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Palestina: Manifestações por Unidade se Iniciam

Palestinos não foram mencionados logo de início na “linha do tempo da revolução árabe“, mas uma data para os protestos foi realmente estabelecida como 15 de março. Esses protestos estão ocorrendo em cidades e vilas por toda a Cisjordânia e por toda a Faixa de Gaza, e o foco é a unidade palestina – um levante contra as divisões políticas que têm dividido a sociedade palestina por muitos anos.

O clamor inicial é por unidade e reconciliação, mas outras exigências incluem a libertação de todos os prisioneiros políticos mantidos pelo governo em Gaza e pela Autoridade Palestina na Cisjordânia, além da total representação democrática dos palestinos em todo o mundo. Os protestos, como em outras partes do mundo árabe, são descentralizados e organizados por uma coalição de grupos jovens, incluindo o Gaza Youth Breaks Out [en] (ou, “Juventude de Gaza Liberta”, em tradução livre). Entretanto há o temor de que facções políticas tentem cooptar o movimento [en].

Laila El-Haddad explica por que os palestinos estão se manifestando [en]:

Over the past few weeks, I was asked a lot of questions, but perhaps none more than – what about Palestine? Why aren’t the youth rising up there?
Besides the fact that Palestine is a different paradigm altogether – what with an Israeli occupying regime on one hand – and two pseudo non-sovereign governments on the other, we also have the precedent of Palestinians already having risen up – twice (first and second Intifadas) against the Israeli Occupation – and setting the example for the first truly democratic elections in the Arab Middle East in 2006, which in and of itself a monumental act of change by the people.
Still, Palestinians are rising up – again. This time it is to demand the end of Palestinian disunity whose effects are felt deep within Palestinian society and families everywhere.

Nas últimas semanas, me fizeram muitos questionamentos, mas talvez nenhum além de: e os palestinos? Por que a juventude não está se levantando por lá?
Além do fato da Palestina ser um paradigma totalmente diferente – com um regime de ocupação israelense de um lado, e dois pseudo-governos não-soberanos de outro – nós também temos o precedente de palestinos se levantando – duas vezes (primeira e segunda Intifadas) contra a Ocupação Israelense – e dando o exemplo das primeiras eleições verdadeiramente democráticas do Oriente Médio árabe em 2006, o que, por si só, é um ato monumental de mudança pelo povo.
Mesmo assim, os palestinos estão se levantando – novamente. Desta vez é para exigir o fim da desunião palestina, cujos efeitos são sentidos em profundidade na sociedade palestina e nas famílias em todos os lugares.

Um membro da Gaza Youth Breaks Out, Rawan Abu-Shahla escreveu [en]:

We are a group of Palestinian youths who have come together for the sole purpose of leaving behind our political identities and affiliations, and deciding to put our best interests above all else, united under our Palestinian flag. We have called for peaceful demonstrations on Tuesday, 15 March across the Palestinian nation — in the Gaza Strip and West Bank, the territories of 1948 [Israel] and the Palestinian diaspora, calling out together one slogan: “The people want to end the division!” […] Division in the Palestinian body politic has affected every aspect of our lives: socially, economically, educationally and intellectually. It is ordinary Palestinians who have paid the price of the four-year long division that serves no one but the Israeli occupier. […] This movement is from the people, and for them. As for Gaza Youth Breaks Out (GYBO), and all other participating groups working in the field, we have only the honor of initiative. All else now depends on how the Palestinian street responds, and on how strong they can be.

Nós somos um grupo de jovens palestinos que se uniu com o único propósito de deixar para trás nossas afiliações e identidades políticas, e, decididos a pôr nossos melhores interesses acima de todo o resto, nos juntamos sob a bandeira palestina. Nós clamamos por manifestações pacíficas na terça-feira, 15 de março, por toda a nação palestina — na faixa de Gaza e na Cisjordânia, os territórios de 1948 [Israel] e a diáspora palestina, bradando um slogan: “O povo quer acabar com a divisão!” […] A divisão no corpo político palestino afetou todos os aspectos de nossas vidas: socialmente, economicamente, na educação e no intelecto. São os palestinos comuns que têm pago o preço pela divisão de quatro anos que não serve a ninguém além do ocupante israelense. […] Este movimento é do povo e para o povo. Para o Gaza Youth Breaks Out (GYBO) e todos os demais grupos participativos trabalhando no campo, nós temos apenas a honra da iniciativa. Todo o resto agora depende de como as ruas palestinas respondem e de quão fortes elas podem ser.
Manifestação por unidade, Gaza

Manifestação por unidade, Gaza (foto por Sharif.H, reproduzida sob a licensa CC BY-NC-ND 3.0)

Omar Ghraieb está participando [en]:

Gazan youth chose March 15th to be the historical date for a huge mobilized march that demands the end of the Palestinian division. This march is organized and directed by Youth and Youth ONLY. It’s not directed or driven by any Palestinian political party in the background or behind the scenes. The march came as the Palestinian Youth's reaction to their frustration and anger of the Palestinian division and it’s about time this division came to an end.
Seeing the Tunisian revolution, then the Egyptian epic revolt, Libya after that, Bahrain followed and a number of other Arabic attempts of course gave us more hope and motive drive to join the March 15th protests in Gaza. […] Again I would like to emphasize on the fact that I don’t belong to any Palestinian political party and that the march is just like me, it’s not driven by any Palestinian political party. It’s purely youth who want a better life and want to gain the freedom of their country by ending the Palestinian division first then Ending the Israeli occupation.

Os jovens de Gaza escolheram 15 de março para ser uma data histórica de uma marcha largamente mobilizada que pede o fim da divisão Palestina. Essa marca foi organizada por Jovens e APENAS Jovens. Não é dirigida nem estimulada por nenhum partido político por trás ou nos bastidores. A marcha veio como uma reação da Juventude Palestina à sua frustração e raiva pela divisão palestina e já é hora dessa divisão acabar. Vendo a revolução tunisiana, então a épica revolta egípcia, a Líbia depois, seguidos do Bahrein e outras numerosas tentativas árabes claramente nos deu mais esperança e motivação para nos unir aos protestos de 15 de março em Gaza. […] Novamente, gostaria de enfatizar o fato de que eu não pertenço a nenhum partido político e que a marcha é exatamente como eu, não é comandada por nenhum partido político palestino. É puramente a juventude que quer uma vida melhor e quer ganhar a liberdade de seu país ao acabar com a divisão palestina primeiramente e então acabando com a ocupação israelense.

Entretanto nem todos estão certos de se juntar; Sameeha Elwan está um pouco temerosa, e escreve [en]:

Pressing the “Attending” icon on Facebook for the past year has started to be habitual. Very habitual that I do not really consider whether I would able to attend or not as long as I support the event or feel an eagerness to attend it. […] But never have I been so hesitant to decide on an event as that of the 15th March. I’ve been asked over and over again of what I think of the upcoming event that has been taking place so far, I would keep silent. […] For the past five years, I’ve been wanting nothing more than an end of this shameful division. […] Isn’t it the proper time that I would go out, chant, and raise my voice amongst other voices and hearts as longing as I am to end the current status of fragmentation which is rendering a whole nation in face of a vicious occupying power, fragmented? […] But, the whole spontaneity of the event is freaking me out. This could be an act of cowardice. Fear, maybe. A natural feeling, isn’t it? Should I be ashamed of it? I do not think so. Fear, as one of my friends put it, is what makes us human. Still afraid but hopeful, today I should finally press that button. Another Palestinian added to the thousands attending the 15th March

Apertar o botão “Eu vou” no Facebook no último ano passou a ser habitual. Tão habitual que eu não pondero se de fato poderei ir ou não, conquanto que eu apoie o evento ou sinta uma vontade de comparecer. […] Mas nunca estive tão hestitante em decidir ir quanto a esse de 15 de março. Já me perguntaram seguidas vezes o que eu acho do evento por vir que está se desenrolando, e eu me mantive em silêncio. […] Nos últimos cinco anos, não estive esperando nada além do fim dessa divisão vergonhosa. […] Não seria então o momento apropriado para eu sair, cantar e levantar minha voz entre outras vozes e corações tão ávidos quanto eu de pôr um fim à atual situação de fragmentação que está deixando uma nação inteira rendida a uma força de ocupação vil, fragmentada? […] Mas toda a espontaneidade do evento está me assustando. Pode ser um ato de covardia. Medo, talvez. Um sentimento natural, não? Eu deveria me envergonhar disso? Eu não acho. O medo, como alguns de meus amigos dizem, é o que nos faz humanos. Ainda com medo, mas esperançosa, hoje eu deveria finalmente apertar aquele botão. Mais uma palestina somada aos milhares que irão ao 15 de março.

Na Cisjordânia, os blogueirios e estudantes Arabiat também têm dúvidas:

We have no idea if March 15th will blow out into a radically different intifada or see a couple thousand demonstrators on their lunch breaks chanting mechanically if at all slogans against the division and the occupation. We take heart from Egypt's January 25th, where a couple thousand grew into hundreds of thousands on that first day alone. Is there tension in the air? Not really. Personally, when we think about what a groundbreaking day March 15th could turn out to be and how that will play a pivotal role in forming a genuine Palestinian leadership ready to tackle the occupation head-on, our hearts flutter a bit. However, we don't want to dwell on that too long for fear of once again having our souls crushed if instead a pitiful crowd showed up for a couple of hours, yelling chants to let off steam before scooting back to their homes.

Não fazemos ideia se o 15 de março expliodirá numa radicalmente diferente intifada ou se veremos alguns milhares de manifestantes em seus horários de almoço cantando mecanicamente , se muito, slogans contra a divisão e a ocupação. Nós nos motivamos com o 25 de janeiro do Egito, quando alguns milhares viraram centenas de milhares apenas naquele dia. Há tensão no ar? Não exatamente. Pessoalmente, quando pensamos no dia revolucionário que o 15 de março poderia ser e como ele teria um papel central em formar uma real liderança palestina pronta para atacar a ocupação vividamente, nossos corações se agitam um pouco. Mas nós não queremos nos encantar com isso por muito tempo, por medo de novamente termos nossas almas esmagadas, caso alternativamente apareça uma multidão irrisória por algumas horas, gritando cantos para levantar poeira antes de irem calmamente para suas casas.
Bandeira gigante, Gaza

Bandeira gigante, Gaza (foto por Sharif.H, reproduzida sob uma licensa CC BY-NC-ND 3.0)

Na verdade, em Gaza, os protestantes começaram a se juntar na Praça do Soldado Desconhecido um dia antes, em 14 de março. A decisão aparentemente foi tomada, porque um grupo afiliado ao Hamas havia sido autorizado [en] a protestar em 15 de março, e os manifestantes da união não queriam que seu evento, e a própria praça, fosse tomada por uma facção política.

Bashar Lubbad era uma das pessoas que foi à praça um dia antes [ar] (tradução por: Nalan Sarraj [en]):

سأحدثكم عن وصولي لساحة الجندي المجهول ما يقارب ثلاثة آلاف متظاهر من الشباب يطالبون بإنهاء الإنقسام رافضين تدخل الأحزاب و غيرها و خير دليل إنزالهم لمن دخلو على الأكتاف من قادات الحركات اليسارية و الشخصيات المستقلة و تكميم أفواههم، فهم بشكل أو بآخر سبب الإحباط الذي نعيشه..
الساعة الرابعة بدأ الإصرار على البقاء من المعتصمين مستبقين اليوم المتفق عليه، مضربين عن الطعام و رافعي لافتات كتب عليها الشعب يريد إنهاء الإنقسام وأخرى مش حنروح…
I’ll tell you about when I arrived to Al Jundi Al Majhol “the unknown soldier” square, more than three thousands youth protesters demanding for division to end, rejecting for any party intervention, and the best proof was putting down the leaders from leftist movements or any neutral characters on the ground, and muzzle their mouths, because one way or another they’re part of the depression we’re living.
At four o’clock the insistence of staying started to take root among protesters even before the agreed day, hunger striking, and holding signs wrote on them people want to stop the division, and another “we’re not going away”…
Vou contá-lo sobre quando cheguei à praça Al Jundi Al Majhol “a praça do soldado desconhecido”, mais de três mil jovens protestantes pediam que a divisão acabasse, rejeitando qualquer intervenção partidária, e a melhor prova foi colocando no chão os líderes de movimentos esquerdistas e quaisquer outros personagens, e amordaçando-os, porque de um jeito ou de outro eles são parte da depressão que estamos vivendo.
Às quatro horas a insistência em ficar começou a criar raízes entre os protestantes mesmo antes do dia combinado, greves de fome, e segurando cartazes que diziam que o povo quer que acabe a divisão, e outro dizia “nós não vamos embora”…

Nós terminamos com algumas palavras de Abu el Sharif, de um texto intitulado “The Day Before The Day [en]” (ou, “O Dia antes do Dia”):

I have no words to describe, but the raw feeling of pride…
Have to say, I have great expectations for tomorrow, and whatever I do, it feels so little…

Não tenho palavras para descrever, além do sentimento cru de orgulho… Tenho que admitir, tenho grandes expectativas para amanhã, e qualquer coisa que eu faça parece tão pouco…

O Global Voices acompanhará os protestos e os manterá atualizados.

2 comentários

  • TooMutch

    é o que dá não tratar os dementes…

    isto é inacreditável!!!! não o facto destas situações acontecerem, pois infelizmente é o pão nosso de cada dia nesta nossa sociedade dos seres humanos. Inacreditável é então o facto de os animais(animais humanos mas sem coração) que lideram o Bahrain que fazem este tipo de coisas não serem obrigados a tratamentos psiquiátricos e psicológicos para corrigir estes seus desvios de personalidade que os levam a tomar este tipo de atitude/actuações como se fosse uma situação, aos dias de hoje, aceitável humanamente. Fazendo outros seres humanos sofrer e até mesmo perderem a vida. SE FOSSEM POBRES JÁ ESTARIAM ENCARCERADOS… COMO SÃO RICOS SÃO “EXCÊNTRICOS”

    • Seguindo no mesmo raciocínio, será que esses mesmos seres humanos não teriam atitudes similares se a situação fosse inversa? Sempre me pergunto até que ponto não somos todos “farinha do mesmo saco”. Uns crescem em determinados ambientes e culturas que levam a certos atos vistos como maléficos ao coletivo, mas não sei até que ponto não temos disso em todos nós.

      Gostaria de poder testar essa teoria…

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