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No poder há 37 anos, José Eduardo dos Santos promete retirar-se mas há quem não acredite em grandes mudanças

Assembleia Nacional em Luanda, capital de Angola. Foto: By David Stanley from Nanaimo, Canada - National Assembly Building, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=42610320

Assembleia Nacional em Luanda, capital de Angola. Foto: David Stanley from Nanaimo, Canada. CC BY 2.0,

Depois de 37 anos no poder, o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos (JES), anunciou que não vai se recandidatar à presidência do país nas eleições gerais marcadas para 2017. Segundo a rádio pública (RNA), o atual ministro da Defesa e vice-presidente do partido Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), João Lourenço, terá sido “nomeado” o cabeça-de-lista do partido para as próximas presidenciais.

Em março do corrente ano, numa notícia adiantada pelo Global Voices, o líder angolano vinha a público anunciar a reforma política em 2018, poucos acreditam na novidade. Por essa razão, há quem se mantenha na expectativa de “ver para crer”, isto porque se consta que JES vai-se manter na liderança do MPLA depois de deixar a presidência do país.

Graciano Celebridade defende não só a saída de JES como de toda a estrutura MPLA do poder:

O mais importante não [é] a nomeação do João Lourenço, [mas] sim a saída do partido dos amigos de Salazar…o MPLA mostrou que já não tem competência de governar esse país, praticamente fazem [da governação] um meio de enriquecer as [suas] riquezas. Alguém me [indique] um membro central do MPLA que não [seja] rico? Esquecem-se dos verdadeiros motivos pelo qual governam esse país…já fui da JMPLA, só vi muita sacanagem. [O] MPLA só precisa do povo quando quer votos…

No mesmo diapasão alinha Dorivaldoy Doy:

Eu sou apologista em dizer que o MPLA precisa de ser substituído, não se precisa outro homem do M. Para ser presidente de Angola, sim. Precisa-se um Homem de um outro Partido não importa qual, mas [pelo] menos alguém que seja do M. O MPLA, tem que ser, ou seja deve experimentar ser opositor, ou seja tem que ser um partido da oposição e não no poder… Chega de governar!… Queremos novas experiências…

Nelson Tavares defende a saída de José Eduardo dos Santos:

É tempo do presidente ir descansar, e gozar um pouco a vida, e dar oportunidade a outros, para que exista novas ideias e quem sabe uma nova força para continuar a reconstruir o País.

Há quem acredite que a indicação de João Lourenço é só uma forma de José Eduardo dos Santos perpetuar o seu poder, segundo Mariza Lopez Aziram:

João Lourenço pode até ser Presidente, mas o kota Zé e todo o elenco do MPLA vão continuar a dar ordens no kota João Lourenço. Por isso mesmo que mudem de Presidente as coisas [continuarão] na mesma.

Um dos mais engajados ativistas angolanos, Rafael Marques, dúvida da transição no MPLA:

(…) Rafael Marques afirma que esta questão diz respeito aos militantes do MPLA, mas alerta que é prática do Presidente da República anunciar as grandes decisões no exterior do país. Marques lembra que Dos Santos já fez anúncios da sua retirada do poder várias vezes e que se o Presidente não revelou a sua saída da política em 2017, não se pode falar de qualquer transição.

Sobre o mesmo assunto, José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) e próximo do Executivo não vislumbra nenhuma mudança:

Acho que com os recursos do país bem geridos pode, se calhar, haver um crescimento superior ao atual, mas as linhas mestras estão traçadas no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) com o qual o partido no poder se regula numa perspetiva de eleições para o próximo ano.

Por seu lado, o economista e professor universitário Faustino Mumbica acredita que as pessoas cogitadas para a substituição da liderança do partido no poder padecem dos mesmos vícios e por isso não espera nada de novo.

Tratam-se de mudanças que eventualmente não trarão grandes resultados, tendo em conta que as pessoas que vão substituir já se encontram comprometidas com o mesmo circuito, os seus nomes também estão envolvidos em escândalos e eventualmente não tenham moral para fazer grandes roturas com as práticas do passado.

Fora de portas a notícia da saída de JES teve igualmente uma grande repercussão:

Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos (74) vai sair depois de 37 anos no poder. Mugabe segura-se, apesar do falhanço catastrófico.

Zenaida Machado, pesquisadora da Human Watch Rights para Angola e Moçambique alerta os outros líderes Africanos:

Yahya Jammeh perdeu as eleições… José Eduardo dos Santos nomeia o sucessor. Presidentes Mugabe, Obiang… Estão a seguir as noticias?

Em Portugal, o Jornal Expresso avançou a notícia em primeira mão:

O MPLA vai anunciar amanhã, 10 de dezembro (dia de aniversário do partido), os nomes dos militantes que vão concorrer às eleições angolanas de 2017.