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‘Garotas da Rua da Revolução’ protestam contra leis que obrigam o uso do Hijab

Mulheres com hijabs protestam na segunda-feira, 29 de janeiro. Composição de imagens #دختران_خیابان_انقلاب  com fotos da conta de Twitter de Omid Memarian.

Uma enxurrada de corajosas mulheres iranianas tomou as ruas de Teerã para protestar contra o uso compulsório do véu.

Fotos de suas manifestações circularam amplamente on-line com a hashtag #دختران_خیابان_انقلاب (traduzida para o inglês como #Girls_of_Enghelab_Street [Garotas da Rua Enghelab em português). Até a tarde do dia 29 de janeiro, ao menos duas mulheres (das seis que aparecem na foto) foram presas.

Os protestos começaram logo após uma ação similar de uma iraniana chamada Vida Movahed, presa no dia 27 de dezembro de 2017, depois que uma foto sua agitando silenciosamente o hijab com a cabeça descoberta na rua Enghelab em Teerã (“Enghelab significa “revolução” em persa) tornou-se viral. Movahed foi solta da prisão em 27 de janeiro.

Após a Revolução Islâmica de 1979, o hijab passou a ser obrigatório em várias etapas. A lei foi inicialmente apresentada em março de 1979; centenas de milhares de mulheres iranianas, inicialmente apoiadoras da revolução contra a monarquia, saíram às ruas  para protestar contra a lei. No ano seguinte, o uso tornou-se obrigatório em departamentos públicos e governamentais até 1983, quando a obrigatoriedade foi estendida a todas as mulheres.

Flashback: protesto contra o hijab em Teerã, Irã, em 1979, um dia antes de o regime teocrático ter começado a impor à força e violentamente o véu às mulheres.

A foto do protesto de Movahed, em cima de uma caixa elétrica na Rua Enghelab, tornou-se viral no contexto de uma onda de protestos antigoverno que varreram o país desde o dia 28 de dezembro de 2017.

Uma mulher sem véu no Irã protesta desafiadoramente em manifestação antigoverno. Devemos manter os olhares internacionais focados. Houve repressão brutal pelo Estado no passado recente. Não podemos deixar que isso aconteça novamente. Usando #Iranprotests

Mas a provocação de Movahed foi, na verdade, um ícone equivocado para os protestos pelo país. Ela, na realidade, realizou a ação como parte de seu próprio protesto singular em 27 de dezembro de 2017, para a campanha Quarta-feira Branca, na qual mulheres iranianas postavam suas fotos on-line vestidas de branco enquanto descartavam seus véus com a hashtag #whitewednesday. A campanha era parte do movimento My Stealthy Freedom (‘Minha Liberdade Furtiva’), fundado pela jornalista exilada Masih Alinejad contra o hijab mandatório para mulheres.

Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional começaram a advogar pela libertação de Movahed depois da divulgação de que ela havia sido presa pouco após o seu protesto em cima da caixa elétrica na Rua Enghelab. Em 28 de janeiro, Nasrin Sotoudeh, uma advogada de direitos humanos no Irã, conhecida (e comumente perseguida) por defender ativistas e membros da oposição, anunciou em sua página no Facebook que Movahed fora libertada no dia anterior:

دختر خیابان انقلاب آزاد شد.
در مراجعه‌ای که برای پیگیری پرونده‌ی دختر خیابان انقلاب به دادسرا داشتم، مدیر دفتر گفت که وی آزاد شده است. خوشحالم که او دیروز به خانه برگشته است. امیدوارم با پرونده‌سازی قضایی، وی را که از حقی ساده و یقینی استفاده کرده است، مورد اذیت و آزار قرار ندهند. او هیچ کاری نکرده است تا مستحق تعقیب قضایی باشد. دست‌تان را از سر او کوتاه کنید.

A mulher da rua da revolução foi libertada.

Quando voltei ao Ministério Público para verificar o caso da garota da Rua Enghelab, o promotor me disse que ela foi liberada. Estou feliz por saber que ela voltou para casa ontem. Espero que esse caso judicial não seja usado para persegui-la por haver lutado por seus direitos. Ela não fez nada para justificar um processo. Por favor, não ponham as mãos nela [direcionado às autoridades].

Um dia depois da notícia da libertação de Movahed, várias mulheres imitaram o seu gesto, subindo em caixas elétricas na Rua Engheblad:

Uma fonte informada disse à Campanha por Direitos Humanos no Irã que Narges Hosseini, uma das manifestantes na Rua Enghelab, foi presa em 29 de janeiro. #garotas_daRevolução

Outras mulheres assumiram posições similares, tirando seus hijabs em diferentes ruas de Teerã, e também em Isfahan, uma cidade no centro do Irã, de acordo com relatos de informações coletivas no site de Nariman Gharib www.enghelabgirls.com. Porém, o simbolismo dos protestos iniciais da Rua Enghelab, ou “Rua da Revolução”, não foi perdido nesses eventos seguintes.

Fato interessante: A primeira mulher a protestar – então anônima – o fez na rua “revolução”. E ela rapidamente ganhou o título de “garota da rua revolução”, isso rapidamente converteu-se na hashtag #دختران_انقلاب “garotas da revolução” depois de outras se juntarem à ela. #دختران_خیابان_انقلاب

Na tarde de 30 de janeiro, várias outras mulheres foram vistas em Teerã tirando seus véus, além de um homem.

Poderoso: um homem iraniano protesta contra o uso compulsório de hijab, copiando ato de desafio das mulheres via @valaamagham

Foto recebida: o cruzamento da Rua Vali Asr com a Rua Rasht #Teerã #não_ao_hijab_compulsório

O movimento My Stealthy Freedom, que organizou a Quarta-Feira Branca, campanha em que Movahed participava em seu ato original de desafio, foi fundado por Masih Alinejad. Alinejad e seu movimento são controversos no Irã, e por vezes submetidos a campanhas de difamação pela mídia iraniana, além de serem associados com o ativismo de oposição dentro do país.

Na página do Facebook do “My Stealthy Freedom”, Alinejad Alinejad acolheu pessoas que previamente haviam atacado sua campanha, mas que agora estão engajadas em discutir e se opor ao hijab compulsório à luz da #girls_of_Enghelab_street:

Our #WhiteWednesdays campaign has been making an unstoppable impact and we are more than overjoyed. We are gratified to realize that the compulsory veil is no longer something than can be easily dismissed. It has always been an important issue as it relates to women's freedom of choice. It is our most basic right. Our campaign has come a long way. We have also realized that people who attacked us yesterday are now onboard supporting our struggle. We warmly welcome them. We at my #StealthyFreedom do not judge people; our campaign is based on mutual respect.

Nossa campanha #Quarta-FeirasBrancas tem promovido um impacto incessante e estamos mais que felizes. Estamos satisfeitas em perceber que o véu compulsório não é mais algo que pode ser facilmente ignorado. Sempre foi uma questão importante já que se relaciona à liberdade de escolha das mulheres. É nosso direito mais básico. Nossa campanha percorreu um longo caminho.Também descobrimos que pessoas que nos atacavam antes estão agora apoiando a nossa luta. Nós calorosamente as acolhemos. O #StealthyFreedom não julga as pessoas; nossa campanha é baseada em respeito mútuo.

Uma voz feminina notável nas redes sociais iranianas, Zahra Safyari, declarou seu apoio ao #Girls_of_Enghelab_Street e ao direito das mulheres iranianas de escolher usar ou não o hijab:

Não sou uma chadori [quem veste um manto que cobre todo o corpo chamado chador]. Escolhi por vontade própria ser coberta pelo véu, não pela escolha da minha família, nem pelo meu ambiente e ou pelas condições do meu trabalho. Sou muito feliz com minha escolha, mas sou contra o hijab mandatório e apoio o #Girls_of_Enghelab_Street. Com religião e hijab não deve haver força.

Safyari fez questão de distanciar os protestos de Masih Alinejad ou de qualquer movimento oposicionista que visa derrubar o establishment iraniano:

#Girls_of_Enghelab_Street não são derrubadoras de regimes, seguidoras de Masih Alinejad nem recebedoras de  dinheiro algum. Elas são garotas dessa terra iraniana que buscam seus direitos básicos.

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