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Enfermeiros da Papua-Nova Guiné entram em greve devido à falta de proteção contra a COVID-19

Ambulatório na clínica de saúde Susa Mama, no Hospital Geral de Porto Moresby em Papua-Nova Guiné. Fotografia por Ness Kerton para AusAID. Fonte: página do Flickr do Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália. Atribuição 2.0 Genérica (CC por 2.0)

Confiram a cobertura especial da Global Voices sobre o impacto global do COVID-19.

A Associação de Enfermagem de Papua-Nova Guiné (PNG) organizou um protesto em 26 de março de 2020 a fim de reivindicar a falta de medidas e equipamentos para a proteção contra o COVID-19.

Em 23 de março, o governo de PNG impôs um bloqueio de duas semanas para conter a propagação do novo coronavírus, causador de COVID-19, doença que pode levar à morte. Até o momento, o país tem apenas um caso positivo de COVID-19, porém as autoridades identificaram 3.000 “suspeitos”, dos quais 2.230 estão sendo monitorados ativamente. PNG possui uma população de aproximadamente nove milhões.

Em 6 de março, a Associação de Enfermagem de Papua-Nova Guiné alertou para o fato de a maioria dos hospitais não possuírem unidades de isolamento para atender pacientes com COVID-19 e lamentou as medidas inadequadas de saúde pública destinadas a controlar a propagação da doença.

Após anunciarem o bloqueio, a Associação de Enfermagem de PNG reiterou sua preocupação com a falta de treinamento e mecanismos adequados em nível comunitário para lidar com a doença.

O grupo solicitou ao governo que forneça aos enfermeiros equipamentos de proteção pessoal (EPP), gratificações para riscos e viagens, suprimentos alimentícios  e seguros.

Após a falha nas negociações, o grupo convocou uma greve no Hospital Geral de Porto Moresby, na Autoridade Nacional de Saúde da Capital e no Hospital Psiquiátrico Público de Laloki, localizado fora da capital Porto Moresby.

O grupo explicou sua decisão durante um briefing para a mídia.

Staff safety is paramount and those in authority must put themselves into our shoes and understand exactly why we are doing this.

A segurança dos funcionários é fundamental e as autoridades devem se colocar no nosso lugar e entenderem os motivos exatos de estarmos fazendo isso.

Gibson Siune, o secretário geral do grupo, destacou as exigências dos enfermeiros:

Our human resource is at risk and as professionals, we are conducting a sit-in protest so that the health authority and government face us and negotiate in a professional manner.

We want more than lip-service from the authorities that our services are valued and personal protection is guaranteed before we go back to work.

Nossos recursos humanos estão em risco e, enquanto profissionais, estamos realizando um protesto a fim de que a autoridade de saúde e o governo olhem para nós e negociem de maneira profissional.

Queremos mais do que as promessas vazias das autoridades. Queremos que os nossos serviços sejam valorizados e que a proteção pessoal seja garantida antes de voltarmos ao trabalho.

Os enfermeiros do nosso maior hospital em Papua-Nova Guiné estão protestando, pois não têm diretrizes claras e apropriadas. Faltam máscaras de proteção, capotes, óculos, etc. unidade de isolamento e por aí vai. Certo… então para onde irão as pessoas se perdermos nossos enfermeiros? #PNG 

Papua-Nova Guiné, uma Nação de Liderança Reativa.                                                                                                                                                                                                              Proatividade é algo sobre o qual eles nunca ouviram falar.                                                                                                                                                                                                            Enquanto o PMJM diz que estamos prontos para combater o vírus, enfermeiros e médicos não possuem equipamentos de proteção pessoal e a maioria dos profissionais da saúde não tem a menor noção do que esse vírus seja.

“PMJM” a que o tuíte acima se refere é o primeiro-ministro James Marape.

O jornal Post-Courier publicou um editorial instando as autoridades de saúde a implementar as reformas necessárias:

The threat by PNG Nurses Association to pull out its 4,000 nurses during this global pandemic is frightening and must be addressed immediately.

This is an emergency and the government has elevated the status from Health to that of a security issue. Use your authority as the principal Health advisor and demand that these funds [are used] and training be carried out immediately.

A ameaça da Associação de Enfermagem de PNG de retirar seus 4.000 enfermeiros durante esta pandemia mundial é assustadora e deve ser resolvida imediatamente.

Trata-se de uma emergência e o governo elevou seu status de uma questão de saúde para um problema de segurança. Use sua autoridade como principal assessor de saúde e exija que esses fundos [sejam usados] e que o treinamento seja realizado imediatamente.

O Departamento de Relações do Trabalho e Indústria declarou que a greve é legal. Entretanto, o governo de PNG assegurou aos enfermeiros que medidas de proteção serão implementadas em todo país.

A greve reflete a ansiedade do público acerca do quanto o governo está preparado para lidar com a pandemia do COVID-19. Além de ter que lidar com o impacto socioeconômico das duas semanas de bloqueio, o sistema de saúde do país está sobrecarregado com dificuldades financeiras.

O jornalista Scott Waide reflete sobre a ironia de se praticar o “isolamento social” em um país onde há uma alta desigualdade:

Why didn’t we invest in the health system and build it up for our people? Maybe, just maybe, one day we might need to use it. That day has come.

Here is another piece of irony for you. The safest places in PNG right now are the villages where up to 70 percent of health facilities are closed because of lack of funding and lack of medicines.

Hundreds of villagers have been in ‘self-isolation’ for decades. They don’t have to maintain ‘social distancing.’

Por que ainda não investimos em um sistema de saúde e o construímos para o nosso povo? Talvez, quem sabe, um dia precisaremos usá-lo. Esse dia chegou.

Eis aqui um outro tipo de ironia para vocês. No momento, os locais mais seguros em Papua-Nova Guiné são os vilarejos no quais até 70% das instalações de saúde estão fechadas devido à falta de fundos e medicamentos.

Centenas de aldeões encontram-se em ‘autoisolamento’ há décadas. Eles não precisam manter ‘distanciamento social’.

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