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Quem é Eva Copa, a figura pouco conhecida que ajudou a pavimentar o caminho para novas eleições na Bolívia?

 

Foto de Eva Copa retirada do Instagram do Senado boliviano.

Recentemente, a perspectiva para a realização de novas eleições na Bolívia parecia remota. Anunciar novas eleições era uma condição chave para que o país começasse o processo de pacificação após semanas de greves, protestos, bloqueios de caminhões e violência depois das questionadas eleições presidenciais de 20 de outubro, que levaram à renúncia do ex-presidente Evo Morales. Os partidos de oposição do governo interino dirigido pela presidente Jeanine Añez e o partido político de Evo Morales, Movimento ao Socialismo (MAS), estavam enfrentando dificuldades para chegar a um acordo sobre as condições para novas eleições.

No entanto, baseado em negociações e acordos, foi assinada uma lei no domingo, dia 24 de novembro, que pavimentou o caminho para a realização de novas eleições em data a ser definida.

Uma figura chave do processo de convocação e negociação foi a atual presidente do Senado boliviano, Mónica Eva Copa Murga, ou Eva Copa, como é conhecida. Após a renúncia do presidente anterior do Senado e de outros cinco funcionários do alto escalão do partido, Copa, senadora do MAS de El Alto, Bolívia, assumiu a posição de liderança pelas regras de sucessão do Senado. Todavia, poucos bolivianos a conheciam.

Como disse Daniel Gómez, do site de notícias ALnavio:

Eva Copa, no quiere más muertos ni más violencia en Bolivia. Quiere negociación, diálogo y paz. Su apuesta es porque se arribe lo antes posible a elecciones urgentes, como señala el acuerdo que firmó este domingo con la presidenta interina, Jeanine Áñez. No hay que olvidar que Eva Copa es dirigente del MAS, el partido de Evo Morales. Un MAS dividido entre los radicales del evismo, y los pragmáticos. Ella representa a estos últimos.

Eva Copa, não quer mais mortes ou violência na Bolívia. Ela quer negociação, diálogo e paz. Ela está trabalhando para que as eleições ocorram o mais rápido possível, conforme destaca o acordo assinado neste domingo com a presidente interina, Jeanine Áñez. Não podemos esquecer que Eva Copa é a líder do MAS, o partido de Evo Morales. Um partido dividido entre os radicais do “evismo” e os pragmatistas. Ela representa este último grupo.

Maria Galindo, do coletivo feminista Mulheres Criando, publicou recentemente um breve ensaio em espanhol com o perfil de Copa na revista mensal argentina La Vaca. No ensaio, Galindo conta sua admiração pela coragem de Copa e fornece informações aos leitores sobre esta líder desconhecida:

Tiene 32 años, es alteña, hace semanas que no duerme en su casa por razones de seguridad; es estudiante de Trabajo Social y la vida no le ha dado la oportunidad de terminar su carrera. Estudia en la universidad pública de El Alto […] No es chola, aunque seguramente su madre o su abuela lo son: ella es birlocha. Viste un cómodo pantalón y su cabello negro largo y brillante no esta trenzado, sino suelto o con cola. Sus labios café oscuro, sus mejillas quemadas por el sol alteño y más que nada su forma de hablar -con una mezcla extraña de parquedad, solidez y timidez- la colocan como la antítesis política de Yanine Añez.

(Copa) es una mujer que asumió el peso del que otros y otras huyeron. Cuando le pregunté comó y por qué se había animado a hacerlo me dijo: “porque soy alteña, porque no tengo otra salida, porque no me voy a ir de Bolivia a otra parte: no tengo por qué escapar”. Y cuando le pregunté ¿y por qué han escapado tantos y tantas?, responde: “Dicen que por razones familiares”.

Ela tem 32 anos, é da cidade de El Alto, e há várias semanas não dorme em casa por razões de segurança; é estudante de Serviço Social e a vida não lhe deu a oportunidade de terminar sua carreira. Estuda na universidade pública de El Alto. […] Não é chola, embora certamente sua mãe ou avó sejam: ela é birlocha. Veste calças confortáveis ​​e seus longos cabelos pretos brilhantes não são trançados, mas soltos ou presos com rabo. Seus lábios são castanho-escuros, suas bochechas queimadas pelo sol e, acima de tudo, sua maneira de falar – com uma estranha mistura de aspereza, firmeza e timidez – a colocam como a antítese política de Yanine Añez.

(Copa) é uma mulher que assumiu o peso que outros e outras que não quiseram assumir e fugiram. Quando perguntei como e por que ela estava fazendo isto, ela disse: “Porque sou corajosa, porque não tenho outra saída, porque não vou sair da Bolívia para outro lugar: eu não preciso fugir”. E quando perguntei a ela, e por que tantos escaparam? Ela responde: “Disseram que por razões familiares”.

Galindo conclui o ensaio com elogios à Copa pela forma como lidou com a pressão diante de tantas adversidades:

La ciudad de El Alto es una ciudad donde cotidianamente las mujeres cargan en sus espaldas grandes bultos en aguayos, llevan su mercadería, o sus wawas, sus angustias o sus esperanzas a cuestas. Eva carga un bulto también: el bulto de esperanzas para frenar una guerra civil, el bulto de ungüentos con que conjurar la violencia de los asesinos, carga el bulto de los sueños de los asesinados, carga el bulto de las lágrimas de las dolientes que no paran de llorar, dejando claro una vez mas que las mujeres no queremos ocultar nuestra fragilidad y nuestro dolor.

Eva es la antítesis de Yanine Añez, pero también de Evo.

El Alto é uma cidade onde diariamente as mulheres carregam grandes trouxas envoltas em aguayos,(tecidos tradicionais de cores contrastantes) nas costas. Nelas levam suas mercadorias ou os seus bebês, suas angústias ou esperanças. Eva também carrega um fardo: o fardo de acabar com a guerra civil, o fardo de acalmar a violência dos assassinos, o fardo dos sonhos dos assassinados, o fardo das lágrimas dos enlutados que não param de chorar, deixando claro mais uma vez que nós mulheres não queremos esconder nossa fragilidade e nossa dor.

Eva é a antítese de Yanine Añez, mas também de Evo [Morales].

Galindo também entrevistou Copa em seu programa de rádio transmitido pela Radio Deseo de La Paz.

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