
Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da comunidade Global Voices (GV), pedalou uma elevação de quase 10 mil metros para ajudar a arrecadar fundos para a organização. É uma longa distância e, para ajudá-lo nesse trajeto, membros da comunidade montaram uma playlist para que ele a escutasse ao longo do caminho.
Aqui está a playlist completa da comunidade, feita especialmente para a jornada de Matias!
Pedimos o contexto das músicas escolhidas para alguns membros da comunidade. Aqui estão suas histórias:
“Jerusalém” de Fairouz e Ziad Rahbani
Elisa Marvena recomendou a música “Jerusalém”, que tem muitas versões, porém, a que recomenda é cantada pela artista libanesa Fairouz, e explica o que a música significa pra ela:
“É difícil mensurar o impacto do legado de Fairouz na música e na cultura do SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África). Embora seja uma libanesa cristã nascida na década de 1930, sua música e imagem atravessam identidades geográficas, nacionais, geracionais, étnicas, religiosas e de classe social.
Com a contribuição de diversos compositores e produtores, sobretudo de seu filho Ziad Rahbani, produtor, compositor, pianista, dramaturgo e comentarista político libanês, falecido em julho de 2025, também incorporou estilos musicais variados. Porém, essa música em específico é um hino — uma canção de amor a Al Quds, a cidade de Jerusalém.
Por meio de versos poéticos e metáforas, a música aborda o luto, a destituição, a resistência e a libertação. Você nem precisa entender a língua para compreender a profundidade do sentimento ou chorar ao ouvi-la. Eu sempre me arrepio. Entretanto, das duas versões que sugeri [para a playlist], nenhuma é interpretada pela própria Fairouz, mas sinto que ambas fazem jus a ela.”
“Zamilou” de Bu Kolthoum | بو كلثوم – زمّلوا
Lara AlMalakeh sugeriu essa música feita por uma cantora de rap síria em 2018, que está se popularizando nos Países Baixos. Lara explica o que seu trabalho significa para as mulheres:
“Então, a música é de uma cantora de rap síria que se refugiou nos Países Baixos e adotou o nome artístico Bou Kulthoum (derivado da cultura árabe). Essa música sobre o empoderamento feminino fala da força e do impacto que elas têm, mas, nas sociedades árabes, são frequentemente menosprezadas.
É por isso que amo essa música e sempre apoio Bou Kulthoum, que luta para ser reconhecida pela indústria.”
O álbum “Ibérica y Latina” de Gaélica
Estefanía Salazar sugeriu um álbum fabuloso, tão diverso quanto a comunidade GV!
“Ibérica y Latina” (2005) é uma trilha instrumental divertida, composta pela banda venezuelana Gaélica, que mistura elementos musicais da Ilha da Madeira (Portugal), da província da Galícia (Espanha) e das Américas, presentes na cultura venezuelana. Ela realmente transmite uma energia de ‘levante e brilhe’. Não perca nada a partir do minuto 3:10.
A história real é essa: esses elementos vêm da fusão de sons locais e das comunidades madeirense e galega que migraram para a Venezuela após a Segunda Guerra Mundial. Isso reflete a mistura que pode existir em qualquer lugar — tanto no âmbito cultural quanto no musical. No álbum, é possível ouvir gaitas, e sim, na Galícia se usam gaitas (algo que vem da influência celta).
Na primeira vez, ouvi como se fosse um despertador — é uma das músicas mais alegres que já ouvi de manhã!”
Uma seleção de hits inspirados no ritmo caribenho
Candice Stewart, uma colaboradora frequente da equipe caribenha da GV, montou uma lista de músicas para ajudar a energizar Nate em sua jornada.
“Podem me chamar de ‘selecta‘ ou de DJ. Hahaha. Minhas seleções para a playlist do Nate têm inspiração no coração do Caribe, especialmente na minha terra natal, a Jamaica, e no meu outro amor, Trinidad e Tobago, além de alguns sucessos de artistas de toda a região. Essa seleção foi apurada para levar Nate a uma jornada: músicas que oferecem bênçãos, orientação e proteção, enquanto ele dá seu primeiro passo rumo ao Everest; músicas que ensinam paciência, perseverança e entusiasmo; e músicas que manifestam a vitória e a mentalidade de campeão.
Desde a base espiritual de ‘23rd Psalm’, de Buju Banton ft. Morgan Heritage, e ‘Lord Watch Over Our Shoulders’, de Garnett Silk, até a chama motivacional de ‘Far From Finished,’ de Voice, e ‘Winning Right Now’, de Agent Sasco, cada música tem uma intenção. Há também os hinos encorajadores, como ‘Shake The Place’, de Machel Montano e Destra Garcia, ‘Cocoa Tea’, de Kes, ‘What Am I Gonna Do’, de Buju Banton ft Nadine Sutherland, e ‘Come Home’, de Nailah Blackman e Skinny Fabulous, que irão despertar o ânimo festivo de Nate e manter seu espírito motivado.”
“Active” de Asake e Travis Scott
Por último, a colaboradora Pamela Ephraim escolheu uma música esportiva e eletrizante, com um misto de expressões das línguas yoruba e pidgin, para motivar Nate até a linha de chegada.
“Escolhi essa música com ritmo Afrobeats eletrizante porque o mais importante é estar animado, confiante e prosperar. Asake canta repetidamente ‘Oh man, I’m active‘ (Ah, cara, estou ativo). É uma afirmação clara de que está em seu melhor momento. A letra destaca força, empenho e presença, usando expressões da língua yoruba e pidgin, como kampe (forte ou fortalecido), para ressaltar sua resiliência.”
Além de uma playlist variada, membros da comunidade Global Voices no Nepal criaram outra com destaque para músicas nepalesas, como forma de honrar as raízes do país na competição de ciclismo.







