
Acima à esquerda: Ativistas do clima em Porto Vila, Vanuatu. Foto via conta 350.org Flickr . CC BY-NC-SA 2.0. Acima à direita: Imagem por Canva Pro. Abaixo à esquerda: Dominga Uño, uma boliviana indígena defensora climática. Imagem por Flickr via conta CC BY-ND 2.0.Captura de tela do vídeo do YouTube da UN Environment. Abaixo à direita: Pescadores protestam nas Filipinas como parte da campanha “Estabeleça o limite”. Foto de 350.org. Usada com permissão.
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCC) 30ª Conferência das Partes (COP 30) acontecerá em Belém, capital do estado do Pará, na região do Baixo Amazonas, entre os dias 10 e 22 de novembro. A conferência é o maior encontro anual de especialistas em clima, representantes do governo, ONGs e ativistas, e ocorrerá durante a pior crise climática e o aumento de regimes fascistas em todo o mundo.
Belém, onde ocorrerá o evento, é considerada “porta de entrada para a Floresta Amazônica”. Entretanto, ironicamente, os ambientalistas alegam que a megaconferência tem impacto ambiental negativo e está prejudicando ativamente o ecossistema da Amazônia.
Belém é relativamente remota e de difícil acesso, e foi necessária uma importante melhoria infraestrutural para acomodar entre 50 e 75 mil participantes do evento no Brasil. Trechos da floresta tropical foram derrubados como parte deste processo de desenvolvimento — no mínimo 100 mil árvores — para a construção de estradas, hotéis e da infraestrutura necessária para suportar um fluxo tão grande de pessoas. Isto aumentou significativamente a já elevada pegada de carbono do evento.

Trechos da floresta tropical amazônica foram derrubados para construir a infraestrutura para a COP30. Captura de tela da reportagem da BBC no YouTube.
Enquanto os eventos anuais da COP representam uma oportunidade para a sociedade civil mundial se mobilizar, são quase sempre inacessíveis e excludentes para muitas das comunidades mais afetadas pela crise climática — particularmente indígenas, feministas e organizações comunitárias que defendem a justiça climática em suas comunidades. Com frequência, quem detém o poder recebe prioridade na COP, enquanto os demais permanecem sem voz.
Entre os que podem participar do evento, muitos se preparam para saírem decepcionados, como é o caso de alguns ambientalistas que dizem que os eventos da COP são meramente simbólicos, com poucos planos de ação climática concretos e voltados à comunidade. Por exemplo, no ano passado, Papua-Nova Guiné deixou de participar da COP29, considerando uma “perda de tempo total”. O ministro das Relações Exteriores da Papua-Nova Guiné, Justin Tkatchenko, explicou sua desilusão, dizendo, “Todos os grandes poluidores do mundo prometem e investem milhões em medidas de ajuda e assistência em ações climáticas. E eu lhes posso dizer que tudo está indo para os consultores”.
Outros ativistas são mais otimistas. Eliane Brum, uma renomada ativista ambiental brasileira e editora-chefe da plataforma jornalística SUMAÚMA, postou o que pensa sobre o assunto:
Muita gente tem pouca expectativa nesta COP, e vai ser muito difícil, mas a COP não está dada. A COP está em disputa. Nós estamos aqui disputando.
O fato é que muitos movimentos feministas que lidam com a justiça climática não estarão presentes no Brasil para influenciar os desfechos deste processo. Os espaços na COP, mesmo neste próximo evento, permanecem inacessíveis e definidos por poderes dinâmicos que marginalizam e excluem as vozes feministas e comunitárias.
Para combater esta situação, a AWID, parceira da Global Voices, tem organizado diversos Centros de Resistência à Justiça Climática em todo o mundo. Estes centros contestam o elitismo das discussões climáticas, focam em experiências vividas e buscam desenvolver o poder coletivo global. Eles oferecem um contraponto importante, desde o topo até a base, nas discussões internacionais, muitas vezes marcadas pela exclusão”. Os centros procuram apoiar as soluções propostas pela comunidade, amplificar as reivindicações feministas e garantir que os princípios feministas de cuidado e solidariedade moldem a pauta climática. Não se trata apenas de estar presente na COP30 — é sobre remodelar a conversa sobre justiça climática sob a perspectiva feminista.
Por meio desta cobertura especial, a Global Voices acompanhará as principais discussões da COP30, divulgando reflexões dos Centros de Resistência e oferecendo uma plataforma para ativistas e ambientalistas comunitários que trabalham na linha de frente da justiça climática.






