De Binalbagan a Belém, agricultores filipinos defendem a agroecologia e a justiça climática

National Agroecology Workshop and Fair

A MASIPAG organizou a Feira e Oficina Nacional de Agroecologia na cidade de Quezon, na região metropolitana de Manila. Foto da publicação da página da MASIPAG no Facebook. Usada sob permissão.

Em preparação para a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, agricultores filipinos e defensores da agroecologia organizaram uma série de iniciativas que evidenciaram a ligação entre  reforma agrária e justiça climática.

Por iniciativa da MASIPAG, uma rede com mais de 500 organizações de base, estas atividades destacam que a agricultura agroecológica “é uma solução viável para enfrentar mudanças climáticas e, em última análise, um caminho para a justiça climática”.

Em outubro, a MASIPAG e seus parceiros organizaram uma oficina e uma feira   agroecológica, e enviaram uma petição declarando a resistência dos agricultores da Ilha de Negros contra a regulamentação a favor dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). Conduziram uma consulta pública na cidade de Binalbagan, na Ilha de Negros, sobre os impactos na saúde decorrentes dos OGMs, o que levou a uma sessão de estudos sobre o conceito de Reforma Agrária Genuína e Agricultura Sustentável (GARSA) com agricultores do sul da Ilha de Mindanao.

O oficial nacional de incidência da MASIPAG, Eliseo Ruzol Jr., e a líder agrícola, representante das mulheres da MASIPAG, Nay Nena, conversaram com a Global Voices em entrevista por e-mail sobre o significado dessas iniciativas.

These activities underscore the need to critically interrogate the techno-scientific solutions promoted in global climate fora and to prioritize farmer-led, ecological, and socially just approaches to food and climate resilience.

Estas atividades ressaltam a necessidade de questionar de maneira crítica as soluções tecnocientíficas promovidas em fóruns climáticos globais e de priorizar abordagens ecológicas e sociais justas, lideradas por agricultores, para a resiliência alimentar e climática.

A feira e a oficina de agroecologia foram realizadas na região da capital nacional e apresentaram produtos de agricultores locais e uma sessão gastronômica solidária. O Instituto Ilha da Terra Ásia-Pacífico (EII-AP), um dos grupos que participaram da feira, organizou uma cozinha ao ar livre e transformou pratos tradicionais da culinária filipina em símbolos urgentes de defesa ambiental. Robert Ray Medrano,‬‭ coordenador da campanha do EII-AP, explicou a ligação entre o evento de culinária ao vivo e o chamado para a ação ambiental.

Every dish‬‭ we‬‭ cook‬‭ reflects‬‭ a‬‭ struggle‬‭ — of‬‭ fishers,‬‭ farmers,‬‭ and‬‭ communities‬‭ fighting‬‭ for‬‭ the‬‭ right‬‭ to‬ food,‬‭ land,‬‭ and‬‭ livelihood. Food‬‭ is‬‭ not‬‭ only‬ nourishment but a call to action for sustainability and justice. We‬‭ cannot‬‭ talk‬‭ about‬‭ food‬‭ security‬‭ without‬‭ justice. Protecting‬‭ our‬‭ farmers,‬ fishers, animals, and ecosystems is the true recipe for a sustainable future.

Todo prato que cozinhamos reflete uma luta — a de pescadores, agricultores e comunidades que lutam pelo direito ao alimento, à terra e ao sustento. O alimento não é apenas nutrição, mas um chamado à ação pela sustentabilidade e justiça. Não podemos falar sobre segurança alimentar sem justiça. Proteger nossos agricultores, pescadores, animais e ecossistema é a verdadeira receita para um futuro sustentável.

Cooking session

A sessão de culinária destaca a ligação entre a segurança alimentar, herança cultural e justiça climática. Foto do Instituto da Ilha da Terra-Ásia-Pacífico. Usada sob permissão.

A petição da MASIPAG às autoridades locais da Ilha de Negros, reconhecida como a capital da agricultura orgânica do país, reflete a demanda de mais de 50 associações agrícolas locais contra os organismos geneticamente modificados e demonstra as vantagens da agroecologia.

MASIPAG’s experience demonstrates that zero-tillage can be successfully implemented without dependence on GMOs or destructive chemical inputs, highlighting the viability of agroecological alternatives.

A experiência da MASIPAG demonstra que o plantio direto pode ser implementado com sucesso, sem a dependência de organismos geneticamente modificados nem de insumos químicos destrutivos, o que ressalta a viabilidade das alternativas agroecológicas.

A petição alerta que a aprovação da proposta “só aprofundará a dependência dos agricultores em relação às sementes importadas e aos insumos químicos, reduzirá a biodiversidade agrícola e a erosão das práticas agrícolas tradicionais e dos sistemas de conhecimento que têm sustentado a segurança alimentar da Ilha de Negros por gerações”.

A MASIPAG também entregou uma carta de posicionamento, assinada por mais de 3  mil indivíduos dos distritos da Ilha de Negros, contra o regulamento sobre organismos geneticamente modificados.

Em Binalbagan, na Ilha de Negros, cerca de 65 líderes agrícolas se reuniram em um fórum para discutir os perigos que os organismos geneticamente modificados representam para a saúde pública e o ecossistema local.

Negros capitol

Agricultores enviam uma petição ao governador da Ilha de Negros Ocidental em oposição ao regulamento que irá permitir o cultivo de organismos geneticamente modificados ou transgênicos. Foto da MASIPAG. Usada sob permissão.

A sessão de estudos na GARSA teve como foco o papel da reforma agrária na campanha pela justiça climática.

This framework emphasizes two inseparable pillars which are the redistribution and protection of land for smallholder farmers, and the promotion of agroecological practices that ensure ecological balance, food security, and climate resilience.

Este modelo enfatiza os dois pilares inseparáveis que são a redistribuição e a proteção da terra para pequenos agricultores e a promoção de práticas agroecológicas que asseguram equilíbrio ecológico, segurança alimentar e resiliência climática.

Também foi discutida a promoção dos direitos das mulheres em meio a valores “machistas feudais” que ainda persistem em áreas rurais.

GARSA also demands confronting the deeply embedded culture of macho-feudalism in the countryside. This means valuing reproductive work, eliminating gender-based discrimination, and ensuring that women who are central to seed keeping, food production, and community care are fully recognized in all processes as rights-holders and decision-makers.

A GARSA também exige o confronto da cultura profundamente enraizada do machismo feudal nas áreas rurais. Isto significa valorizar o trabalho reprodutivo, eliminar o preconceito de gênero e assegurar que as mulheres, que são essenciais para a preservação das sementes, a produção de alimentos e o cuidados da comunidade, sejam plenamente reconhecidas em todos os processos como detentoras de seus direitos e com poderes de decisão.

As atividades da MASIPAG na Ilha de Negros foram afetadas por dois fortes tufões que causaram danos na região, reforçando o valor da luta em defesa da reforma agrária e da justiça climática.

Everyone’s commitment and realization that agroecology is a lived reality, not a mere alternative, is what stood out. The experience itself became a lesson that even amid worsening climate disruptions, farmer-led agroecology continues to inspire, unify, and strengthen communities determined to build a just and resilient food system.

O comprometimento de todos e o entendimento de que a agroecologia é uma realidade viva, não só uma mera alternativa, ficou bem claro. A experiência em si se tornou uma lição de que mesmo nos piores distúrbios climáticos, a agricultura agroecológica continua a inspirar, unificar e fortalecer comunidades determinadas em construir um sistema alimentar justo e resiliente.

A MASIPAG declarou à Global Voices que pretende integrar o que vivenciou durante a COP30 às suas iniciativas comunitárias.

MASIPAG will focus on amplifying the outcomes and way forward from these key activities while sustaining our work on the ground. Most immediately, we will be releasing an op-ed video connecting COP30 discussions with our grassroots initiatives and the insights drawn from the recent National Agroecology Workshop and Fair.

A MASIPAG vai focar em amplificar os resultados a partir destas atividades enquanto sustenta o trabalho no campo. Em breve, vamos lançar um vídeo de opinião, conectando nossas iniciativas comunitárias e as observações  colhidas da recente Feira e Oficina Nacional de Agroecologia.

Das Filipinas ao Brasil, a MASIPAG e os defensores de justiça climática puderam compartilhar seus pontos de vista sobre os assuntos discutidos durante a COP30 e, mais importante, demonstrar claramente seu comprometimento com a promoção de iniciativas lideradas pela base, voltadas às práticas agrícolas tradicionais e à construção de uma comunidade de apoio para proteger o meio ambiente.

Bagsakan of farmers' products

Agricultores locais vendem seus produtos na feira. Foto da Fundação IBON. Usada sob permissão.

 


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