A vida selvagem no Sri Lanka está ameaçada pela caça ilegal durante a pandemia

Leopard on Brown Trunk Tree. Image by Pixabay via Pexels. CC0.

Leopardo no tronco de uma árvore. Imagem de Pixabay via Pexels. CC0.

A diversidade da vida selvagem no Sri Lanka é impressionante para uma nação cuja extensão é de apenas 65.610 km2. Apesar de serem cruciais para a indústria do turismo no país, os animais têm sido ameaçados há muito tempo pelo desmatamento, perda de habitats naturais e caça ilegal. Embora o país tenha sido bem-sucedido no controle da COVID-19 quando comparado a seus vizinhos do sul da Ásia, houve um aumento de casos de caça ilegal e o desemprego continua a crescer durante o período de confinamento.

No dia 20 março, o Sri Lanka impôs um confinamento de âmbito nacional que durou até 29 de junho. Cerca de 500 mil pessoas ficaram desempregadas durante a pandemia e a taxa de desemprego atingiu seu nível mais alto em dez anos.

Inicialmente, o confinamento teve impacto positivo na vida selvagem em parques nacionais populares como Yala, Udawalawe, Minneriya, Kaudulla e Horton Plains, que há muito tempo reclamavam do excesso de visitantes. No entanto, os parques tornaram-se um atrativo para os caçadores ilegais à medida que os visitantes diminuíram.

No dia 22 de abril, o guarda florestal Pradeep Bandar foi morto a tiros durante uma patrulha anticaça ilegal no Parque Nacional Gal Oya, localizado no leste do Sri Lanka. A caça predatória para obter carne de animais selvagens (principalmente javalis, cervos malhados e cervos sambar) é fomentada pelo turismo doméstico que trata a carne desses animais como uma iguaria exótica.

De acordo com o ambientalista Nayanaka Ranwella, caçadores ilegais mataram cerca de 600 animais selvagens por dia desde o início do confinamento. O Department of Wildlife Conservation (DWC), órgão governamental responsável pela proteção da vida silvestre no Sri Lanka, prendeu cerca de 40 pessoas em abril deste ano, a maioria por caça ilegal.

Hemantha Withanage, cientista ambiental e fundador do Center for Environmental Justice, entidade que busca justiça ambiental e promove sustentabilidade, observou que, na maioria desses casos, as pessoas não estavam envolvidas na caça ilegal organizada. Caçavam “para encontrar comida” ou ganhar dinheiro porque não tinham trabalho que os sustentasse.

Sobre a caça ilegal durante a pandemia de COVID-19, Anya De Saram-Larssen, escritora do website Groundviews, entrevistou Ravi Corea, fundador e presidente da Wildlife Conservation Society do Sri Lanka, organização não governamental cujo objetivo é proteger a biodiversidade:

One of the most insidious impacts of the pandemic on wildlife conservation in Sri Lanka has been the rise in poaching during the lockdown, as well as illegal logging and gem mining. Reports in the local media estimate that around 600 wild birds and animals have been killed each day since the beginning of the lockdown. The lack of food security and loss of employment are among the reasons for the rise in poaching. With no one out there to protect it, wildlife is more vulnerable than ever. Poachers are able to move brazenly within national parks and protected sites; spotted deer and porcupines are among the most poached animals.

Um dos impactos mais perversos da pandemia na conservação da vida selvagem no Sri Lanka foi o aumento da caça ilegal durante o confinamento, bem como a extração ilegal de madeira e mineração de pedras preciosas. Relatórios da mídia local estimam que cerca de 600 pássaros e animais selvagens foram mortos por dia desde o início do bloqueio. A falta de segurança alimentar e o desemprego estão entre as razões para o aumento da caça ilegal. A vida selvagem está mais vulnerável que nunca, sem alguém para protegê-la. Os caçadores ilegais transitam descaradamente pelos parques nacionais e pelos locais protegidos. Cervos manchados e porcos-espinhos estão entre os animais mais caçados.

O leopardo do Sri Lanka (Panthera pardus kotiya) é um animal em extinção. Em 2015, a população estimada era de 700 a 950. Vários leopardos também foram mortos com uso de armadilhas nos últimos meses.

O pesquisador Amantha Perera tuitou:

Outra morte brutal de um leopardo selvagem. É o sétimo morto com armadilhas na região central do Sri Lanka. Ao menos três foram resgatados.” (IMAGENS GRÁFICAS) – Detalhes – facebook.com/amantha.perera @WWF @slwcs_org @NatGeo

O analista político e ativista Thilanka Rathnayake culpa a passividade do governo pelas mortes de leopardos:

Está muito claro que o governo não se importa com a vida selvagem nem com o meio ambiente. O Ministério e as autoridades relevantes dormem. Isso deve ser punido severamente e com seriedade. Caso contrário, os leopardos estarão extintos em poucos anos no Sri Lanka.

Em julho, após clamor público, o primeiro-ministro do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, ordenou que fosse realizada uma investigação imediata sobre a caça ilegal.

Apesar disso, a situação não parece prestes a mudar tão cedo. O DWC não dispõe do número suficiente de funcionários para combater as atividades ilegais em áreas protegidas, que representam 12% da área total do Sri Lanka. Ravindra Attygalla comentou no Facebook:

If there were “Proper and caring” persons in the department (DWC), this would not happen. The people who are responsible to protect the nature and habitat haven't taken proper steps. Very soon we will lose everything that belongs to nature.

Se houvesse pessoas ‘adequadas e atenciosas’ no departamento (DWC), isso não aconteceria. As pessoas responsáveis por proteger a natureza e o habitat não adotaram as medidas apropriadas. Em breve, perderemos tudo o que há na natureza.

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