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Uma nova nação no Pacífico? Bougainville vota pela independência de Papua Nova Guiné

Fonte: Página do Facebook da Comissão do Referendo de Bougainville

Mais de 180,000 cidadãos de Bougainville participaram de um referendo que durou de 23 de novembro a 7 de dezembro e, por maioria esmagadora, votaram a favor de buscarem a independência de Papua-Nova guiné – ao invés de apenas se contentar com maior autonomia.

Bougainville é uma região localizada a leste de Papua-Nova Guiné continental, embora seja geograficamente parte das Ilhas Salomão, na Oceania.

Uma guerra civil estourou em Bougainville em 1988 devido ao impacto social e ambiental da mina de Panguna, operada por uma empresa australiana na ilha. Houve tumultos relacionados à gestão da mina, que não estaria beneficiando a população local. O governo continental de Papua-Nova Guiné enviou tropas, o que resultou num conflito armado. A crise durou anos e custou milhares de vidas até à assinatura de um acordo de paz em 2001, que levou à criação do Governo Autónomo de Bougainville. O acordo incluía igualmente uma garantia de realização de um referendo para determinar se os habitantes de Bougainville prefeririam a independência ou a autonomia em relação à Papua-Nova Guiné.

O Parlamento da Papua-Nova Guiné tomará a decisão final logo que receba os resultados do referendo.

Entretanto, Bougainville celebra o sucesso do referendo:

É #Independência para o povo de #Bougainville. 176.928 votaram em #Option2 [Opção 2] enquanto 3.043 optaram por #GreaterAutonomy [Maior Autonomia] de #PNG.

A Comissão do Referendo de Bougainville emitiu uma declaração destacando a importância dos resultados:

The Referendum roll had equal numbers of women and men voting

The Referendum roll had 25 percent first-time voters

The voter turnout of at least 85 percent was high when compared with international democratic electoral experience, and is the highest of any electoral process in Papua New Guinea

The informal vote of 1,096 was low when compared with international democratic electoral experience and national elections.

A lista de referendo teve o mesmo número de mulheres e de homens votando

A lista de referendos teve 25% de eleitores votando pela primeira vez

O comparecimento dos eleitores, de pelo menos 85%, foi elevado quando comparado com a experiência eleitoral democrática internacional, e é o mais alto de qualquer processo eleitoral na Papua-Nova Guiné.

O voto informal de 1.096 foi baixo quando comparado com a experiência eleitoral democrática internacional e eleições nacionais.

Abaixo estão algumas fotos de cidadãos de Bougainville durante o referendo. Muitos estavam entusiasmados por participar na votação histórica, especialmente aqueles que suportaram os longos anos de luta durante a guerra civil.

Ontem, o meu pai votou no referendo de #Bougainville. Eu perdi dois irmãos durante a crise e, como muitos outros, reflito sobre o legado do conflito todos os dias. Que tenhamos uma paz duradoura.

Em #Bouganville, mães carregam as urnas da maneira tradicional. Dizem que lidam com o futuro dos seus filhos com cuidado. “Dê-nos o que queremos” Escoltadas pela polícia e cânticos tradicionais…cantando Kaur pairap lo arawa lo bik sun…. ( Palavras e fotos 📷📸 por June Magasu)

A contagem será realizada em 3 turnos de 8 horas e os resultados são esperados até pelo menos terça-feira da próxima semana. O anúncio formal será feito pela presidente do Referendo, Bertie Ahern. #ReferendoBougainville #PazPorMeiosPacíficos

But there were also Bougainvillians who felt that the referendum should have been an opportunity to address other important concerns related to the peace process like the reparation claims of the victims of the conflict. A Facebook group named ‘Voices of Silent Bougainville’ is reminding authorities about the need to uphold human rights and consider the appeal of the ‘silent’ victims of the war. Henny Kuijpers, a member of the group, spoke on behalf of families seeking justice for the suffering they experienced during the war:

Mas houve também cidadãos de Bougainville que consideraram que o referendo deveria ter sido uma oportunidade para abordar outras preocupações importantes relacionadas com o processo de paz, como as reivindicações de reparação das vítimas do conflito. Um grupo no Facebook denominado “Vozes de Bougainville Silenciosa” está recordando às autoridades a necessidade de defender os direitos humanos e de considerar o apelo das vítimas “silenciosas” da guerra. Henny Kuijpers, membro do grupo, falou em nome das famílias em busca de justiça pelo sofrimento vivido durante a guerra:

We the innocent victims of this war will never be free and the war will never end for us psychologically until our human rights, our Constitutional rights which were deprived of us as Bougainvilleans and Papua New Guineans have been addressed and sorted out by the PNG government and our ABG leaders.

Nós, as vítimas inocentes desta guerra, nunca seremos livres e a guerra nunca terminará para nós psicologicamente até que os nossos direitos humanos, os nossos direitos constitucionais, que nos foram privados comocidadãos de Bougainville e de Papua-Nova Guiné, tenham sido abordados e resolvidos pelo Governo de Papua-Nova Guiné e pelos nossos dirigentes do Governo Autônomo de Bougainville.

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