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Entre críticas e elogios, município espanhol lança com sucesso um desafio para mudar hábitos alimentares

Pulpo a feira, prato típico da gastronomia galega. Imagem em Flickr de demi (Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).

Em janeiro de 2018, o município de Narón, localizado a noroeste da província Corunha, em Galiza, na Espanha, lançou um desafio diferente: que seus habitantes perdessem juntos 100.000 quilos em dois anos. O município tem uma população de 39.000 habitantes, e a média de peso que cada habitante deve perder é de um quilo e meio, embora somente 40% sejam obesos ou estejam acima do peso.

Um ano depois, o objetivo estava sendo realizado. Em fevereiro de 2019, a perda de peso coletiva chegava a 46.000 quilos.

A intenção do programa é envolver os habitantes do município com excesso de peso, cerca de 15.000 pessoas, segundo a estimativa do Sistema de Saúde Público da Galiza, a reduzir seu peso em pelo menos 10%:

Desta forma diminuiríase o índice de mortalidade en Narón en 1,5 puntos co que este concello pasaría a rexistrar a mortalidade máis baixa de Galicia, que se situaría entre as mellores de España.

Desta forma, diminuiria o índice de mortalidade em Narón em 1,5 pontos e assim este município passaria a registrar a mortalidade mais baixa da Galiza, que ficaria entre as mais baixas da Espanha.

O exemplo foi dado pela prefeita, Marian Ferreiro, e por 14 membros da corporação municipal de Narón, que em 25 de janeiro de 2018, deram início ao programa “100.000 Motivos de Peso”. O primeiro passo foi pesar os funcionários municipais, cujo peso em conjunto chegou a 1.174,50 quilos.

Nos primeiros meses, o trabalho consistiu em estimular a alimentação saudável e a atividade física com o apoio do município, de associações, centros educativos e outras empresas com supervisão de pessoal médico com a finalidade de chegar ao objetivo final: fazer com que todos perdessem juntos 100.000 quilos em dois anos.

O doutor Carlos Pinheiro, médico de Narón e responsável pelo projeto, observou que o sedentarismo e a obesidade eram problemas comuns na cidade, problemas graves em uma localidade onde grande parte da população está acima do peso. Em agosto de 2018, não existia um balanço oficial dos resultados, mas segundo o doutor Pinheiro, a média de perda de peso dos participantes era de 2,5 quilos por mês.

Nesse momento, o programa já tinha mais de 6.000 inscritos vizinhos de Narón. A melhora na saúde, traz uma vantagem adicional que é a melhora em sua renda, pois estima-se que uma população mais saudável tenha menos gastos hospitalares.

Graças a essa iniciativa, a localidade de Narón recebeu o Prêmio Europeu da Obesidade 2018 de melhor programa de participação pública pelo projeto “100.000 motivos de peso”, e também foi  “premiada a projeção pública de uma iniciativa coletiva que combina a luta contra a obesidade, prevenção e solidariedade”, comentou o doutor Pinheiro.

A iniciativa não se limita aos temas de saúde, pois também tem um caráter solidário. Por cada quilo perdido pelos participantes serão doados ao Centro de Recursos Solidários de Narón alimentos não perecíveis ou leite,” para que dessa forma se estabeleça situações igualitárias na saúde” tal como destacou a prefeita Marián Ferreiro.

Além disso, existem colaboradores precoces, como conta o doutor Pinheiro:

Un grupo de abuelos […] preguntó qué estaban haciendo en los colegios porque sus nietos se negaban a comer patatas fritas.

Los niños de Narón “son investigadores de su entorno y del tipo de dieta que realiza su familia y de cuánto camina”.

Um grupo de avós […] perguntou o que as escolas estavam fazendo porque os netos não queriam comer batatas fritas.

As crianças de Narón ‘são investigadores de sua região e do tipo de dieta que sua família segue e do quanto estão avançando’.

Uma iniciativa muito boa, mas… e esse nome?

Apesar de, segundo esclarece o doutor Pinheiro, o objetivo do programa não seja perder peso, mas sim incentivar estilos de vida saudáveis na comunidade, ele também recebeu críticas. Por exemplo, Yolanda Cambra, especialista em inteligência emocional, opina que, mais do que um plano para perder peso, é uma proposta de hábitos saudáveis e não uma dieta para emagrecer. Segundo escreveu no seu site:

Pero ¿por qué no llamarla 100.000 motivos de salud? Si centran el interés en adelgazar, están reforzando la idea equivocada que asocia delgadez con salud.

[…] La iniciativa, propuesta por los médicos de los centros de salud, consiste en varios puntos, como:

  • Rutas de caminatas por la naturaleza.
  • Talleres de nutrición.
  • Los hosteleros se suman ofreciendo menús saludables.

Pero esto no es estar a dieta, señores. Comer sano y tener actividad física debería ser el modo de vida de toda la población.

[…] Me parece estupendo que se tomen medidas para que un sobrepeso no llegue a obesidad. Pero utilizar con tanta alegría los términos “kilos” y dieta para adelgazar” puede conseguir el efecto contrario.

Mas, por que não chamar 100.000 motivos de saúde? Se focam no interesse em emagrecer, estão enfatizando a ideia errada, que associa ser magro com saúde.

[…] A iniciativa, proposta pelos médicos do centro de saúde consiste em vários pontos, como:

  • Rotas de caminhada pela natureza
  • Oficinas de nutrição
  • Hotéis oferecendo cardápios mais saudáveis

Mas isso não é estar de dieta, senhores. Comer saudável e praticar atividade física deveria ser o estilo de vida de toda a população.

[…] Eu acho uma ótima ideia que medidas sejam adotadas para que uma pessoa com sobrepeso não chegue a ficar obesa. Mas utilizar com tanta alegria as palavras ‘quilos’ e ‘dieta para emagrecer’ pode ter o efeito contrário.

Por outro lado, os usuários do Twitter também ajudaram a divulgar a iniciativa e seus resultados:

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