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Quênia: Protestar ou não protestar?

Seguindo o papel que a rede social Twitter teve nos protestos tunisianos e egípcios, quenianos têm discutido no próprio Twitter se devem emular tais protestos ou não. Os termos mais utilizados no Twitter são as hashtags [ou “marcações”, usadas para facilitar buscas por termos na rede social] #KenyaFeb28 e #ChoosePeace [ou “Escolha a Paz”]. Aparentemente, a primeira é uma convocação para protestos no dia 28 de fevereiro de 2011.

Antoneosoul [en] aponta alguns dos problemas que cercam os chamados de protesto no dia 28 de fevereiro:

on #kenya28feb we hoot at 7am, 1 and5:30pm, we hoot that we havent forgotten about IDPS (Internally Displaces Persons), HAGUE(apparently referring to the Kenyans named by the ICC as persons bearing most responsibility for the post election violence witnessed in the Country after the disputed 2008 Presidential Elections), CORRUPTION, JUSTICE, UNEMPLOYMENT! seriously!

no #kenya28feb [en] nós gritamos às 7h, 13h e 17h30, nós gritamos que não nos esquecemos dos IDPs [deslocados internos [pt]], dos HAGUE (aparentemente referindo-se aos quenianos nomeados pelo ICC [sigla da International Criminal Court, ou Corte Penal Internacional] como os maiores responsáveis pelos atos de violência testemunhados no país após as contestadas eleições presidenciais de 2008), CORRUPÇÃO, JUSTIÇA, DESEMPREGO! sério!

IamGecci [en] acredita que os quenianos não devam apenas copiar o Egito:

“copy Egypt? Please don't be stupid. We're still dealing with those PEV(2008 Post Election Violence) vibes”

copiar o Egito? Por favor, não sejam estúpidos. Ainda estamos lidando com essas ondas de PEV (2008 Post Election Violence) [“Violência Pós-Eleições de 2008″]

AlindiG [en] responde:

No one wants to copy Egypt, just wanna [want to]express [to the]top the elite that we are watching their actions, nothing violent

Ninguém quer copiar o Egito, só queremos expressar para o topo, a elite, que prestamos atenção a seus atos, nada violento

Para se opor aos chamados por protestos, outros quenianos estão tuitando com a hashtag #ChoosePeace. Dentre os que estão a favor do #ChoosePeace está David Mugo [en], pai de duas filhas, que afirma:

I am David Mugo, @raidarmax a father of 2 daughters who need a peaceful Kenya. #ChoosePeace over #Kenya28Feb

Sou David Mugo, @raidarmax [en] pai de duas filhas que precisam de um Quênia pacífico. #ChoosePeace [Escolha a Paz] e não #Kenya28Feb

O blogueiro Marvin Tumbo, do Socialight Media Kenya [en], entretanto, analisa a questão sobre se os quenianos podem se engajar em protestos como os testemunhados no Egito e na Tunísia. Em sua opinião no blog, ele diz:

Generally looking at what Kenyans have posted on Facebook, Twitter, and on blogs, Tribalism is emerging as a leading hindrance to any form of revolution in Kenya. The others are Police Brutality especially in memory of the 2008 post election violence, a largely conservative middle class that would rather tweet than walk the streets …. and our love for Tea Breaks . Most countries are too divided internally that the consensus to revolt against a Government is never a cause for worry to most of these leaders.

Olhando genericamente a que os quenianos têm postado no Facebook, no Twitter e em blogs, o Tribalismo está emergindo como principal empecilho a qualquer forma de revolução no Quênia. Outros empecilhos são a Brutalidade da Polícia, especialmente em memória à violência pós-eleitoral de 2008, a classe média largamente conservadora, que prefere tuitar a tomar as ruas… e nosso amor por Pausas para o Chá. A maioria dos países é tão dividida internamente, que o consenso para se revoltar contra um governo nunca causa preocupação na maioria desses líderes.

Em the Nairobian Perspective [en], o escritor faz uma interessante observação [en], talvez questionando se a crescente tendência resultará numa observação mais detalhada de Redes Sociais como o Twitter, o Facebook etc.:

This trending development is of interest to many pundits as it impacts on the role of social media in voicing discontent, mobilization of mass protests in real time , freedom of expression and whether Governments should take an increasing role in policing , monitoring and or regulation of social media.Will perhaps the present developments result in greater Government scrutiny of Social media?

Essa tendência em desenvolvimento é de interesse de muitos intelectuais, visto que repercute no papel das redes sociais em dar voz ao descontentamento, em mobilizar protestos massivos em tempo real, na liberdade de expressão e na possibilidade de governos deverem ou não ter um papel maior no policiamento, monitoramento e/ou na regulação das redes sociais. Será que os acontecimentos presentes resultarão num escrutínio maior das Redes Sociais?

Kachwanya conclui que #KenyaFeb28 falhou [en]. Ele elaborou 10 motivos:

5. Kenya is tribal nation, whether you want to accept it or not. That does not mean people are stupid, it is just the way they are. So before you tell people to go to the streets you have to explain to them who you are targeting. At the corner there you might look at Kibaki as bad leader or failed leader but people from his tribe will not see that. You might consider Raila a populist but people from his tribe have different opinion. You might look at Kalonzo as “kaloser” withuot any concrete position on anything, relying on the divine intervention but people from his tribe see a different picture. You might not want to associate with Ruto and Uhuru because of their shoddy past but to some of their tribesmen and women, it is a political witch hunt. So be careful

6. Twitter and Facebook in Kenya are places for the middle class, well educated lot and kids from well off backgrounds. These are people who are somehow comfortable on their skins and value stability over chaos. They may support the idea but in reality they will not take to the streets. If you want people to go to the street, get a way to communicate with guys in Kibera , Mathare, Kawangware, else Good Luck

5. O Quênia é uma nação tribal, quer você queira, quer não. Isso não quer dizer que as pessoas sejam estúpidas, só é o jeito como são. Então antes de dizer às pessoas para irem às ruas, deve-se explicar a elas em quem se está mirando. Ali no canto, você pode ver Kibaki como um líder ruim ou como um líder que falhou, mas o povo de sua tribo não verá isso. Pode-se considerar Raila um populista, mas o povo de sua tribo tem uma opinião diferente. Você pode olhar para Kalonzo como “kaloser” [um trocadilho com a palavra em inglês para “perdedor”: loser] sem nenhuma posição concreta ou seja o que for, confiando na intervenção divina, mas o povo de sua tribo vê uma imagem diferente. Você pode não querer associar-se com Ruto e Uhuru, por conta de seus passados macabros, mas para alguns homens e mulheres de sua tribo, é uma caça às bruxas política. Então tomem cuidado.

6. Twitter e Facebook no Quênia são para a classe média, para os que tiveram educação e para crianças com alicerces abastados. Essas são pessoas que estão de alguma forma confortáveis em suas peles, e valorizam estabilidade ao invés de caos. Eles podem apoiar a ideia, mas, na realidade, eles não vão tomar as ruas. Se você quer que as pessoas vão às ruas, deem um jeito de se comunicar com o pessoal em Kibera, Mathare, Kawangware, caso contrário, boa sorte.

Ainda resta ver se o clamor por protestos pacíficos pelo Twitter se tornará algo mais.

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