jornalista moçambicano e fundador da primeira cooperativa de jornalistas, Carlos Cardoso, em Novembro de 2000.

Nini foi capturado após a emissão do mandado de captura internacional pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM), uma medida que surgiu depois da revogação da liberdade condicional que lhe foi concedida, em Setembro de 2014, após cumprir metade da pena de 24 anos.

Na altura da sua soltura, um dos motivos pelos quais a direcção da cadeia recomendou a concessão de liberdade condicional a Nini foi o facto de ter mostrado arrependimento pelos seus crimes.

Sobre este facto, Tomás Vieira Mário, comentador televisivo, disse não perceber as razões que levaram a soltura de Nini, chegando mesmo a considerar que foi uma falha da justiça moçambicana ao proceder de tal forma:

O que é comportar-se bem? Quer dizer o que precisamente? Quais são os referendos que são usados para alguém com crimes dessa natureza poder sair em liberdade condicional e depois mais tarde autorizar-se lhe que vá para o estrangeiro em termos mais ou menos indefinidos.

Durante o tempo em que esteve fora das celas, Nini publicou de forma constante através da sua conta Facebook, vários textos acusatórios contra o sistema de justiça em Moçambique, bem como contra algumas figuras políticas.

De acordo com a PGR, num comunicado distribuído à imprensa, em 2017, Nini liderava uma organização criminosa e raptava moçambicanos com o propósito de exigir avultadas quantias em dinheiro.

O retorno às celas

A captura de Nini ocorreu na Reino da Tailândia, um país do sudeste asiático. Na altura, Nini estava na posse de um passaporte falso, em nome de Sahime Mohammad Aslam.

A imprensa sul-africana avança que Nini Satar está envolvido em casos de raptos também na vizinha África do Sul, mas as autoridades moçambicanas não confirmam e aguardam por uma comunicação formal do país vizinho.

Apesar de não ter feito menção ao tipo dos processos, sabe-se que a questão dos raptos domina o conteúdo acusatório que, mais uma vez, deverá devolver Nini Satar ao banco dos réus.

Em torno destes processos, recorde-se, um magistrado do Ministério Público e arguidos acusados de directa ou indirectamente estarem envolvidos, já foram assassinados.

Através de um vídeo publicado no Youtube, foi possível ver um dos momentos em que Nini deixa o Aeroporto da Bangkok (Tailândia) para ser extraditado até Maputo (Moçambique):

Nas redes sociais, a captura e extradição de Nini foi motivo de debate, sobretudo para questionar as razões que teriam levado para que este fosse solto, uma vez que Nini aparecia exposto publicamente e de forma permanente, como fez notar Jenny Baptista:

Que notícia mais estúpida! Estava mesmo foragido o Nini Satar que quase diariamente postava de tudo no Facebook e algumas vezes com localização? Ja não sabem o que inventar?

Caliste Meque Meque questiona mesmo se Nini pode ou não ser considerado como foragido, uma vez que foi a própria justiça moçambicana que promoveu a sua soltura:

Nini Satar saiu em liberdade condicional no dia 5 de Setembro de 2014, depois de cumprir metade da pena de 24 anos, em conexão com o assassinato do jornalista Carlos .Senhora procuradora, alguém em liberdade condicional é um fugitivo?

Houve quem usasse a captura de Nini para enviar um recardo aos dirigentes políticos em Moçambique, como foi o caso de Eduardo Domingos:

O criminoso mais perigoso de Moçambique é aquele que endividou o país e a justiça tem medo de lhe prender. Criminoso mais perigoso de Moçambique é aquele que sem escrupulo diz que se tiver oportunidade faria dívidas ocultas outra vez para si e sua família.

Quem atormenta a justiça dum Estado e todas suas instituições esse sim é criminoso mais perigoso de Moçambique. O criminoso mais perigoso de Moçambique é aquele que mata nos hospitais centenas e centenas de pessoas por falta de medicamentos. Criminoso mais perigoso de Moçambique é aquele que condenou a desnutriçao cronica a 45% das nossas criancas.

No Twitter, a notícia foi divulgada como uma amostra do fracasso do trabalho que foi realizado pela polícia de Moçambique e da África do Sul para capturar Nini:

O chefão do sequestro, Nini Satar, operando em #Moçambique e #África do Sul, foi preso e interrogado na Tailândia. Moçambique e a polícia sul-africana não conseguiram prendê-lo. Isso é o que você chama policía profissional.

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