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Em ano de eleições, Moçambique debate ‘fake news’ e seus perigos

Conferência “Redes Sociais, Fake News, Desinformação e Cibersegurança no Contexto de Eleições Democráticas,” realizada em Maputo. Foto por Dércio Tsandzana, 5 de Agosto de 2019, usada com permissão.

No passado dia 5 de Agosto, a cidade de Maputo acolheu uma conferência intitulada “Redes Sociais, Fake News, Desinformação e Cibersegurança no Contexto de Eleições Democráticas”, organizada pelo Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável em Moçambique, EISA.

O evento contou com a participação do Global Voices, tendo sido reservado um momento de intervenção do editor regional para a Lusofonia Dércio Tsandzana, que abordou a temática sob o ponto de vista das eleições do próximo dia 15 de Outubro.

Movidos pelo interesse em discutir a prática da difusão de notícias consideradas falsas ou enganosas em processos eleitorais, o EISA procurou juntar no mesmo espaço vários actores nacionais e internacionais em volta do tema.

Estavam presentes especialistas em direitos humanos, comunicação, liberdade de imprensa, segurança cibernética da África do Sul, bem como de investigadores locais em Moçambique que trabalham na aréa da comunicação social.

Conferência 'Redes Sociais, Fake New, Desinformação e Cibersegurança no Contexto de Eleições Democráticas', Maputo. Foto por Dércio Tsandzana, 5 de Agosto de 2019.

Conferência ‘Redes Sociais, Fake New, Desinformação e Cibersegurança no Contexto de Eleições Democráticas’, Maputo. Foto por Dércio Tsandzana, 5 de Agosto de 2019, usada com permissão.

Ericino de Salema, Director-presidente do EISA Moçambique, referiu na ocasião que a propagação de fake news propicia um ambiente em que se pode agudizar a prática de actos de violência, bem como a calúnia das pessoas.

Para o Chefe do Departamento de Eleições e Processos Políticos em África (EISA), Olufunto Akinduro, as fake news podem criar candidatos inexistentes, bem como distorcer a mensagem que os verdadeiros concorrentes queiram passar durante as eleições.

Fake News em Moçambique: um debate muito tímido

Durante o evento, ficou claro que o assunto sobre notícias falsas e desinformação em eleições não é novo, mas Moçambique pouco se produz em volta do assunto, sobretudo pelo facto do termo colher pouco consenso quanto à definição no contexto moçambicano. Também é importante lembrar que apenas 18% da população do país tem acesso à internet.

Por exemplo, conta-se com a realização de apenas dois eventos relacionados ao tema recentemente, um em Maio de 2018 e outro Julho de 2019. O primeiro foi organizado pela Comissão Episcopal de Justiça e Paz (“Fake news e jornalismo de paz”), e o segundo pela Lusa Moçambique (“Fake news — uma questão democrática”).

Para além destes, pode-se igualmente sublinhar a publicação no dia 2 de Maio do presente ano de uma notícia intitulada “Fake News: Renamo distorce alguns problemas do recenseamento eleitoral,” pelo boletim eleitoral do Centro de Integridade Pública (CIP).

Nela, o CIP fez o escrutínio minucioso da conferência de imprensa emitida no dia 24 de Abril pela Renamo sobre o recenseamento eleitoral, tendo destacado várias incongruências na informação prestada.

Para as eleições de Outubro, projecta-se maior atenção em monitoriar o tipo de notícias a circular, embora ainda não exista uma plataforma específica para tal. Nas eleições de 2014, a organização cívica denominada Txeka — ver e observar em língua portuguesa — utilizou um sistema virtual para fazer observar o processo eleitoral.

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