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Produção de teatro juvenil é proibida pelas autoridades russas por promover “relações familiares não tradicionais”

Embaixada russa em Helsinque, Finlândia. Em 7 de setembro de 2013, um grupo de ativistas pintou a faixa de pedestres com as cores do arco-íris para protestar contra o sentimento e a legislação anti-LGBT russa, especialmente contra a proibição da “propaganda homossexual” // Flickr, Murmur, sob licença CC3.0.0

“Os rosas e os azuis”, uma produção teatral juvenil sobre as estereótipos de gênero, foi banida pelas autoridades locais em Komsomolsk-on-Amur, no leste da Rússia.

A imprensa russa relata que a diretora da companhia, Yulia Tsvetkova, foi interrogada por uma das unidades antiextremistas da polícia, e que os atores de seu coletivo amador, adolescentes de 13 a 15 anos, foram interrogados também.

A peça seria encenada como parte de um festival de teatro chamado Tsvet Shafrana (A cor do açafrão), que aborda temas como o bullying escolar, a Primavera de Praga e as questões antiguerra. O festival foi cancelado em decorrência da proibição e  perda do local para performance.

“Os rosas e os azuis”, desenvolvida pela ativista Merak, provocou uma investigação minuciosa por parte das autoridades locais, que a consideraram uma atividade perigosa e subversiva, que promovia “o ódio contra os homens e as relações familiares não tradicionais”, disse Tsvetkova ao site independente de notícias Takie Dela. Paralelamente, o festival primeiro perdeu um dos locais oferecidos para a realização do evento e, duas semanas, depois um outro local. Esses cancelamentos sinalizaram claramente à Tsvetkova que as autoridades não permitiriam que o festival prosseguisse.

A expressão “relações familiares não tradicionais” reproduz as formulações de uma lei recente contra a “propaganda da homossexualidade para menores”. Nos últimos anos, tem sido usada quase exclusivamente contra grupos de defesa de direitos de homossexuais, igualdade de gênero e educação sexual. As acusações de “propaganda gay” podem atrair muita atenção e pressão dos legisladores locais, dos serviços de proteção às crianças e das autoridades escolares, bem como da unidade de antiextremismo da polícia – como aconteceu no caso de Tsvetkova.

Yulia Tsvetkova, professora e ativista feminista, diz que durante o interrogatório agentes da polícia a confrontaram com publicações impressas de suas postagens sobre educação sexual nas escolas, feminismo e homossexualidadenas redes sociais.

Ela nega que expôs seus atores infantis a qualquer conteúdo LGBT, dizendo:

«Розовый и голубой — типичные “женский” и “мужской” цвета, вот и все, — объяснила Юлия.​ — Постановка именно об этом, и название для нее придумал один из актеров, ребенок 11 лет».

Rosa e azul são cores vistas como tipicamente “femininas” e “masculinas”, é isso. É disso que se trata a peça e o nome foi sugerido por um dos atores, uma criança de 11 anos.

Tsvetkova também disse que a polícia estava agindo embasada em três diferentes cartas anônimas que expressavam queixas contra ela, todas escritas na mesma linguagem estereotipada, reiterando as palavras da lei que proíbe a “propaganda de relações familiares não tradicionais”.

A Rússia aprovou recentemente uma série de leis socialmente conservadoras e os “valores tradicionais” são regularmente mencionados em discursos e declarações políticas. Essas leis têm sido usadas para processar ativistas, sites de conscientização de saúde e meios de comunicação on-line, resultando em multas e bloqueios de sites – além de campanhas de ódio intenso nas redes sociais e outras formas de violência pública.

 

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