Resultados provisórios dão vitória ao MPLA em Angola

Assembleia Nacional em Luanda. Foto: davidstanleytravel/Flickr, CC-BY 2.0

Os resultados provisórios das eleições parlamentares de Angola realizadas no dia 23 de agosto dão vitória ao MPLA, partido no poder desde a independência do País em 1975.

De acordo com a Comissão Nacional Eleitoral, que anunciou na noite de quarta-feira ter escrutinado cerca de 65% das urnas, o MPLA obteve 64,57% dos votos, o que garante ao partido dois terços do parlamento e o direito de nomear o Presidente da República.

A UNITA, o maior partido da oposição, obteve 24,04%, seguido da CASA-CE com 8,56%, além de 23,17% de abstinência, também de acordo com a CNE.

Essa eleição marca a saída do poder de José Eduardo dos Santos, presidente do MPLA chefe de estado há mais tempo no poder em África. Uma vez confirmada a vitória do MPLA, assume em seu lugar João Lourenço, veterano do partido e atual Ministro da Defesa.

José Eduardo dos Santos, contudo, deve continuar comandando dos bastidores. No final de Junho, o Parlamento garantiu-lhe um lugar no Conselho da República, um órgão de aconselhamento do Presidente cujos membros gozam de imunidade judicial, o que impedirá que a origem da sua fortuna seja investigada.

A plataforma de monitoria cidadã das eleições Jiku incentivou mesários a enviar fotos das atas de suas respectivas sessões por WhatsApp.

Na noite de quarta-feira, a Jiku afirmou ter escrutinado, a partir das fotos, mais de 100 mil votos válidos, com resultados que diferem do oficial: Lidera o MPLA com 47,57%, UNITA 35,7% e CASA-CE com 15,59%.

A UNITA, assim como em eleições passadas, contestou o resultado divulgados pela CNE. Deu conta Fernando Veloso, director do Jornal Canal de Moçambique:

O vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, contestou hoje o anúncio de vitória do MPLA nas eleições gerais angolanas, exortando a Comissão Nacional Eleitoral a ter a coragem de divulgar os resultados provisórios reais que vão chegando aos partidos.

A UNITA diz que os resultados que lhe estão a chegar contradizem o anúncio da MPLA.

Eleitores utilizaram as redes sociais para apontar irregularidades no pleito, como o activista Hossi Sonjamba:

Três Províncias de Angola, Cunene, Benguela e umas das Lundas que corresponde a 15 Assembleias de Voto ficaram sem exercer o direito de voto.

E irão às urnas no dia 26 de Agosto de 2017 no Sábado que vem, visto que não votaram hoje no dia 23 .

Fonte : CNE

Bruno Constantino, jornalista angolano, relatou como foi o dia da votação, destacando algum nervosismo por parte das autoridades eleitorais:

Na Assembleia de Voto número 89, Mesa número 01, o funcionário da CNE insurgiu-se contra mim por eu ter perguntado, de forma simpática, pela presença dos delegados de lista das formações políticas concorrentes. Com ele dois outros colegas tiveram a mesma postura. Tentaram molestar-me. Mas a minha serenidade e a pronta intervenção de um dos delegados de lista de um dos contendores evitou que a situação passasse daí além. Não ficou nada bem a CNE na fotografia, que parece estar mais nervosa do que os próprios concorrentes. (…)

A Televisão RAIAR denunciou no seu Facebook a prisão de delegados de lista dos partidos da oposição:

Polícia prende Delegada de Lista da UNITA em Nehone

Por reclamar da violação do funcionamento da Assembleia 9433, Nehone, município de Kwanhama, A Delegada de lista efectiva da UNITA Justina Nashovanu está detida na Esquadra Policial daquele município.

A UNITA denunciou no seu Facebook a actuação violenta da polícia em alguns postos de votação:

POLÍCIA DE INTERVENÇÃO RÁPIDA DISPARA CONTRA ELEITORES

Polícia de intervenção rápida na Província do Huambo, deteve a 15 minutos, delegados de lista da UNITA na assembleia nº 4287 na escola nº 42 localizada no Bairro de Cavongue, quando esses tentavam identificar um movimento estranha que dava conta da entrada de algumas urnas desconhecidas com boletins votados. E estão a disparar contra os eleitores e espancamento aos mesmos.

Antes de se conhecerem os dados da abstenção, já se desconfiava sobre a afluência dos eleitores nas urnas, como foi o caso de Dago Nível:

Das duas uma, ou a cne dessa vez aumentou o numero de Assembleias de voto e se organizou muito melhor, ou a abstenção dessa vez foi maior que nas eleições passada.

O que aconteceu é que ate as 15 horas, quase todas as assembleias de voto estavam as moscas. . .

Houve quem falasse ainda de um castigo por parte da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) para a divulgação dos resultados:

A #CNE esta a nos castigar bem, 2:23 sono nada e muito menos os resultados preliminares. Mas nós somos mesmo teimoso e vamos a resistência.

— Simão Hossi (@simaohossi) 24 août 2017

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