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Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa: É Aceitável o Concurso “Miss Black France”?

Enquanto os franceses ainda estão em meio às eleições presidenciais [en], com a aproximação do segundo turno, a acontecer entre os dias 5 e 6 de maio de 2012, outra votação foi objeto de posts na semana passada: a do concurso para “Miss Black France“.

Na página do evento, agendado para o sábado, 28 de abril de 2012, lê-se [fr]:

Célébrons la Beauté Noire!

Celebremos a Beleza Negra!
Cartaz oficial do concurso "Miss Black France"

Cartaz oficial do concurso "Miss Black France"

A seção “About” da página do concurso no Facebook [fr] explica:

Les jeunes femmes noires vont enfin avoir leur élection. Jusqu’à aujourd’hui très peu représentée en France – et en tout cas pas dans les concours de « Miss » que l’on connait –, la beauté noire va pouvoir être mise en avant à sa juste valeur.

L’élection Miss Black France est ouverte à toutes les jeunes femmes françaises ou étrangères vivant en France, de métropole, des DOM-TOM ou d'Afrique, âgée…s d’au moins 16 ans, sans autre critère que l’élégance et le charme.

As jovens mulheres negras vão enfim ter sua eleição. Até os dias de hoje pouquíssimo representada na França — pelo menos não nos concursos de “Miss” que conhecemos –, a beleza negra poderá ter reconhecido o seu justo valor.

O concurso para “Miss Black France” está aberto a todas as jovens mulheres, francesas ou estrangeiras vivendo na França, nativas dos territórios ou departamentos franceses ultramarinos ou da África, desde que maiores de 16 anos, sem qualquer outro critério além da elegância e do charme.

A introdução à origem desse espetáculo levantou várias questões entre blogueiros e cidadãos franceses, dentre os quais Bondamanjak, da  Martinica [fr], que questiona:

Dérive communautariste ? Acte militant ? Impérialisme yankee ? Bizness ?

Deriva comunitária? Ato militante? Imperialismo yankee? Negócios?

Esses questionamentos justificam-se diante do lema da nação francesa, segundo o qual todos os cidadãos são iguais e não podem ser discriminados em função de sua origem étnica ou religião. Sob essa perspectiva, um concurso nacional baseado na etnicidade das participantes parece uma heresia para muitos internautas.

Um post publicado no blog martinicano “People Bo Kay” explica ambos os pontos de vista e onde se encontra a divisão entre eles.

Apoiadores do concurso advocam pela necessidade de maior visibilidade [fr]:

mettre la lumière sur ces femmes noires extrêmement nombreuses que l'on voit peu dans les médias.

trazer à luz essas mulheres negras, extremamente numerosas, que não são vistas na mídia.

En France, les seules miss noires que nous avons connues étaient soit métissées ou originaires d'outre-mer. Il n'y a jamais eu de filles issues de parents sénégalais ou algériens. Ces filles là ne se reconnaissent pas encore dans le concours de Miss France. Elles pensent qu'il n'est pas pour elles et donc s'auto-censurent.

Na França, as únicas “misses” negras que conhecemos ou eram mestiças ou eram do exterior. Elas nunca eram filhas de pais senegaleses ou algerianos. Essas garotas ainda não se identificam com o concurso de Miss France. Elas pensam que não é para elas e, então, se auto-censuram.

Este último ponto foi feito pelo historiador e especialista em diversidade cultural, François Durpaire [fr], durante uma entrevista no France 2 [fr], um canal de televisão francês público.

Um dos contras desse concurso é que, para muitos, ele simboliza uma discriminção reversa — sendo que a questão mais recorrente é: “E se uma jovem mulher francesa loira quiser participar?”

Um comentário feito a um post publicado no Bondamanjak diz [fr]:

La couleur noire n'est ni une identité, ni une classe cela est ridicule de faire une quelconque différence face à une miss blanche. Le combat qu'on doit mener n'est pas à ce niveau. Contruisons avant une communauté unie , solidaire défendant notre mémoire pour contruire une vraie identité.

A cor negra não é nem uma identidade, nem uma classe. É ridículo fazer qualquer diferença em relação a uma miss branca. A batalha que devemos travar não é nesse nível. Construamos, antes, uma comunidade unida, solidária, defendendo nossa memória para construir uma verdadeira identidade.

Apesar de ter sido muito controverso e de ter divido a opinião das pessoas acerca de sua legitimidade, em um ponto as pessoas concordaram a respeito desse concurso de beleza: por que usar o adjetivo “black” [en], ao invés do equivalente em francês “noire”?

A resposta é que o termo “black” soa muito mais como um sucesso de marketing que o termo “noire”.

Os resultados do concurso estão publicados juntamente com a foto das vencedoras neste post do blog People Bo Kay:

A 21-year-old marketing student from Senegal, Tiah Beye was crowned ‘Miss Black France 2012′ along with her two runners-up, 22-year-old, Ivorian-born Romy Niaba and 23-year-old, Aissata Soumah from Guinea.

Uma estudante de marketing senegalesa de 21 anos, Tiah Beye, foi coroada ‘Miss Black France 2012′, juntamente com suas duas concorrentes, Romy Niaba, 22 anos, nascida na Costa do Marfim, e Aissata Soumah, 23 anos, da Guiné.

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