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Encontro entre João Lourenço e activistas comentada pelos internautas angolanos

Capa do Jornal de Angola – saudação entre Luaty Beirão e João Lourenço | Foto dos autores: Simão Hossi e Dércio Tsandzana, 11 de Dezembro de 2018

O Presidente João Lourenço continua a ser destaque em Angola, dessa vez tendo como protagonistas Rafael Marques e Luaty Beirão, que foram alguns dos membros de organizações da sociedade civil recebidos, no dia 4 de Dezembro, pelo Presidente angolano.

Além do jornalista e activista, foram igualmente convidados representantes de cerca de uma dezena de instituições ligados à defesa dos direitos humanos, desenvolvimento rural, direito e promoção da juventude.

O activista Luaty Beirão na sua página de twitter recordou, antes do encontro, quando foi acusado de tentativa de rebelião em Angola, tendo garantido que no palácio presidencial apenas entraria como ilustre convidado.

De facto, Luaty é um dos 17 activistas que foram detidos em 2015 por contestarem contra o regime angolano, e que chegou a estar preso durante vários meses — tendo cumprido, em protesto, 36 dias de greve de fome na cadeia:

Entretanto, no dia do encontro houve dois cenários acabaram por marcar o encontro que foi largamente discutido nas redes sociais.

O primeiro caso deveu-se ao impedimento, pela segurança presidencial, de Rafael Marques para estar presente no encontro, embora inda no mesmo dia o Gabinete do Presidente da República viria a reformular um novo convite ao activista e jornalista, marcando assim um encontro privado, entre Rafael Marques e João Lourenço.

O presidente João Lourenço encorajou-me hoje a prosseguir com as minhas investigações sobre a corrupção e a encaminhar os casos à Procuradoria-Geral da República.

A luta contra a corrupção, incluindo o repatriamento de capitais, é uma das prioridades do seu governo. Para o efeito, conta com o contributo dos cidadãos na moralização da sociedade.

O presidente manifestou a sua visão sobre a relação entre o Estado e os cidadãos, lamentando que estes, muitas vezes, vandalizem o património público e refletindo sobre o que deve ser feito para alterar as mentalidades.

Igualmente as redes sociais estiveram atentas a outros detlhes, concretamente as vestimentas de cada convidado, sendo que Luaty Beirão que portava uma calça jeans, camisa e sapatilhas foi um dos grandes visados pelos comentários.

Luaty Beirão na presidência da República Angolana, aquando do diálogo entre o chefe de estado angolano e ativistas.

A pergunta que fica: é falta de roupa, uma amostra de que os ativistas são extremamente pobres, ou vontade de ser mediático para dizer que, a roupa não muda qualquer contribuição que uma pessoa queira dar?

Que passa aqui mesmo?!

Uma internauta disse, através do Twitter, que a roupa não define necessariamente a personalidade das pessoas:
O mesmo ponto de vista foi expressado por Israel Campos, locutor e repórter na Rádio Nacional de Angola, que referiu:

O questionamento e discussão em torno das vestes de Luaty Beirão aquando da recepção presidencial ontem, revela as manias de finos dos nossos manos e manas. Julgar as pessoas pela sua aparência é continuar a fazer um julgamento que na nossa realidade já se mostrou um erro. Seguindo a lógica dos finos, segundo a qual fato e gravata são sinais de responsabilidade e integridade, o que me diriam sobre os marimbondos que traíram a pátria? Nunca é sobre caixa, é sempre mesmo sobre o conteúdo!

Em reacção, Luaty Beirão, publicou várias fotos em que ilustra a forma como tem se vestido em outros encontros, nomeadamente nas Nações Unidas, Parlamento Europeu e Parlamento Português:

Recorde-se que o debate sobre as vestimentas já havia sido levantado este ano durante a visita do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, a Angola. Igualmente a forma de vestir foi destaque para a expulsão do activista Simão Hossi em um restaurante de Luanda.

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